"Se não te agradar o estylo,e o methodo, que sigo, terás paciência, porque não posso saber o teu génio, mas se lendo encontrares alguns erros, (como pode suceder, que encontres) ficar-tehey em grande obrigação se delles me advertires, para que emendando-os fique o teu gosto mais satisfeito"
Bento Morganti - Nummismologia. Lisboa, 1737. no Prólogo «A Quem Ler»

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sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Frenesi Loja – alguns livros com história



Um coleccionador de livros

Paulo Costa Domingos da Frenesi Loja (http://frenesilivros.blogspot.pt/) fez uma montra que divulgou junto dos seus clientes e amigos, onde se podem encontrar alguns livros de inquestionável interesse.

Claro que se trata de uma amostra muito pequena do vasto acervo que espera pela nossa pesquisa e consulta.

Mas vou então aquilo que nos interessa.

Embora não seja muito frequente, desta vez vamos encontrar uma boa proposta na temática do livro antigo, pelo que é exactamente nessa área que me vou debruçar na minha apresentação.



ERASME [DESIDERIUS ERASMUS] – L’Éloge de la Folie. Trad. do latim por M. [monsieur Nicolas] Gueudeville. Gravuras de C. Eisen. s.l. [Paris], s.i., 1771. «Nouvelle Édition, revue & corrigée fur le Texte de l’Édition de Bâle. Et ornée de nouvelles figures. Avec des notes.» (2.ª edição). 16,1 cm x 10,5 cm. 8 págs. (não numeradas) + XXIV págs. (prefácios) + 13 folhas em extra-texto (gravuras).

Profusamente ilustrado.



Encadernação antiga com lombada em pele gravada a ouro, pastas forradas a tela, bonitas vinhetas gravadas a ouro nos remates da pele. Pouco aparado. Sigla de posse (ou marca de encadernador?) ao rés da lombada: J. M. S. V.



Exemplar muito estimado; miolo limpo, papel sonante. Carimbo do livreiro-antiquário Gris y Zavala (Lima) no rodapé do frontispício. Ostenta colado no verso da pasta anterior o ex-libris de Manuel R. Pereira da Silva.

PEÇA DE COLECÇÃO
185,00€ (IVA e portes incluídos)

Tradução de referência do texto quinhentista, seguindo a edição de Basileia, escrupulosamente levada a cabo pelo antiquário Charles Patin em 1676.



CONSELHEIRO [M. M.] LISBÔA – Relação de uma Viagem a Venezuela, Nova Granada e Equador. Bruxelas, A. Lacroix, Verboeckhoven e C.ª, Editores, 1866. 1.ª edição. 23,8 cm x 15,9 cm. 394 págs. + 1 folha dupla (mapa) + 29 folhas em extra-texto (sendo seis delas desdobráveis) + 8 págs. (pauta musical).

Profusamente ilustrado.



Encadernação recente meia-francesa em pele e papel de fantasia com gravação a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.

Exemplar muito estimado; miolo limpo e parcialmente por abrir. Discreta rubrica de posse no canto superior direito do frontispício, pequena etiqueta de biblioteca no canto superior esquerdo da capa de brochura.

Peça de colecção com grande interesse científico.
180,00€ (IVA e portes incluídos)



Não é um livro de viagem turística. É o testemunho expedicionário de um observador que soube, por comparação, detectar a novidade nos usos e costumes, na religião, na geografia, na gastronomia, e até colher apontamento das culturas locais e das tecnologias práticas. Porque o Autor tinha em mente dar a conhecer – prioritariamente aos brasileiros – o «estado social e material dos paizes limitrophes», que, apesar de o serem, «são no Brasil inteiramente desconhecidos».



MANOEL BERNARDES, padre – Pam Partido | em pequeninos | para os pequeninos da casa | de Deos, | Breve tratado Efpiritual, em que fe inf- | true hum Fiel nos pontos principaes | da Fè, e bons coftumes | Ajuntaõ-fe hũa vifaõ notavel, que huma ferva | de Deos teve dos tormentos do Inferno, e hu- | mas Meditações fobre os Noviffimos | Compofto pelo Padre |  … | da Congregaçaõ do Oratorio de Lisboa. Lisboa Occidental, Na Officina de Miguel Rodrigues, 1726. [4.ª edição (segundo Inocêncio)]. 2 tomos (encadernados em 1 volume) (completo). 15,3 cm x 10,3 cm. 220 págs. + 2 págs. + 198 págs.

Encadernação da época inteira em pele, com nervuras e gravação a ouro na lombada. Corte marmoreado.

Exemplar em bom estado de conservação, discretos restauros à cabeça das págs. 159 a 176 sem afectar a mancha de texto; miolo limpo, papel sonante.

