"Se não te agradar o estylo,e o methodo, que sigo, terás paciência, porque não posso saber o teu génio, mas se lendo encontrares alguns erros, (como pode suceder, que encontres) ficar-tehey em grande obrigação se delles me advertires, para que emendando-os fique o teu gosto mais satisfeito"
Bento Morganti - Nummismologia. Lisboa, 1737. no Prólogo «A Quem Ler»

domingo, 25 de outubro de 2009

Biblioteca Nacional de Portugal: «A expulsão dos jesuítas dos Domínios Portugueses: 250.º aniversário»




A Biblioteca Nacional de Portugal organiza uma exposição subordinada ao tema: «A expulsão dos jesuítas dos Domínios Portugueses: 250.º aniversário» de 30 de Setembro a 31 de Dezembro no «Museu do Livro»
Entrada livre
Horário: 2ª a 6ª feira das 13h às 19h Sábado das 10h às 17h


Alegoria à expulsão dos Jesuítas de Portugal.
Gravura anónima, francesa, ca 1760
BNP E.A. 9 P., f. 9

“Assinala-se, em Setembro de 2009, o 250.º aniversário da expulsão da Companhia de Jesus dos Domínios Portugueses. Trata-se, seguramente, de um dos temas mais polémicos da historiografia nacional.

Esta oscila geralmente entre duas posições antagónicas. Por um lado, a «lenda negra» que assaca todo o tipo de acusações à milícia inaciana, muitas das quais sem qualquer verosimilhança. O processo começou logo com o intenso combate político, ideológico e religioso travado entre a Coroa, sob a orientação de Sebastião José de Carvalho e Melo, e os discípulos de Loiola, tendo perdurado até ao século XX, com particular virulência no decurso da Primeira República. Por outro lado, surgiu a «lenda dourada» que atribuiu toda a responsabilidade à idiossincrasia e ao comportamento do futuro marquês de Pombal, isentando os religiosos de quaisquer responsabilidades e transformando-os em meras vítimas de um algoz que pretendera, desde o início do governo de D. José I, destruí-los.

A resistência da Companhia de Jesus às novas orientações políticas assumiu um carácter mais dramático em Portugal e Espanha, devido aos enormes privilégios e à grande influência de que gozava sobretudo nas Américas Portuguesa e Espanhola, teatros onde se jogou a sorte dos inacianos em meados de Setecentos.
A oposição da Província do Paraguai da Companhia de Jesus à entrega a Portugal dos Sete Povos das Missões, a resistência da Vice-P

rovíncia do Maranhão à perda do poder temporal nas aldeias de índios, a participação activa dos jesuítas na campanha contra a criação da Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão, a falta de cooperação dos missionários nas operações de demarcação das fronteiras na Amazónia, entre outros motivos, acabaram por conduzir, a partir do final de 1757, a uma situação de crescente hostilidade entre o governo metropolitano e a milícia inaciana.


Catálogo da Exposição

A associação de alguns dos mais notórios jesuítas aos sectores descontentes agravou a posição da Assistência de Portugal da Companhia de Jesus perante o governo. A tentativa de regicídio forneceu uma oportunidade à Coroa para eliminar todos os grupos oposicionistas, da alta nobreza ao clero. Não demorou muito para que a Carta Régia de 3 de Setembro de 1759 determinasse a expulsão dos inacianos do Reino de Portugal e respectivos Domínios Ultramarinos.

Decorridos alguns anos, verificou-se a expulsão dos jesuítas do reino de França (1763), decidida por Luís XV, e, pouco depois, de todos os territórios pertencentes à Coroa de Espanha, decretada por Carlos III, através da Pragmática Sanção de 2 de Abril de 1767.

O golpe final foi aplicado pela Santa Sé com a dissolução da congregação a 21 de Julho de 1773, por decisão de Clemente XIV (1769-1774) através do breve Dominus ac Redemptor.

Assim terminou um período de secular expansão que conferira à milícia inaciana um cariz mundial, com intensa presença na Europa, em África, na América e na Ásia, facto que lhe permitiu criar uma vasta rede escolar, desenvolver inovadores métodos de missionação em vários continentes, designadamente a inculturação, promover a investigação e a divulgação de conhecimentos científicos em diferentes domínios e, também, criar um empório económico de alcance global.”
(1)

Pela importância do acontecimento, quer para a História e Cultura, bem como pela sua relevância na evolução literária, com os inevitáveis reflexos na bibliofilia, trata-se duma exposição a não perder.

Saudações bibliófilas

(1) Textos da Comissáo da Organização da Exposição.

3 comentários:

Galderich disse...

¡Realmente es un periodo muy interesante para los jesuitas y sus persecusiones hasta bien entrado el s. XX!
Una buena iniciativa la organización de esta exposición y el análisis de lo que debió suceder sin las visiones desvirtuadas, o lo mínimo posible...

Marco Pedrosa disse...

Caríssimo Rui,
Como bibliófilo que conhece o valor venal dos livros deve estranhar que
ponho Encadernações trabalhadas em livros de baixíssimo valor.
O caso é que muitas vezes uso tais livros para praticar e aperfeiçoar a
técnica dessa arte que exige muita, muita prática. Com vinte anos de profissão ainda
me considero um aprendiz.
já encadernei em pleno couro com, ferros, ouro, etc. cardapácios que
nada valem.
Como este do meu blog, (A encadernação Annie Persuy), por exemplo.
Não tente entender, são coisas de artesão apaixonado pela profissão!
Gostei do Site que me indicou muito interessante.
Quanto aos livros sugeridos fica a curiosidade, pois é muito difícil
adquirir publicações sobre o assunto, uma vez que são muito cobiçados pelos encadernadores
mundo afora e por estudiosos como você. Raramente os vemos à venda nas livrarias ou
internet.
Apesar disso tenho um número razoável de livros técnicos, exceto esses
que me indicou, infelizmente.
Editados no Brasil só existem quatro títulos. Todos bem
antigos.
Permita-me também indicá-lo o site Carlos Rey, se ainda não conhece,
especialmente a parte em que ele posta para download os maestros encadernadores?

www.aquiseencuaderna.com

Abraço
Marco Pedrosa

rui disse...

Caro amigos

Como vou comentar, ou melhor, como se diz por cá, “descalçar esta bota?”
Sobre a Expulsão dos Jesuítas é um mundo de histórias e de factos todos eles bem documentados em livros que qualquer bibliófilo não desdenharia ter nas suas estantes.
E aqui Galderich se aplica o conceito de “verdade” do qual ainda há pouco falámos.
Sobre a encadernação ... bom penso que, para os apaixonados onde me incluo, nem vale a pena começar!
Tanto para dizer e tanto para aprender.
Marco, quantos livros não comprei pela beleza da sua encadernação, e nunca me arrependi disso. De não ter comprado isso sim. Ainda não esqueci uma excepcional encadernação francesa de um livro de Gérard de Nerval que vi há pouco tempo.

Saudações bibliófilas