"Se não te agradar o estylo,e o methodo, que sigo, terás paciência, porque não posso saber o teu génio, mas se lendo encontrares alguns erros, (como pode suceder, que encontres) ficar-tehey em grande obrigação se delles me advertires, para que emendando-os fique o teu gosto mais satisfeito"
Bento Morganti - Nummismologia. Lisboa, 1737. no Prólogo «A Quem Ler»

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sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Frenesi Loja – alguns livros com história



Um coleccionador de livros

Paulo Costa Domingos da Frenesi Loja (http://frenesilivros.blogspot.pt/) fez uma montra que divulgou junto dos seus clientes e amigos, onde se podem encontrar alguns livros de inquestionável interesse.

Claro que se trata de uma amostra muito pequena do vasto acervo que espera pela nossa pesquisa e consulta.

Mas vou então aquilo que nos interessa.

Embora não seja muito frequente, desta vez vamos encontrar uma boa proposta na temática do livro antigo, pelo que é exactamente nessa área que me vou debruçar na minha apresentação.



ERASME [DESIDERIUS ERASMUS] – L’Éloge de la Folie. Trad. do latim por M. [monsieur Nicolas] Gueudeville. Gravuras de C. Eisen. s.l. [Paris], s.i., 1771. «Nouvelle Édition, revue & corrigée fur le Texte de l’Édition de Bâle. Et ornée de nouvelles figures. Avec des notes.» (2.ª edição). 16,1 cm x 10,5 cm. 8 págs. (não numeradas) + XXIV págs. (prefácios) + 13 folhas em extra-texto (gravuras).

Profusamente ilustrado.



Encadernação antiga com lombada em pele gravada a ouro, pastas forradas a tela, bonitas vinhetas gravadas a ouro nos remates da pele. Pouco aparado. Sigla de posse (ou marca de encadernador?) ao rés da lombada: J. M. S. V.



Exemplar muito estimado; miolo limpo, papel sonante. Carimbo do livreiro-antiquário Gris y Zavala (Lima) no rodapé do frontispício. Ostenta colado no verso da pasta anterior o ex-libris de Manuel R. Pereira da Silva.

PEÇA DE COLECÇÃO
185,00€ (IVA e portes incluídos)

Tradução de referência do texto quinhentista, seguindo a edição de Basileia, escrupulosamente levada a cabo pelo antiquário Charles Patin em 1676.



CONSELHEIRO [M. M.] LISBÔA – Relação de uma Viagem a Venezuela, Nova Granada e Equador. Bruxelas, A. Lacroix, Verboeckhoven e C.ª, Editores, 1866. 1.ª edição. 23,8 cm x 15,9 cm. 394 págs. + 1 folha dupla (mapa) + 29 folhas em extra-texto (sendo seis delas desdobráveis) + 8 págs. (pauta musical).

Profusamente ilustrado.



Encadernação recente meia-francesa em pele e papel de fantasia com gravação a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.

Exemplar muito estimado; miolo limpo e parcialmente por abrir. Discreta rubrica de posse no canto superior direito do frontispício, pequena etiqueta de biblioteca no canto superior esquerdo da capa de brochura.

Peça de colecção com grande interesse científico.
180,00€ (IVA e portes incluídos)



Não é um livro de viagem turística. É o testemunho expedicionário de um observador que soube, por comparação, detectar a novidade nos usos e costumes, na religião, na geografia, na gastronomia, e até colher apontamento das culturas locais e das tecnologias práticas. Porque o Autor tinha em mente dar a conhecer – prioritariamente aos brasileiros – o «estado social e material dos paizes limitrophes», que, apesar de o serem, «são no Brasil inteiramente desconhecidos».



MANOEL BERNARDES, padre – Pam Partido | em pequeninos | para os pequeninos da casa | de Deos, | Breve tratado Efpiritual, em que fe inf- | true hum Fiel nos pontos principaes | da Fè, e bons coftumes | Ajuntaõ-fe hũa vifaõ notavel, que huma ferva | de Deos teve dos tormentos do Inferno, e hu- | mas Meditações fobre os Noviffimos | Compofto pelo Padre |  … | da Congregaçaõ do Oratorio de Lisboa. Lisboa Occidental, Na Officina de Miguel Rodrigues, 1726. [4.ª edição (segundo Inocêncio)]. 2 tomos (encadernados em 1 volume) (completo). 15,3 cm x 10,3 cm. 220 págs. + 2 págs. + 198 págs.

Encadernação da época inteira em pele, com nervuras e gravação a ouro na lombada. Corte marmoreado.

Exemplar em bom estado de conservação, discretos restauros à cabeça das págs. 159 a 176 sem afectar a mancha de texto; miolo limpo, papel sonante.

Dedicatória de Ayres de Carvalho na folha de resguardo do verso da capa anterior.
250,00€ (IVA e portes incluídos)



Dizem-nos António José Saraiva / Óscar Lopes (ver História da Literatura Portuguesa, 15.ª ed., Porto Editora, 1989):

«[...] Nascido de uma ligação irregular, talvez de pai judeu, recebeu ordens sacras e professou em 1674 na Congregação do Oratório de S. Filipe Néri, que o padre Bartolomeu do Quental trouxera para Portugal seis anos antes e que tão grande papel desempenhará nas reformas pedagógicas do séc. XVIII entre nós. [...]

Ideologicamente, e apesar da sua vasta informação literária e teológica, a obra de Bernardes é a de um cristão simples, sem problemas filosóficos, a quem a vergonha materna, as leituras ascéticas e o confessionário inculcaram a ideia de que o mundo secular está profundamente corrompido. Na sua prosa macia, com uma delicadeza eufemística e dir-se-ia que voluptuosa, perpassam abundantes casos que dão da mulher, mesmo da mãe, irmã ou freira, o juízo mais pessimista. Mas ao lado dessa podridão, de cujo contacto Bernardes afasta habilmente a fímbria da sua prosa imaculada, o mundo foi e é sempre, para ele, um teatro de constantes e ininterruptos prodígios miraculosos. [...]