Dedicatória de Ayres de Carvalho na folha de resguardo do verso da capa anterior.
250,00€ (IVA e portes incluídos)



Dizem-nos António José Saraiva / Óscar Lopes (ver História da Literatura Portuguesa, 15.ª ed., Porto Editora, 1989):

«[...] Nascido de uma ligação irregular, talvez de pai judeu, recebeu ordens sacras e professou em 1674 na Congregação do Oratório de S. Filipe Néri, que o padre Bartolomeu do Quental trouxera para Portugal seis anos antes e que tão grande papel desempenhará nas reformas pedagógicas do séc. XVIII entre nós. [...]

Ideologicamente, e apesar da sua vasta informação literária e teológica, a obra de Bernardes é a de um cristão simples, sem problemas filosóficos, a quem a vergonha materna, as leituras ascéticas e o confessionário inculcaram a ideia de que o mundo secular está profundamente corrompido. Na sua prosa macia, com uma delicadeza eufemística e dir-se-ia que voluptuosa, perpassam abundantes casos que dão da mulher, mesmo da mãe, irmã ou freira, o juízo mais pessimista. Mas ao lado dessa podridão, de cujo contacto Bernardes afasta habilmente a fímbria da sua prosa imaculada, o mundo foi e é sempre, para ele, um teatro de constantes e ininterruptos prodígios miraculosos. [...]

Não se lhe pode, no entanto, contestar certa perspicácia psicológica em todas as fases dos exercícios de ascese ou de expansão mística. São sensíveis as suas afinidades com a mística quietista, pela importância que atribui à contemplação extática, embora evite as teses, entretanto condenadas, de Molinos, assim como as dos Alumbrados.

Contudo o grande mérito de Bernardes é o de artista da prosa narrativa. As explicações didácticas, as análises doutrinais que, sobretudo nos tratados ascéticos, se carregam do lastro, para nós incómodo, das citações escriturárias, patrísticas, escolásticas ou literárias, revelam já o estilista; mas é quando procura atingir o grande público através de narrativas muito chãs e impressivas, seguidas de comentários moralistas, que Bernardes revela os seus melhores dons artísticos. [...]»



MANOEL BERNARDES, padre – Luz, e Calor | Obra espiritual para os que tratam | do exercicio de virtudes, e caminho de perfeiçaõ, | dividida em duas partes. | Na primeira fe procura communicar ao entendimento Luz de muitas verdades im- | portantes, por meyo de Doutrinas, Sentenças, Induftrias, e Dictames ef- | pirituaes. Na fegunda fe procura communicar à vontade Calor do Amor | de Deos, por meyo de Exhortações, Exemplos, Meditações, Col- | loquios, e Jaculatorias. Lisboa, Na Officina Patriarcal de Francifco Luiz Ameno, 1758. 4.ª edição («Quarta impreffaõ»). 20,6 cm x 15,7 cm. 16 págs. (frontispício, dedicatórias, licenças de impressão e sumário) + 660 págs. (38 das quais com o índice remissivo).

Encadernação antiga inteira em pele, com nervuras na lombada, rótulo e gravação a ouro. Aparado, corte carminado.

Exemplar em bom estado de conservação; miolo muito fresco e, no geral, limpo. Sem sinal de traça.
A folha-de-rosto ostenta no canto inferior esquerdo pequeno desenho infantil; ao longo das margens de algumas páginas da obra, apesar de já desvanecidas, surgem ocasionais linhas de apontamento sem afectar o corpo do texto.

Dedicatória de Ayres de Carvalho na primeira folha-de-guarda.
95,00€ (IVA e portes incluídos)

Inocêncio Francisco da Silva, no seu Diccionario Bibliographico Portuguez (tomo V, Imprensa Nacional, 1860), dá fé da existência de Bernardes assim:

«Presbytero da Congregação do Oratorio de Lisboa, cuja roupeta vestiu aos trinta annos de edade, sendo já graduado pela Universidade de Coimbra nas Faculdades de Canones e Philosopbia. – N. em Lisboa a 20 de Agosto de 1644, e m. na casa do Espirito‑sancto, a 17 de egual mez de 1710, havendo perdido inteiramente o siso dous annos antes. [...]»



ARNOLDI VINNII – Institutionum Imperialium Commentarius Academicus, et Forensis... Gottl. Heineccius recensuit, & præfationem notulasque adjecit [junto com] Selectarum Juris Quæstionum... Veneza, Typis Antonii Graziosi, 1768. [a 1.ª edição é do século XVII)]. 4 livros em 2 tomos + 2 livros (tomo III) encadernados em 2 volumes. 23,8 cm x 19,5 cm. [XXXII págs. + 536 págs.] + [IV págs. + 452 págs. + VIII págs. + 172 págs.]

Encadernações homogéneas de época inteiras em pele mosqueada com nervuras e vinhetas gravadas a ouro nas lombadas; perderam ambos os rótulos.

Exemplares em estado muito razoável de conservação, miolo limpo.

Assinatura de posse rasurada no frontispício do tomo I
180,00€ (IVA e portes incluídos)



Obra redigida em latim, de vasto interesse jurídico. Do autor diz-nos o Diccionario Popular, historico, geographico, mythologico, biographico, artistico, bibliographico e litterario (dir. Manoel Pinheiro Chagas), 13.º vol., Typographia da Viuva Sousa Neves, Lisboa, 1884:

«[...] Jurisconsulto e professor hollandez, n. em 1588 e m. em 1657. Tendo estudado durante alguns annos a legislação romana e as leis do seu paiz, começou em 1615 a publicar alguns trabalhos sobre o direito romano, nos quaes se affastou da rotina, e em que apesar de não descobrir o systema que 150 annos depois tornou conhecidos os nomes de Hugo, Hubold e Savigny seguiu chronologicamente as mudanças da lei romana, e os seus progressos e tendencias sempre elevadas, especialmente sob o influxo do christianismo, regeitando o estudo litteral dos textos.

[...] pela sua erudição profunda e variada, pela sua eloquencia e pela sua logica severa era considerado um dos mais distinctos professores e pelo seu methodo racional, e pelas suas descobertas pessoaes era considerado superior a todos.

Vinnius que [...] os seus compatriotas tinham na conta de primeiro entre todos os jurisconsultos d’essa epoca recusou todas as honras, e não querendo nunca deixar o magisterio quando já muito cansado não podia fazer cursos regulares, presidia a conferencias em que os discipulos discutiam sob a sua presidencia, pontos difficeis de direito. [...]»



MIGUEL CARDOSO – Os Elementos da Ethica de João Gottlieb Heineccio [...]Com as suas notas, Interpretados e traduzidos, que Ao Illuftriffimo, e Excellentiffimo Senhor Fernando da Costa de Ataide e Teive de Souza Coutinho, do Confelho de Sua Mageftade, Tenente General dos feus Exercitos com o Governo das Armas da Provincia da Beira, Commendador de Rebaldeira na Ordem de S. Thiago, Senhor Donatario dos Confelhos de Baiaõ, e S. Chriftovaõ de Nogueira, e dos Foros do Lamegal, &c. &c. &c. Coimbra, Na Real Imprensa da Universidade, 1792. [1.ª edição]. 14,9 cm x 10,2 cm. 6 págs. + 232 págs.

Encadernação da época inteira em pele, sem nervuras, com discretos ferros a ouro na lombada.



Miolo em muito bom estado de conservação; extensos sinais de traça na pele tal como mostra a imagem junto.
45,00€ (IVA e portes incluídos)

Trata-se de um estudo acerca daquele que foi, na primeira metade do século XVIII, um mestre fundador da filosofia jurídica, entendida esta enquanto conjunto de princípios objectivos do Direito. Johann Gottlieb Heineccius viveu entre 1681 e 1741, e pode ser considerado o jurista de referência para a Europa.



LUIZ DE SOUZA, frei – Vida | do Veneravel | D. Fr. Bartolomeu | dos Martyres | da Ordem dos Pregadores, | Arcebifpo de Braga, Primaz das Hefpanhas. Paris, Na Officina de Antonio Boudet, Impreffor de S. M. Chriftianiffima, 1760. 2.ª edição («nova ediçaõ»). 2 tomos (completo). 20,2 cm x 13,5 cm. [XX págs. + 388 págs.] + [2 págs. + 320 págs.]

Encadernações dissemelhantes inteiras em pele, da época, com nervuras pontuadas pela gravação a ouro e rótulos também gravados a ouro.



Exemplares muito estimados; miolo limpo, papel sonante. Carimbo de posse no frontispício do tomo segundo.
320,00€ (IVA e portes incluídos)

Professo no convento dominicano de São Domingos de Benfica, frei Luís de Sousa (1555-1632) dá à estampa esta obra, de um português de alta correcção, partindo de umas notas coligidas por um outro religioso da Ordem, frei Luís Cacegas (1540 ?-1610), cronista este, vigário e superior do convento. A primeira edição da vertente obra fôra impressa em Viana por Nicolau Carvalho em 1619.

Ainda que fora desta temática, não quero deixar de referir mais estas quatro obras.

Pela qualidade das suas ilustrações temos:



aa.vv. – Album do Zé Povinho do Porto. Porto, Clube Fenianos Portuenses / Papelaria e Typographia Academica, 1908. 1.ª edição [única]. 22,2 cm x 16,8 cm. 152 págs. (quase exclusivamente impressas retro).

Profusamente ilustrado a preto e a cor.

Encadernação editorial «na casa de Alexandre Duarte Corrêa».

Exemplar muito estimado; miolo limpo e fresco.

Peça de colecção.
115,00€ (IVA e portes incluídos) [RESERVADO]



Celebra este álbum Alexandre Correia Júnior, pitoresca figura portuense que, para quase todos, aí encarnava o Carnaval e, portanto, uma espécie de Zé Povinho nortenho... Isto segundo os próprios promotores da edição. Claro que o original lisboeta foi sempre um pouco de tudo... menos carnavalesco! Terá sido, este último, um tolo, mas um tolo virado à política e à intervenção cívica.