Não se lhe pode, no entanto, contestar certa perspicácia psicológica em todas as fases dos exercícios de ascese ou de expansão mística. São sensíveis as suas afinidades com a mística quietista, pela importância que atribui à contemplação extática, embora evite as teses, entretanto condenadas, de Molinos, assim como as dos Alumbrados.

Contudo o grande mérito de Bernardes é o de artista da prosa narrativa. As explicações didácticas, as análises doutrinais que, sobretudo nos tratados ascéticos, se carregam do lastro, para nós incómodo, das citações escriturárias, patrísticas, escolásticas ou literárias, revelam já o estilista; mas é quando procura atingir o grande público através de narrativas muito chãs e impressivas, seguidas de comentários moralistas, que Bernardes revela os seus melhores dons artísticos. [...]»



MANOEL BERNARDES, padre – Luz, e Calor | Obra espiritual para os que tratam | do exercicio de virtudes, e caminho de perfeiçaõ, | dividida em duas partes. | Na primeira fe procura communicar ao entendimento Luz de muitas verdades im- | portantes, por meyo de Doutrinas, Sentenças, Induftrias, e Dictames ef- | pirituaes. Na fegunda fe procura communicar à vontade Calor do Amor | de Deos, por meyo de Exhortações, Exemplos, Meditações, Col- | loquios, e Jaculatorias. Lisboa, Na Officina Patriarcal de Francifco Luiz Ameno, 1758. 4.ª edição («Quarta impreffaõ»). 20,6 cm x 15,7 cm. 16 págs. (frontispício, dedicatórias, licenças de impressão e sumário) + 660 págs. (38 das quais com o índice remissivo).

Encadernação antiga inteira em pele, com nervuras na lombada, rótulo e gravação a ouro. Aparado, corte carminado.

Exemplar em bom estado de conservação; miolo muito fresco e, no geral, limpo. Sem sinal de traça.
A folha-de-rosto ostenta no canto inferior esquerdo pequeno desenho infantil; ao longo das margens de algumas páginas da obra, apesar de já desvanecidas, surgem ocasionais linhas de apontamento sem afectar o corpo do texto.

Dedicatória de Ayres de Carvalho na primeira folha-de-guarda.
95,00€ (IVA e portes incluídos)

Inocêncio Francisco da Silva, no seu Diccionario Bibliographico Portuguez (tomo V, Imprensa Nacional, 1860), dá fé da existência de Bernardes assim:

«Presbytero da Congregação do Oratorio de Lisboa, cuja roupeta vestiu aos trinta annos de edade, sendo já graduado pela Universidade de Coimbra nas Faculdades de Canones e Philosopbia. – N. em Lisboa a 20 de Agosto de 1644, e m. na casa do Espiritosancto, a 17 de egual mez de 1710, havendo perdido inteiramente o siso dous annos antes. [...]»



ARNOLDI VINNII – Institutionum Imperialium Commentarius Academicus, et Forensis... Gottl. Heineccius recensuit, & præfationem notulasque adjecit [junto com] Selectarum Juris Quæstionum... Veneza, Typis Antonii Graziosi, 1768. [a 1.ª edição é do século XVII)]. 4 livros em 2 tomos + 2 livros (tomo III) encadernados em 2 volumes. 23,8 cm x 19,5 cm. [XXXII págs. + 536 págs.] + [IV págs. + 452 págs. + VIII págs. + 172 págs.]

Encadernações homogéneas de época inteiras em pele mosqueada com nervuras e vinhetas gravadas a ouro nas lombadas; perderam ambos os rótulos.

Exemplares em estado muito razoável de conservação, miolo limpo.

Assinatura de posse rasurada no frontispício do tomo I
180,00€ (IVA e portes incluídos)



Obra redigida em latim, de vasto interesse jurídico. Do autor diz-nos o Diccionario Popular, historico, geographico, mythologico, biographico, artistico, bibliographico e litterario (dir. Manoel Pinheiro Chagas), 13.º vol., Typographia da Viuva Sousa Neves, Lisboa, 1884:

«[...] Jurisconsulto e professor hollandez, n. em 1588 e m. em 1657. Tendo estudado durante alguns annos a legislação romana e as leis do seu paiz, começou em 1615 a publicar alguns trabalhos sobre o direito romano, nos quaes se affastou da rotina, e em que apesar de não descobrir o systema que 150 annos depois tornou conhecidos os nomes de Hugo, Hubold e Savigny seguiu chronologicamente as mudanças da lei romana, e os seus progressos e tendencias sempre elevadas, especialmente sob o influxo do christianismo, regeitando o estudo litteral dos textos.

[...] pela sua erudição profunda e variada, pela sua eloquencia e pela sua logica severa era considerado um dos mais distinctos professores e pelo seu methodo racional, e pelas suas descobertas pessoaes era considerado superior a todos.

Vinnius que [...] os seus compatriotas tinham na conta de primeiro entre todos os jurisconsultos d’essa epoca recusou todas as honras, e não querendo nunca deixar o magisterio quando já muito cansado não podia fazer cursos regulares, presidia a conferencias em que os discipulos discutiam sob a sua presidencia, pontos difficeis de direito. [...]»



MIGUEL CARDOSO – Os Elementos da Ethica de João Gottlieb Heineccio [...]Com as suas notas, Interpretados e traduzidos, que Ao Illuftriffimo, e Excellentiffimo Senhor Fernando da Costa de Ataide e Teive de Souza Coutinho, do Confelho de Sua Mageftade, Tenente General dos feus Exercitos com o Governo das Armas da Provincia da Beira, Commendador de Rebaldeira na Ordem de S. Thiago, Senhor Donatario dos Confelhos de Baiaõ, e S. Chriftovaõ de Nogueira, e dos Foros do Lamegal, &c. &c. &c. Coimbra, Na Real Imprensa da Universidade, 1792. [1.ª edição]. 14,9 cm x 10,2 cm. 6 págs. + 232 págs.

Encadernação da época inteira em pele, sem nervuras, com discretos ferros a ouro na lombada.



Miolo em muito bom estado de conservação; extensos sinais de traça na pele tal como mostra a imagem junto.
45,00€ (IVA e portes incluídos)

Trata-se de um estudo acerca daquele que foi, na primeira metade do século XVIII, um mestre fundador da filosofia jurídica, entendida esta enquanto conjunto de princípios objectivos do Direito. Johann Gottlieb Heineccius viveu entre 1681 e 1741, e pode ser considerado o jurista de referência para a Europa.



LUIZ DE SOUZA, frei – Vida | do Veneravel | D. Fr. Bartolomeu | dos Martyres | da Ordem dos Pregadores, | Arcebifpo de Braga, Primaz das Hefpanhas. Paris, Na Officina de Antonio Boudet, Impreffor de S. M. Chriftianiffima, 1760. 2.ª edição («nova ediçaõ»). 2 tomos (completo). 20,2 cm x 13,5 cm. [XX págs. + 388 págs.] + [2 págs. + 320 págs.]

Encadernações dissemelhantes inteiras em pele, da época, com nervuras pontuadas pela gravação a ouro e rótulos também gravados a ouro.



Exemplares muito estimados; miolo limpo, papel sonante. Carimbo de posse no frontispício do tomo segundo.
320,00€ (IVA e portes incluídos)

Professo no convento dominicano de São Domingos de Benfica, frei Luís de Sousa (1555-1632) dá à estampa esta obra, de um português de alta correcção, partindo de umas notas coligidas por um outro religioso da Ordem, frei Luís Cacegas (1540 ?-1610), cronista este, vigário e superior do convento. A primeira edição da vertente obra fôra impressa em Viana por Nicolau Carvalho em 1619.

Ainda que fora desta temática, não quero deixar de referir mais estas quatro obras.

Pela qualidade das suas ilustrações temos:



aa.vv. – Album do Zé Povinho do Porto. Porto, Clube Fenianos Portuenses / Papelaria e Typographia Academica, 1908. 1.ª edição [única]. 22,2 cm x 16,8 cm. 152 págs. (quase exclusivamente impressas retro).

Profusamente ilustrado a preto e a cor.

Encadernação editorial «na casa de Alexandre Duarte Corrêa».

Exemplar muito estimado; miolo limpo e fresco.

Peça de colecção.
115,00€ (IVA e portes incluídos) [RESERVADO]



Celebra este álbum Alexandre Correia Júnior, pitoresca figura portuense que, para quase todos, aí encarnava o Carnaval e, portanto, uma espécie de Zé Povinho nortenho... Isto segundo os próprios promotores da edição. Claro que o original lisboeta foi sempre um pouco de tudo... menos carnavalesco! Terá sido, este último, um tolo, mas um tolo virado à política e à intervenção cívica.

Inclui a vertente obra colaborações plásticas, musicais e literárias, entre muitíssimas outras, de António Teixeira Lopes, Manuel Monterroso, Sebastião Magalhães Lima, Francisco Valença, João Chagas, Alonso, Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro, Sampaio (Bruno), Jaime Cortesão, etc.

Pela excelente encadernação veja-se esta:



MANUEL DA SILVA GAYO – Torturados. Porto, Livraria Chardron – De Lello & Irmão, editores, 1911. 1.ª edição. 18,6 cm x 12,6 cm. 8 págs. + 416 págs.

Encadernação de artista (não identificada, imitando o estilo de Victor Santos), inteira em pele com gravação a ouro em ambas as pastas e na lombada, tendo sido esta última acentuada por alto-relevo decorativo entre as nervuras; seixas gravadas a relevo-seco. Pouco aparado, sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação; miolo limpo.

Ostenta colado no interior das guardas da encadernação o ex-libris de Rogélio Barros Durão.

Peça de colecção.
95,00€ (IVA e portes incluídos)

Filho do escritor liberal António da Silva Gaio, cujo romance histórico Mário bastou para que a posteridade o não pudesse esquecer, este Manuel notabilizou-se mais pelas ideias de um parnasianismo nacionalista, de um decadentismo simbolista, que partilhava com, por exemplo, António Feijó, ou Eugénio de Castro, ou Gonçalves Crespo.

E de uma das mais famosas polémicas do nosso séc. XIX refira-se esta miscelânea:



A.[LEXANDRE] HERCULANO – Eu e o Clero [miscelânea]. Lisboa, Imprensa Nacional, 1850-1851. 1.ª edição [excepto a primeira brochura (2.ª edição)]. 5 brochuras em 1 volume. 20 cm x 13,5 cm 20 págs. + 18 págs. + 68 págs. + 32 págs. + 36 págs.

Títulos individuais:

[1] Eu e o Clero – Carta ao Em.º Cardeal-Patriarca
[2] Considerações Pacificas sobre o opúsculo Eu e o Clero – Carta ao redactor do periodico A Nação
[3] Solemnia Verba – Cartas ao Senhor A. L. Magessi Tavares sobre a questão actual entre a verdade e uma parte do clero
[4] A Batalha d’Ourique e a Sciencia Arabico-Academica – Carta ao redactor da Semana
[5] Da Propriedade Litteraria e da recente convenção com França – Carta ao Senhor Visconde d’Almeida-Garrett

Encadernação da época, meia-inglesa em pele e papel de fantasia com gravação a ouro na lombada. Pouco aparado, sem as capas de brochura.