Inclui a vertente obra colaborações plásticas, musicais e literárias, entre muitíssimas outras, de António Teixeira Lopes, Manuel Monterroso, Sebastião Magalhães Lima, Francisco Valença, João Chagas, Alonso, Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro, Sampaio (Bruno), Jaime Cortesão, etc.

Pela excelente encadernação veja-se esta:



MANUEL DA SILVA GAYO – Torturados. Porto, Livraria Chardron – De Lello & Irmão, editores, 1911. 1.ª edição. 18,6 cm x 12,6 cm. 8 págs. + 416 págs.

Encadernação de artista (não identificada, imitando o estilo de Victor Santos), inteira em pele com gravação a ouro em ambas as pastas e na lombada, tendo sido esta última acentuada por alto-relevo decorativo entre as nervuras; seixas gravadas a relevo-seco. Pouco aparado, sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação; miolo limpo.

Ostenta colado no interior das guardas da encadernação o ex-libris de Rogélio Barros Durão.

Peça de colecção.
95,00€ (IVA e portes incluídos)

Filho do escritor liberal António da Silva Gaio, cujo romance histórico Mário bastou para que a posteridade o não pudesse esquecer, este Manuel notabilizou-se mais pelas ideias de um parnasianismo nacionalista, de um decadentismo simbolista, que partilhava com, por exemplo, António Feijó, ou Eugénio de Castro, ou Gonçalves Crespo.

E de uma das mais famosas polémicas do nosso séc. XIX refira-se esta miscelânea:



A.[LEXANDRE] HERCULANO – Eu e o Clero [miscelânea]. Lisboa, Imprensa Nacional, 1850-1851. 1.ª edição [excepto a primeira brochura (2.ª edição)]. 5 brochuras em 1 volume. 20 cm x 13,5 cm 20 págs. + 18 págs. + 68 págs. + 32 págs. + 36 págs.

Títulos individuais:

[1] Eu e o Clero – Carta ao Em.º Cardeal-Patriarca
[2] Considerações Pacificas sobre o opúsculo Eu e o Clero – Carta ao redactor do periodico A Nação
[3] Solemnia Verba – Cartas ao Senhor A. L. Magessi Tavares sobre a questão actual entre a verdade e uma parte do clero
[4] A Batalha d’Ourique e a Sciencia Arabico-Academica – Carta ao redactor da Semana
[5] Da Propriedade Litteraria e da recente convenção com França – Carta ao Senhor Visconde d’Almeida-Garrett

Encadernação da época, meia-inglesa em pele e papel de fantasia com gravação a ouro na lombada. Pouco aparado, sem as capas de brochura.

Exemplar bem conservado; miolo limpo.

Peça de colecção.
125,00€ (IVA e portes incluídos)



Estão aqui reunidas num único volume as peças essenciais de uma vastíssima polémica em torno da rejeição, por parte de Herculano, dos fundamentos milagreiros da batalha que, em 1139, travou D. Afonso Henriques nos campos de Ourique contra os sarracenos. Evento este tão estrondosamente vitorioso, de um grupo minúsculo de tropas contra um imenso exército inimigo, que levou o nosso monarca a autoproclamar-se, logo ali, rei de Portugal. José Custódio e José Manuel Garcia (Opúsculos IV, Editorial Presença, Lisboa, 1985) contextualizam o sucedido após a publicação, em 1846, do primeiro volume da História de Portugal de Herculano:

«[...] Quanto ao milagre, cavalo de batalha da questão de Ourique, Herculano afirma friamente que não há qualquer referência em que o historiador se possa estribar. O espírito positivo era adverso ao maravilhoso e ao metafísico e via nos “contadores de histórias” falsários e embusteiros que forjavam inclusive documentos para aduzir provas. Por isso “discutir todas as fábulas que se prendem à jornada de Ourique fora processo infinito”. A da aparição de Cristo ao príncipe Ibn Erick antes da batalha fundamentava-se num documento tão mal forjado “que o aluno instruído de diplomática – a ciência por excelência da crítica histórica – o rejeitaria como falso”.

Ora todos estes argumentos foram lenha para a fogueira. Podia um homem, mesmo que fosse um historiador, rejeitar assim, de um momento para o outro, todas as motivações pátrias, toda a origem sacra da realeza (e da nação), toda a fundamentação clara e inequívoca do 5.º Império? Seria possível permitir que um “ateu” mascarado viesse abalar os alicerces da afectividade pública e as esperanças mais recônditas da protecção divina?

O país em 1846 já havia mudado. A mentalidade, no entanto, ainda estava presa às forças anímicas do inconsciente colectivo. A segurança, a razão cartesiana, a clareza das ideias, a organização científica da sua fundamentação, não podiam esperar outra coisa senão uma reacção visceral de todos aqueles que viam agora no campo das letras e da cultura científica uma ruptura, digamos, epistemológica, com aquilo que lhes era mais caro: as prerrogativas intelectuais, os privilégios de influência, os ídolos do saber.

Era uma controvérsia de facto bizantina e Herculano soubera vê-la no contexto como um nada científico: “parece, na verdade, impossível que tão grosseira falsidade servisse de assunto a discussões graves” [...]

A Solemnia Verba constitui o mais importante documento da polémica de Ourique quer pela sua argumentação sólida, quer, sobretudo, pelo seu carácter teórico-metodológico. Herculano explica a situação actual da crítica histórica e analisa a sua evolução desde que ela fora fundada pela Congregação de Saint-Maur, no séc. XVII, avançando na determinação das principais regras da crítica em relação às fontes históricas. [...]»



Fora da referida polémica encontra-se a notável brochura Da Propriedade Literária, que nos mostra um intelectual contra a «literatura-mercadoria» ou «literatura-agiotagem». Ainda José Custódio e José Manuel Garcia (Opúsculos I, Editorial Presença, Lisboa, 1982):

«[...] Herculano era um escritor romântico e, ao contrário do que se pensa amiudadas vezes, o romantismo não era apenas um estilo literário. Era acima de tudo um comportamento social profundamente enraizado na função cultural do homem liberal. A literatura tem pois um lugar próprio no comportamento do intelectual como na condução formativa das novas gerações em termos de língua, de história e de valores nacionais, sociais e morais. [...]»

Termino com esta curiosidade editorial (a fazer lembrar o ecletismo da Livraria José Olympio no Brasil):



GABRIELE D’ANNUNZIO – O Triunfo da Morte. Trad. Celestino Gomes. [Capa de João Carlos (Celestino Gomes)]. Lisboa, Editorial «Gleba», L.da | Centro Tip. Colonial, 14 de Agosto de 1945. 2.ª edição.* 18,8 cm x 13 cm. 408 págs.

Encadernação de amador muito modesta inteira em tela encerada, gravação a ouro na lombada. Aparado. Conserva as capas de brochura.

Exemplar muito estimado; miolo limpo.
17,00€ (IVA e portes incluídos)

Trata-se do romance inspirador do nazi-fascismo, da autoria do homem – Gabriele d’Annunzio (1863-1938) – que lhe criou as bases filosóficas, introduzindo na Itália a legitimação de um “super-homem” nietzscheano, mas radical, amoral e violento.

* Embora o vertente editor não registe a informação, já existia este livro em português, traduzido por Amadeu Silva d’Albuquerque em 1903. Mas o mais estranho é o eclectismo ideológico da Gleba, ao ser a mesma editora do comunista ortodoxo Soeiro Pereira Gomes (?!), e de Manuel da Fonseca, e de José Cardoso Pires...


The workshop of bookbinder T. J. Cobden-Sanderson. circa 1890,
In  Illustrated London News

Boas leituras, na esperança que as escolhas sejam do vosso interesse, com votos de bom fim-de-semana.

Saudações bibliófilas

(Como sempre os descritivos e as fotografias ilustrativas são da responsabilidade e copyright do livreiro, tendo procedido apenas à sua adaptação para as normas seguidas no blogue)


sábado, 20 de maio de 2017

Um leilão em França – algumas encadernações “mosaïqués”


Um bibliófilo na sua biblioteca

FERRI & Associés vai organizar um leilão de livros em Paris no dia 30 de Maio de 2017 às 14h no Drouot-Richelieu (sala 15) 

Trata-se de um leilão de livros e modernos compreendendo as temáticas de Literatura, História, Botânica e Iconografia das orquídeas, frutos, etc.



9. BALZAC (H. de). L’École des ménages. Tragédie bourgeoise en cinq actes et en prose précédée d’une lettre par le Vte de Spoelberch de Lovenjoul. Paris, Carteret, 1907; in-8 maroquin havane, auteur, titre et date dor. sur le dos à nerfs orné et dor., cadre de listel et fi l. dor avec motif losangé fl oral dor. au centre des plats et répété aux angles, fi l. dor int. avec motif d’angle dor. doublé et gardes de tissu fantaisie, tr. dor. sur témoins, étui (Visinand).
300 / 400€


ÉDITION ORIGINALE illustrée d’un portrait d’après Bertall, décoration de A. Robaudi gravée par Manesse. Un des 75 exemplaires de grand luxe sur Japon ; celui-ci avec un double état du frontispice, des en-têtes et lettrines sur Japon.

Local do Leilão: Paris | Drouot - Richelieu, sala 15. Terça-feira 30 de Maio de 2017 às 14h00 – Telefone durante a Exposição e o Leilão: 33 (0) 1 48 00 20 15.

Exposições privadas na expert Madame Dominique Gomez. 24, rue de Vintimille - 75009 Paris - Tél. 33 (0) 1 40 16 16 69 : Desde a segunda-feira 15 e Maio até à segunda-feira  22 de Maio de 2017 por marcação.