Exemplar bem conservado; miolo limpo.

Peça de colecção.
125,00€ (IVA e portes incluídos)



Estão aqui reunidas num único volume as peças essenciais de uma vastíssima polémica em torno da rejeição, por parte de Herculano, dos fundamentos milagreiros da batalha que, em 1139, travou D. Afonso Henriques nos campos de Ourique contra os sarracenos. Evento este tão estrondosamente vitorioso, de um grupo minúsculo de tropas contra um imenso exército inimigo, que levou o nosso monarca a autoproclamar-se, logo ali, rei de Portugal. José Custódio e José Manuel Garcia (Opúsculos IV, Editorial Presença, Lisboa, 1985) contextualizam o sucedido após a publicação, em 1846, do primeiro volume da História de Portugal de Herculano:

«[...] Quanto ao milagre, cavalo de batalha da questão de Ourique, Herculano afirma friamente que não há qualquer referência em que o historiador se possa estribar. O espírito positivo era adverso ao maravilhoso e ao metafísico e via nos “contadores de histórias” falsários e embusteiros que forjavam inclusive documentos para aduzir provas. Por isso “discutir todas as fábulas que se prendem à jornada de Ourique fora processo infinito”. A da aparição de Cristo ao príncipe Ibn Erick antes da batalha fundamentava-se num documento tão mal forjado “que o aluno instruído de diplomática – a ciência por excelência da crítica histórica – o rejeitaria como falso”.

Ora todos estes argumentos foram lenha para a fogueira. Podia um homem, mesmo que fosse um historiador, rejeitar assim, de um momento para o outro, todas as motivações pátrias, toda a origem sacra da realeza (e da nação), toda a fundamentação clara e inequívoca do 5.º Império? Seria possível permitir que um “ateu” mascarado viesse abalar os alicerces da afectividade pública e as esperanças mais recônditas da protecção divina?

O país em 1846 já havia mudado. A mentalidade, no entanto, ainda estava presa às forças anímicas do inconsciente colectivo. A segurança, a razão cartesiana, a clareza das ideias, a organização científica da sua fundamentação, não podiam esperar outra coisa senão uma reacção visceral de todos aqueles que viam agora no campo das letras e da cultura científica uma ruptura, digamos, epistemológica, com aquilo que lhes era mais caro: as prerrogativas intelectuais, os privilégios de influência, os ídolos do saber.

Era uma controvérsia de facto bizantina e Herculano soubera vê-la no contexto como um nada científico: “parece, na verdade, impossível que tão grosseira falsidade servisse de assunto a discussões graves” [...]

A Solemnia Verba constitui o mais importante documento da polémica de Ourique quer pela sua argumentação sólida, quer, sobretudo, pelo seu carácter teórico-metodológico. Herculano explica a situação actual da crítica histórica e analisa a sua evolução desde que ela fora fundada pela Congregação de Saint-Maur, no séc. XVII, avançando na determinação das principais regras da crítica em relação às fontes históricas. [...]»



Fora da referida polémica encontra-se a notável brochura Da Propriedade Literária, que nos mostra um intelectual contra a «literatura-mercadoria» ou «literatura-agiotagem». Ainda José Custódio e José Manuel Garcia (Opúsculos I, Editorial Presença, Lisboa, 1982):

«[...] Herculano era um escritor romântico e, ao contrário do que se pensa amiudadas vezes, o romantismo não era apenas um estilo literário. Era acima de tudo um comportamento social profundamente enraizado na função cultural do homem liberal. A literatura tem pois um lugar próprio no comportamento do intelectual como na condução formativa das novas gerações em termos de língua, de história e de valores nacionais, sociais e morais. [...]»

Termino com esta curiosidade editorial (a fazer lembrar o ecletismo da Livraria José Olympio no Brasil):



GABRIELE D’ANNUNZIO – O Triunfo da Morte. Trad. Celestino Gomes. [Capa de João Carlos (Celestino Gomes)]. Lisboa, Editorial «Gleba», L.da | Centro Tip. Colonial, 14 de Agosto de 1945. 2.ª edição.* 18,8 cm x 13 cm. 408 págs.

Encadernação de amador muito modesta inteira em tela encerada, gravação a ouro na lombada. Aparado. Conserva as capas de brochura.

Exemplar muito estimado; miolo limpo.
17,00€ (IVA e portes incluídos)

Trata-se do romance inspirador do nazi-fascismo, da autoria do homem – Gabriele d’Annunzio (1863-1938) – que lhe criou as bases filosóficas, introduzindo na Itália a legitimação de um “super-homem” nietzscheano, mas radical, amoral e violento.

* Embora o vertente editor não registe a informação, já existia este livro em português, traduzido por Amadeu Silva d’Albuquerque em 1903. Mas o mais estranho é o eclectismo ideológico da Gleba, ao ser a mesma editora do comunista ortodoxo Soeiro Pereira Gomes (?!), e de Manuel da Fonseca, e de José Cardoso Pires...


The workshop of bookbinder T. J. Cobden-Sanderson. circa 1890,
In  Illustrated London News

Boas leituras, na esperança que as escolhas sejam do vosso interesse, com votos de bom fim-de-semana.

Saudações bibliófilas

(Como sempre os descritivos e as fotografias ilustrativas são da responsabilidade e copyright do livreiro, tendo procedido apenas à sua adaptação para as normas seguidas no blogue)


domingo, 1 de novembro de 2015

Alexandre Herculano – A Voz do Propheta: o contexto político da obra.



Nas novidades de Outubro de Livraria do Adro de Miguel de Carvalho, encontrei uma obra que me despertou a curiosidade.

Trata-se de A Voz do Propheta de Alexandre Herculano, pelo que tentei averiguar mais um pouco sobre ela.