Exposições públicas: Drouot - Richelieu, sala 15: Segunda-feira 29 de Maio, das 11h00 às 18h00 e na manhã do leilão das 11h00 às 12h00. Telefone durante a Exposição e o Leilão: 33 (0) 1 48 00 20 15.



Como se pode ler na página de divulgação do Leilão de Bibliorare:

“Livres anciens et modernes. Littérature, Histoire, Botanique, Iconographie des Orchidées, Pomologie. BALZAC (H. de). L’École des ménages. ... Paris, Carteret, 1907. CÉLINE (L.-F. ). A l’Agité du bocal. Paris, De Tartas, s.d. (1948). COLONNA (Francesco). Hypnerotomachie, ou Discours du songe de Poliphile... Paris 1561. DALÍ (S). Les Douze tribus d’Israël. Hommage à Israël pour son 25e anniversaire.Préface par Abba Eban. Fribourg, Transworld Art, 1973. HUYSMANS (J.K.) – JOUAS (Charles). La Cathédrale. Paris, A. Blaizot et P. Kieffer, 1909. LA FONTAINE (Jean de). Fables choisies, mises en vers par J. de La Fontaine. Paris, Desaint et Saillant ; Durand, 1755-1759. LINDEN (Julien.). Lindenia. Iconographie des Orchidées.... 1885-1886 ; 2 vol. POITEAU (Pierre-Antoine). Pomologie française. Recueil des plus beaux fruits cultivés en France.... Paris 1846; 4 vol. in-folio. etc... “

Mas vejamos aquilo que me proponho mostrar-vos – os lotes com encadernações mosaïqués.



102. MAUPASSANT (G. de). Cinq contes parisiens. Paris, Les Cent Bibliophiles, 1905 ; in-8 maroquin vert bronze, auteur et titre dor. sur le dos à nerfs orné et dor., plats décorés d’un important décor fl oral mosaïqué compartimenté avec des fi l. dor. Au pointillé, bord de mar avec fi l. int. dor., doublé et gardes de soie brochée rose, tête dor. non rogné, couv. et dos, étui (René Kieffer).
1 000 / 1 200€

83 eaux-fortes originales de Louis Legrand, dont le frontispice, 5 hors texte en couleurs, et 77 en bistre dans le texte.
Tirage à 130 exemplaires sur Japon ; celui-ci nominatif porte le nom de Gustave de Ridder (n° 85).




128. PISSARRO (L.). – NERVAL (G. de). Histoire de la reine du matin et de Soliman prince des génies. Londres, Hammersmith, The Eragny Press pour Les Cent Bibliophiles, 1909; in-8 maroquin bleu-nuit, auteur, titre et date dor. sur le dos à nerfs mosaïqué et dor., important décor mosaïqué encadrant les plats, doublé de maroquin bleu avec fi l. d’encadrement et fl eur mosaïquée d’angle, gardes de soie brochée fantaisie, tr. dor. Sur témoins, couv. basane souple vert bronze, plats ornés d’un décor fl oral doré à répétition et dos cons., étui (Visinand).
3 000 / 4 000€.



Illustrations dessinées par Lucien Pissarro, gravées sur bois par Esther et Lucien Pissarro et tirées par eux sur leur presse. La première page est ornée d’un encadrement, d’une composition tirée sur bois en plusieurs couleurs et d’une initiale rehaussée d’or, le texte de 11 grandes initiales en couleurs et or, 20 vignettes imprimées en gris bleu. Le papier d’Arches a été fabriqué spécialement.
Tirage à 130 exemplaires sur vélin d’Arches ; celui-ci imprimé pour Gustave de Ridder.




133. RASSENFOSSE (A.). – BAUDELAIRE (Ch.). Les Fleurs du mal. Paris, Pour les Cent Bibliophiles, 1899 ; in-4 maroquin vert bronze, auteur, titre et date dor. sur le dos à nerfs mosaïqué et dor., important décor fl oral mosaïqué sur les plats, doublé de mar. vert avec cadre de fi l. dor. et ornement fl oral mos. aux angles, gardes de soie brochée fantaisie, tête dor. non rogné, couv. et dos cons., étui (René Kieffer).
3 000 / 4 000€


Première édition, non mise dans le commerce, illustrée de 170 eaux-fortes en noir et en couleurs de Rassenfosse, dont un portrait de l’auteur, un frontispice, 6 hors-texte, 162 en-têtes et culsde- lampe. Les Fleurs du Mal sont suivies des Pièces condamnées.
Tirage à 115 exemplaires numérotés sur papier vélin ; celui-ci, nominatif, comporte les 23 fi gures à l’eau-forte ou lithographies, par Charles Jouas, Van Muyden, Jean Veber, T.-P. Wagner, Lemaistre et Lacaut. Essais d’illustration rejetés par le Comité.
L’exemplaire est enrichi en outre de 4 lettres autographes à en-tête datées de 1896 à 1900, signées de Rassenfosse ; l’artiste évoque dans l’une d’entre elles le gros effort qu’il a fourni pour l’illustration de cet ouvrage: «19 septembre 1898 …Je ne sais encore quand j’irai à Paris. Je suis accablé sous le poids toujours plus lourd des Fleurs du Mal et je ne sais vraiment comment j’arriverai, Pour soulever un poids si lourd, Sisyphe, il faudrait ton courage ! »
Premier grand livre illustré de Rassenfosse qui fut l’élève de Félicien Rops.