Alexandre Herculano

É do resultado deste breve estudo que aqui deixo alguns apontamentos.







12464. HERCULANO, Alexandre – A Voz do Propheta. Ferrol (no verso Imprenta de Espeleta calle de la Union, Nº 57), 1836 e Lisboa, Typ. Patriótica, 1837. Dois opúsculos  in-8º de 35 e 32 págs. Brochuras. Folhas com marens desencontradas.

Raríssimo quando acompanhado das duas partes.
PRIMEIRA EDIÇÃO com capas de brochura.
Preço: 450,00€

Obra de grande impacto na época. Obra poética em molde de manifesto, influenciada pelas Paroles d'un Croyant de Lamennaisque e foi publicada anónimamente,com propósitos panfletários contra a revolução setembrista chefiada por Passos Manuel.

Como se depreende do título, o sujeito poético assume-se como Voz da Humanidade, dirigindo-se à Pátria na qualidade de defensor da Justiça e da Moral.

O primeiro opúsculo tem indicação de ter sido impressa em Ferrol, na Galiza, o que, segundo os bibliógrafos do escritor, não é seguro que tenha acontecido.


O Páteo do Gil na Rua S. Bento (já desaparedido)
(onde viveu a família e aqui nasceu Alexandre Herculano)

Aliás, Alexandre Herculano já se interrogara sobre o rumo da literatura portuguesa quando escreveu, e psso novamente a citar:

“Alexandre Herculano não se furtou a tomar parte nessa enorme tarefa. De imediato, preocupado com os rumos da literatura portuguesa, procurou expressar a nova concepção estético-literária do Romantismo em dois importantes artigos – “Qual é o estado da nossa literatura? Qual é o trilho que ela hoje tem a seguir?” (1834) e “Poesia: Imitação – Belo – Unidade” (1835) – ambos publicados no periódico quinzenal O Repositório Literário (1834-1835), da cidade do Porto. (1)

Do ponto de vista formal, A Voz do Propheta constitui um dos raros exemplos de utilização do verso branco ou de prosa bíblica do Romantismo português.


Gravura alegórica da Carta Constitucional de 1826

“Em novembro de 1836, com apenas vinte e seis anos de idade, o escritor Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo aparece propriamente para a literatura portuguesa. Sua estreia literária, marcada por um típico succès de scandale, deu-se através da publicação da primeira série de textos de um panfleto, de nítido teor político-messiânico, que ficou conhecido com o sugestivo nome de A voz do profeta.2 Em fevereiro do ano seguinte, sairia a segunda série3 juntamente com uma nova edição da primeira série,4como prontamente se apressava em informar ao público o seguinte anúncio do Diário do Governo, de 21 de fevereiro de 1837:…” (1)

Esta obra é um ataque panfletário à Revolução de Setembro de 1836. (2)

O movimento teve origem em Lisboa, onde em Outubro de 1836 desembarcavam os deputados eleitos no Norte.

Por essa altura já tinham sido publicados vários folhetos e jornais a pregar a revolução e a atacar o governo cartista, pelo que a população lisboeta, em geral, já tinha tomado conhecimento do que estava prestes a acontecer e acolheu o movimento de braços abertos. Quando os deputados desembarcaram, uma enorme multidão foi ao seu encontro. 



Capa e primeira página do original da Constituição de 1822

Pouco depois, gritava-se pela Revolução, pela Rainha e pela Constituição de 1822 e contra o Governo. Isto ocorreu a 9 de Setembro. A Rainha e o Governo, sem meios para combater a revolução (já que a Guarda Nacional apoiava também ela própria o movimento), entregou o poder aos representantes do Setembrismo. 

Eram eles Vitório de Sousa Coutinho, conde de Linhares, Sá da Bandeira e Passos Manuel. Nenhum deles tinha participado na revolução propriamente dita, mas afiguravam-se como os mais brilhantes e populares defensores das ideias setembristas.


Passos Manuel, o principal obreiro da Revolução de Setembro.

A Revolução de 9 de Setembro foi uma das poucas revoluções na História de Portugal que começou como um movimento estritamente civil e popular, e que só depois recebeu adesão militar, por parte da Guarda Nacional.

“Por sua conta, os setembristas, como ficaram conhecidos os membros da facção revolucionária, assim que foram alçados ao poder, com Passos Manuel à frente do Ministério do Reino, aboliram a Carta Constitucional, impondo ao país a adoção imediata da Constituição democrática de 1822, o que, de fato, aconteceu ainda no dia 10. No dia seguinte, a rainha, acompanhada do marido, o Príncipe D. Fernando, dirigiu-se aos Paços do Concelho para jurar o texto constitucional que fora restabelecido. Com algumas linhas de dramaticidade literária, Oliveira Martins (1996, p. 62) observa que “a mão da rainha hesitava, tremia, ao assinar o papel”, para, em seguida, rematar: “e que não admira. Esse decreto reduzia-lhe a Coroa a coisa nenhuma; tirava-lhe o direito do veto e todos os direitos soberanos”. (1)


Rainha D.ª  Maria II

Podemos enumerar como causas para o se desencadear: a miséria de boa parte do povo operário; a dependência em relação à Inglaterra; a concentração do poder político e económico numa burguesia limitada, predominantemente rural; o cariz fortemente antidemocrático do cartismo e da Carta Constitucional; e a revolução em Espanha de 1836, embora todo o processo político seja muito mais complexo.


Alexandre Herculano

Alexandre Herculano, cartista assumido, não aceitou esta alteração e: “Será, portanto, neste conturbado contexto histórico-político da vida portuguesa que o liberal cartista Alexandre Herculano, descontente com a orientação setembrista, escreverá e publicará A voz do profeta. Inicialmente, como era funcionário público, ele se recusou veementemente a jurar a Constituição vintista, e, como forma de protesto, pediu demissão sumária do cargo, que ocupava desde 1833, de segundo bibliotecário da Biblioteca Pública do Porto. Em carta, datada de 17 de setembro de 1836, ende-reçada a Manuel Pereira Guimarães, então presidente da Câmara Municipal do Porto, Herculano (s.d, p. 178-179) justifica sua decisão, alegando sua inteira fidelidade à Carta:” (1)

No entanto, ainda que nunca aceitasse esta situação, Alexandre Herculano, já instalado em Lisboa, publicaria A Voz do Propheta.

“Pouco tempo depois, já instalado em Lisboa, e reiterando o seu descontentamento, Alexandre Herculano apresenta ao país a primeira série de textos de A voz do profeta. Pode-se mesmo dizer que esta sua obra inicial se transformou numa espécie de resposta pública à Revolução de Setembro. Inspirado, notadamente como modelo literário, nas Palavras de um crente, de Lamennais, que, também em 1836, fora traduzido em Portugal, com evidentes tintas republicanas, por Antonio Feliciano de Castilho,8 o texto de Herculano, além de se constituir numa espécie de manifesto teórico do cartismo, apresenta-se também como uma verdadeira réplica ao padre francês, sobretudo no que se refere às ideias de povo e de soberania popular.” (1)





LAMENNAIS – Paroles d’un Croyant. Deuxième édition. Paris, Renduel, 1834 ; in-8 de 2 feuillets non paginés-237-(1) pages, demi-reliure de l'époque veau fauve, titre et décor aux fers, faux-nerfs et frises dorés au dos ; tranches jaspées, gardes de papier à la cuve, couverture non conservée. (eBay)

Espero, com, estas notas, ter-vos despertado a tenção para a leitura da obra e sobretudo para o estudo deste período bem conturbado da História de Portugal.

Saudações bibliófilas.

Notas:

(1) MARQUES, Wilton José – Alexandre Herculano e A voz do profeta in Navegações, Porto Alegre, v. 5, n. 1, p. 40-47, jan./jun. 2012.
(Estudo de que recomendo vivamente a sua leitura atenta.)



(2) Revolução de Setembro de 1836 – Wikipedia.

sábado, 2 de agosto de 2014

Eugénio de Castro – uma quase homenagem




5442. SOUSA (D. ANTÓNIO CAETANO DE) - HISTÓRIA GENEALÓGICA DA CASA REAL PORTUGUESA

Para a montra da primeira quinzena de AgostoLuís Moutinho da Candelabro – Livraria Alfarrabista, apresenta uma escolha muito interessante de obras de literatura portuguesa e sobre Portugal, provenientes duma aquisição recente.

“Adquirimos uma grande biblioteca especialmente rica em literatura portuguesa, história e regionalismo que iremos colocar à venda durante os próximos meses.”

Destaque para algumas das suas encadernações como é o caso deste exemplar da 1ª edição de Clepsydra de Camilo Pessanha.



4976. PESSANHA (CAMILO) – CLEPSYDRA. Poemas. Edições Lusitania. Lisboa. 1920. In-8º de LXXII págs. inums. Enc.

Primeira edição de uma das mais notáveis obras poéticas do séc. XX português. Belíssima encadernação artística inteira em pele.
Exemplar em excelente estado de conservação, com as capas da brochura e respectivas badanas preservadas. RARO.

Com um merecido destaque refere o excepcional conjunto de obras de Eugénio de Castro, curiosamente de quem tenho andado a pesquisar para apresentar uma bibliografia completa de todas as suas primeiras edições e editoras envolvidas. (trabalho sempre adiado … como muitos outros).

Não quero deixar de me “associar” a este acontecimento, se bem que muitas das obras de Eugénio de Castro apareçam com alguma frequência no mercado bibliófilo, as 1ª edições dos seus primeiros livros são de grande raridade e aparecem quase sempre só em leilões.

Por outro lado, um lote desta qualidade e uniformidade será muito difícil de reencontrar.

Mas vejamos um pouco melhor esta montra.

Chamo a atenção para algumas das raridades bibliográficas apresentadas, como sejam, o já referido lote de primeiras edições de Eugénio de Castro, as primeiras e raríssimas edições seiscentistas do Padre António Vieira, a Nova Floresta de Manuel Bernardes, o raro Voyage (...) en Portugal, as primeiras edições oitocentistas de Alexandre Herculano, o raríssimo livro de James Murphy sobre o Mosteiro da Batalha, o Catálogo da biblioteca dos Condes de Azevedo e Samodães, etc.



3479. BERNARDES (MANUEL) - NOVA// FLORESTA,// OU// SYLVA DE VARIOS APOPHTHEGMAS, E DITOS// SENTENCIOSOS ESPIRITUAES, & MORAES;// COM REFLEXOENS,// EM QUE O UTIL DA DOUTRINA SE ACOMPANHA COM O VARIO DA// ERUDIÇÃO ASSIM DIVIDIDA COMO HUMANA://OFFERECIDA, & DEDICADA// A SOBERANA MÃE DA DIVINA GRAÇA// MARIA// Santissima Senhora Nossa// PELO PADRE MANOEL BERNARDEZ DA// Congregaçaõ do Oratorio de Lisboa.// (...)// [gravura reproduzindo o emblema da Congregação do Oratório]//LISBOA// Na Officina de VALENTIM DA COSTA DESLANDES, Impressor de S. Magestade. Anno M.DCCVI [1706 a 1728]. 5 vols. In-8º gr. de XVI-496, IV-412, IV-538, XII-550 e VIII-556 págs. Enc.