Apesar de não ter uma encadernação mosaïqué apresento esta outra obra pela beleza das suas ilustrações.







93. LINDEN (Julien.). Lindenia. Iconographie des Orchidées. Rédacteurs en chef Lucien Linden et Emile Rodigas avec la collaboration de spécialistes éminents. Gand, Meyer-Van Loo, Vanderhaegen, 1885-1886; 2 vol. (sur 17) in-folio demi-chag. prune, titre, tomaison et date dor. sur les dos à nerfs, têtes dor., non rognés (Reliure de l’époque).
2 000 / 2 500€









ÉDITION ORIGINALE de cet ouvrage rassemblant une large sélection des plus belles orchidées du monde entier dont le premier volume fut édité en 1860.
Notre exemplaire comporte les tomes I et II et est illustré de 96 planches lithographiées en couleurs (sur 672).

Mas este precioso catálogo, como é habitual nos leilões franceses, apresenta obras de elevada qualidade e com descritivos bastante elucidativos, pelo que vos convido a uma leitura atenta do mesmo.


Saudações bibliófilas.

(Os descritivos e as fotografias são copyright e da responsabilidade de FERRI & Associés)

sábado, 6 de maio de 2017

Camilo Castelo Branco – Agulha em Palheiro



Retrato de Camilo Castelo-Branco.
CDV, albumina, fotógrafo Horácio Aranha.
Colecção Ângela Camila Castelo-Branco e António Faria

Camilo Castelo Branco é um escritor que está actualmente um pouco arredado dos círculos “intelectuais” do país, mas que tem grande procura entre os bibliófilos tanto pela sua bibliografia activa como pela passiva.


Jaime Nogueira Pinto – A forma das coisas: O saneamento de Camilo
In Sol – edição de 24/06/2011

De facto Camilo Castelo Branco é uma fonte inesgotável de pesquisa e as suas obras espelham bem o séc. XIX no nosso país – onde as cidades do Porto e de Lisboa assim como o Minho e Trás-os-Montes estão muito bem retratados.

Se o podemos considerar pobre em personagens e na descrição das paisagens, no que toca ao estilo esse é inconfundível.


Alberto Pimentel

Senão vejamos o que Alberto Pimentel, grande amigo de Camilo e, como tal, com vasta bibliografia passiva sobre ele, nos diz no PIMENTEL, Alberto ― O Torturado de Seide (Camilo Castelo Branco). Lisboa, Livraria de Manoel dos Santos, 1922.


PIMENTEL, Alberto ― O Torturado de Seide (Camilo Castelo Branco).
Lisboa, Livraria de Manoel dos Santos, 1922.

“Este ilustre seiscentista [Agostinho Fortes] preconizou a obra genuinamente portuguesa de Camilo na conversação que tivemos, não só como iniciador do romance de costumes nacionais, mas também como o mais terso remodelador da língua pátria em obras que foram muitas e muito lidas. […]
Oiço às vezes censurar Camilo, porque as suas personagens são sempre as mesmas.
Mas na sociedade portuguesa de há meio seculo não havia outras, não havia mais nem melhores. Eram o «brasileiro», o morgado, o barão, o negociante e o padre. Do «brasileiro» fez dezenas de caricaturas, todas elas felizes. E havia razões poderosas para lhe dar a preferência, porque o brasileiro era o detentor do ouro que produz escândalos e tragédias, do ouro que compra as consciências e as mulheres.
O que admira é que Camilo pudesse accionar tantos romances com tão poucas personagens.” (1)

“Acusam Camilo de não ter pintado a paisagem. Pois. Algumas vezes a descreveu em poucas palavras, o que representa uma alta qualidade de condensação. […]
A alma de uma nação, seja a nação grane ou pequena, é sempre uma paisagem difícil de reproduzir.
E Camilo soube reproduzir a alma portuguesa em quase duzentos livros, melhor que todos os outros nossos romancistas, melhor que os melhores, acima de todos, sem excepção absolutamente nenhuma.” (2)

Ainda que não seja uma das obras maiores do escritor, apresenta-nos uma das suas características fundamentais: a caricatura e crítica dos preconceitos da sociedade de então.

Agulha em Palheiro é um dos bem tecidos romances de Camilo Castelo Branco, em que estão narradas, à maneira de libelo contra os preconceitos sociais, as peripécias de um jovem que, por ser filho de um sapateiro, tudo faz para dobrar o orgulho de rico fidalgo que não deseja vê-lo unido à sua filha.


CONSIDERAÇÕES ACERCA DA MORAL NA FICÇÃO CAMILIANA
Tatiana de Fátima Alves Moysés.