Trata-se da primeira edição de uma das obras mais estimadas da literatura portuguesa barroca setecentista, da autoria do padre Manuel Bernardes (1644-1710).
Encadernações da época, inteiras em pele; as lombadas estão decoradas com bonitos ferros a ouro e os dizeres inscritos em rótulos em pele vermelha.
Exemplares em muito razoável estado de conservação, a nível do miolo e encadernações; o 1º vol. tem o frontispício restaurado no canto inferior direito e, na parte final, vários sinais de xilófagos ao longo do texto, que nunca atingem a mancha tipográfica e que foram profissionalmente restaurados; o 2º vol. tem antigas manchas de humidade pouco importantes e alguns vestígios de xilófagos nomeadamente nas páginas finais; o 3º vol. tem o papel algo "enrugado" devido a humidade, mas apenas evidencia uma mancha na última folha; o 4º vol. tem mancha pouco importante de humidade no frontispício e pequenos vestígios de xilófagos nas últimas 50 folhas; o 5º e último volume tem ínfimos vestígios de xilófagos nas folhas centrais e pequenas manchas antigas de humidade nas últimas folhas. Por último, todos os volumes têm antiga assinatura de posse (sempre a mesma) nos frontispícios.
Mesmo com os pequenos defeitos descritos, trata-se de uma bela e RARA obra, que poucos coleccionadores do livro antigo têm o grato prazer de possuir.



4895. BOURGOING (JEAN FRANÇOIS) - VOYAGE// DU CI-DEVANT DUC// DU CHATELET,// EN PORTUGAL,// OU SE TROUVENT// Des détails intéressans sur ses Colonies, sur// sur le Tremblement de terre de Lisbonne, sur// M. de Pombal et la Cour;// Revu, corrigé sur le Manuscrit, et augmenté de// Notes sur la situation actuelle de ce Royaume et// de ses Colonies,// Par (...) A Paris,// Chez F. Buisson, Imp.-Lib.// An VI de la République [1798]. 2 vols. In-8º gr. de IV-VIII-268 e IV-260 págs. Enc.
Trata-se de uma das mais estimadas e raras obras da literatura de viagens dedicada a Portugal, ilustrada com 2 gravuras desdobráveis, a primeira representando a Torre de Belém com uma armada fundeada em redor, e a segunda um belo mapa do País. Ambas assinadas por "Tardieu l'ainé".
Além de Portugal, encerra ainda muita informação sobre as antigas colónias portuguesas, com destaque para o Brasil.
Belas encadernações oitocentistas inteiras em pele. Exemplares em excelente estado de conservação, com o papel ainda branco e firme. As 2 gravuras estão impecáveis. O 1º volume tem ínfimo furo de bicho, quase invisível, que afecta o canto superior direito das primeiras 10 folhas. Ambos os volumes estão aparados ao de leve, mantendo, mesmo assim, boas margens. RARO.

Mas voltemos ao ponto em questão, ou seja voltemos a Eugénio de Castro! (Já perceberam certamente qual a razão do atraso na conclusão do trabalho.)

Relembre-se entretanto um pouco da biografia de Eugénio de Castro.


Eugénio de Castro

Poeta e autor dramático, nascido a 4 de Março de 1869, em Coimbra, e falecido a 17 de Agosto de 1944, na mesma cidade. Formado pela Faculdade de Letras de Coimbra, aí viria a desempenhar funções docentes e directivas. É ainda durante os estudos académicos que funda, em 1889, com João Menezes e Francisco Bastos, a revista Os Insubmissos, criada com um intuito deliberado de rivalizar com a revista académica Boémia Nova, recém-lançada por Alberto de Oliveira e António Nobre. Na polémica entre as duas publicações serão colocadas questões de versificação (o problema da cesura do alexandrino) que, se não têm a ver directamente com o Simbolismo, contribuirão para uma nova consciência da linguagem poética, afim das premissas daquele movimento, cuja emergência é usual datar-se de 1890, data da publicação do volume poético Oaristos de Eugénio de Castro. Deixando para trás quatro volumes de poesia (Canções de Abril, 1884; Jesus de Nazaré, 1885; Per Umbram, 1887; Horas Tristes, 1888) pouco significativos na bibliografia do autor, se considerados à luz da estética de que viria a ser porta-voz, na introdução a Oaristos, o poeta acusaria os lugares-comuns sobre que assentava a poesia sua contemporânea, quer ao nível de imagens, de rimas e de léxico, defendendo uma nova expressão poética, que, reclamando a "liberdade do ritmo", o processo estilístico da aliteração, as "rimas raras", os "raros vocábulos", e um estilo "decadente", se traduziria, neste, como em volumes posteriores, como Horas, numa poética atenta ao valor sugestivo e musical do significante, alheia a qualquer compromisso com a realidade social e defensora de uma poética de "arte pela arte". 


Casa onde nasceu Eugénio de Castro – Placa de Homenagem

Em 1895, Eugénio de Castro fundou a revista internacional A Arte, que, anunciando a colaboração de autores como Paul Adam, Gabriele d'Anunzio, Maurice Barrès, Gustave Khan, Maeterlinck, Stéphane Mallarmé, Jean Moréas, Jules Renard, J. H. Rosny, ou Verlaine, pretendia constituir, ligando alguma poesia portuguesa (sobretudo a do autor) à poesia europeia, um elo no movimento simbolista internacional, com cujos representantes Eugénio de Castro mantinha, aliás, correspondência. 


Arte: revista internacional
 (dir. Eugénio de Castro e Manuel da Silva Gayo)

A sua poesia, seja nesta primeira fase, onde a influência do simbolismo de matriz verlainiana é muito nítida, seja em fases posteriores, de refluxo neoclassicista (A Fonte do Sátiro e Outros Poemas, Camafeus Romanos, A Mantilha de Medronhos, Descendo a Encosta), nunca se libertou do epíteto de esteticista e escolar, sendo, no entanto, uma referência incontornável na análise do processo de libertação da linguagem poética que viria a culminar com o modernismo. No domínio da expressão dramática, peças como Belkiss inscrevem-se numa compreensão do fenómeno teatral próxima do teatro simbolista de Maeterlinck, a que se seguiriam outras tentativas, de pendor classicista, como Constança.