“O gosto dominante também é questionado em Agulha em palheiros, na medida em que nele o autor tece comentários sobre o vínculo entre moral e publicidade. No episódio em que a protagonista decide escrever para seu namorado, o narrador encontra a oportunidade de expor o que, de fato, entende por desmoralização:

Ao afirmar que a desmoralização é o escândalo, o narrador corrobora a hipótese de que, nos enredos camilianos, em geral, a aparência e a essência são faces opostas de um mesmo personagem. Pouco importa que Paulina, quando opta por comunicar-se com o namorado, a fim de determinar os próximos passos de sua relação, tenha prescindido do recato e passividade exigidos às mulheres no século XIX. Nesse contexto, basta somente que ela esconda sua essência determinada e aparente uma postura submissa; assim, não exporá a si nem sua família à opinião pública, ávida por recriminar e punir aqueles que rompem as regras estabelecidas. Tal dicotomia culmina em uma dissonância entre os discursos proferidos pelos personagens e seus actos.” (3)


Bibliographias

Serve também para esclarecer um ponto, de que ainda hoje troquei impressões com um bom amigo – o Gonçalo Rodrigues de Bibliographias –  também ele um grande camilianista e com um bom acervo de bibliografia activa e passiva camiliana,  de que os livros de Camilo Castelo Branco, quando em encadernação de época, só excepcionalmente têm capas de brochura e estão sempre mais ou menos aparados.

Claro que em encadernações recentes podemos e devemos ter uma maior exigência…



BRANCO, Camilo Castelo – AGULHA EM PALHEIRO // POR // CAMILLO CASTELLO BRANCO // - // SEGUNDA EDIÇÃO, REVISTA PELO AUTHOR // (Vinheta editorial) // PORTO // EM CASA DA VIUVA MORÉ – EDITORA // 1865 In-8° de 262 págs. Encadernado.



Compreende ante-rosto com os dizeres AGULHA EM PALHEIRO e verso com lista bibliográfica da livraria; frontispício textualmente descrito supra e verso com subscrição tipográfica Typographia de Sebastito José Pereira, // Rua do Almada, 641; página 5ª com dedicatória a António Feliciano de Castilho e verso em branco; página 7 com DUAS PALAVRAS datadas no final da mesma Porto, Janeiro de 1865. O romance propriamente dito decorre da página 9 à página 262 ao longo de XXI capítulos, e uma CONCLUSÃO.



Primeira edição publicada em Portugal, preferível à primeira (Brasileira), que saiu muito incorrecta, por não ter sido revista pelo autor. MUITO RARA. SEM CAPA DE BROCHURA.



Encadernação meia inglesa em pele vermelha, com cantos, e com dizeres dourados na lombada. Miolo muito bem conservado e fresco. Boa e sólida encadernação. Ocasionais picos de acidez.



HENRIQUE MARQUES, 94; MANUEL DOS SANTOS, 59; JOSÉ DOS SANTOS (1939), 8; CONDE DA FOLGOSA, 1109; CAMILIANA (SOARES & MENDONÇA, 1968), 746; ALMEIDA MARQUES, 319.

E com este escrito camilianista me despeço com votos de um bom fim-de-semana.

Saudações bibliófilas.

Notas:

(1) Camilo janota. págs. 62-63.
(2) Uma Carta de Camilo. págs. 102-103.

in:



PIMENTEL, Alberto ― O Torturado de Seide (Camilo Castelo Branco). Lisboa, Livraria de Manoel dos Santos, 1922. In-8º de 221, [3] págs. 

Primeira edição de um dos livros principais da bibliografia passiva camiliana, reunindo em volume uma série de artigos escritos por Alberto Pimentel – uns inéditos, outros antes publicados (e, nalguns casos, revistos para este propósito). Além das histórias e das curiosidades sobre a vida de Camilo aqui reproduzidas pelo amigo, o livro interessa também, acessoriamente, ao estudo do Porto do séc. XIX, descrevendo, em vários passos, aspectos da cidade e da sociedade da época e contando alguns episódios mais castiços; - A Freira de S. Bento…e de Camilo; - O filho mais velho de Camilo; - Camilo janota; - Ainda as «Cem cartas»; - Camilo morto-vivo; - Uma Carta de Camilo; - O incendiário; - Serão Camiliano; - Voltando ao «Amor de Perdição»; - Horas alegres numa casa triste; - Camilo tripeiro; - Camilo minhoto; - Camilo incoercível; - O seu centenário.

Exemplar bem encadernado com lombada em pele gravada a ouro, conservando a capa original.

Este livro pode ser lido (ou consultado) em:


(3) RECORTE – revista eletrônica ISSN 1807-8591 – Mestrado em Letras: Linguagem, Cultura e Discurso / UNINCOR | V. 11 - N.º 1 (janeiro-junho - 2014) – CONSIDERAÇÕES ACERCA DA MORAL NA FICÇÃO CAMILIANA – Tatiana de Fátima Alves Moysés.