Dedicatória
(Assinatura de Eugénio de Castro)

Bibliografia: Cristalizações da Morte, Coimbra, 1884; Canções de Abril, Coimbra, 1884; Jesus de Nazaré, Coimbra, 1885; Per Umbram, Lisboa, 1887; Horas Tristes, Lisboa, 1888; Oaristos, Coimbra, 1890; Horas, Coimbra, 1891; Silva, Lisboa, 1894; Belkiss, Coimbra, 1894; Interlúnio, Coimbra, 1894; Tirésias, Coimbra, 1895; Sagramor, Coimbra, 1895; Salomé e Outros Poemas, Coimbra, 1896; A Nereide de Harlém, Coimbra, 1896; O Rei Galaor, Coimbra, 1897; Saudades do Céu, Coimbra, 1899; Constança, 1900; Depois da Ceifa, Lisboa, 1901; Poesias Escolhidas, Lisboa, 1902; A Sombra do Quadrante, Coimbra, 1906; O Anel de Polícrates, Coimbra, 1907; A Fonte do Sátiro e Outros Poemas, Coimbra, 1908; O Filho Pródigo, Porto, 1910; O Cavaleiro das Mãos Irresistíveis, Coimbra, 1916; Camafeus Romanos, Coimbra, 1921; A Tentação de São Macário, Coimbra, 1922; Canções desta Negra Vida, Coimbra, 1922; Cravos de Papel, Coimbra, 1922; A Mantilha de Medronhos, Coimbra, 1923; A Caixinha das Cem Conchas, Coimbra, 1923; Descendo a Encosta, Coimbra, 1924; Chamas duma Candeia Velha, Coimbra, 1925; Éclogas, Coimbra, 1929; Últimos Versos, Lisboa, 1938; Sonetos Escolhidos, Lisboa, 1946. (1)

Como contributo pessoal, veja-se uma primeira proposta da listagem das editoras que deram à estampa as primeiras edições de Eugénio de Castro.
(Como disse é um projecto ainda não terminado).


Parceria António Maria Pereira
Lisboa

Associação das Escolas Móveis pelo Methodo de João de Deus – Lisboa:
O Melhor Retrato de João de Deus
Editor José Luiz da Costa. Casa Minerva – Coimbra:
Crystalisações da Morte
Imprensa Académica – Coimbra:
Jesus da Nazareth
Imprensa da Universidade – Coimbra:
O Pe. Francisco Suarez em Coimbra.
Imprensa Independência – Coimbra:
Canções d’Abril (Primeiros versos)
Imprensa Nacional – Lisboa:
Per Umbram
José Bastos & C.ª – Lisboa:
Poesias de Goethe (Tradução)
Livraria Bertrand – Lisboa:
Últimos Versos
Livraria Clássica – Lisboa:
Sonetos Escolhidos
Livraria Moderna de Augusto d'Oliveira, Editor – Coimbra:
Salomé e Outros Poemas
Livraria Portugueza e Estrangeira de Manuel d'Almeida Cabral – Coimbra:
Horas, Oaristos


“Lumen” - Empresa Internacional Editora

“Lumen” - Internacional Editora – Lisboa/Porto/Coimbra:
A Caixinha das Cem Conchas, Camafeus Romanos, Canções desta Negra Vida, Chamas duma Candeia Velha, Cravos de Papel, Descendo a Encosta, A Mantilha de Medronhos. Impressões e Recordações de Espanha, A Tentação de São Macário
M. Gomes, Editor. Livreiro de suas Magestades e Altezas – Lisboa:
Sylva
Magalhães & Moniz – Porto:
O Filho Pródigo. Poema bíblico
Oficinas da "Coimbra Editora, Ldª" – Coimbra:
Os Meus Vasconcelos
Parceria António Maria Pereira - Livraria Editora – Lisboa:
Depois da Ceifa
Typographia Auxiliar d’Escriptorio – Coimbra:
A Nereida de Harlem
Typographia do Commercio de Portugal – Lisboa:
Horas Tristes
Typographia Francisco França Amado, Editor – Coimbra:
O Annel de Polycrates. Poema Dramático, Belkiss, Rainha de Sabá d’Axum e do Hymiar, O Cavaleiro das Mãos Irresistíveis – Conto em verso, Constança, Éclogas, A Fonte de Satyro e Outros poemas, Guia de Coimbra, Interlúnio, Obras Poéticas de Eugénio de Castro (10 volumes), O Rei Galaor, Sagramor, Saudades do Céo, A Sombra do Quadrante, Tiresias (Ecloga).

E, para terminar, aqui deixo a descrição deste excelente lote de livros proposto pela Candelabro – Livraria Alfarrabista:




5629. CASTRO (EUGÉNIO DE) - [OBRAS]

Editores e datas diversas. 44 vols. in-8º a in-4º gr.. Enc.
Conjunto excepcional de obras de Eugénio de Castro (1869-1944), um dos maiores Poetas nacionais de sempre e geralmente apontado como o expoente máximo do Simbolismo em Portugal.

Aos interessados disponibilizamos fotografias individuais de cada um dos volumes.

Passamos de seguida a descrever sucintamente os 44 títulos, todos em 1ª edição e encadernados de igual, que compõem este lote:



1. A CAIXINHA DAS CEM CONCHAS. "Lumen" Empresa Internacional Editora. Lisboa - Porto - Coimbra. 1923. In-8º de 36-II págs. Enc.

1ª edição deste conhecido e estimado livrinho de poesia de 100 quadras de Eugénio de Castro.

Elegante encadernação com lombada e cantos em pele azul, estando aquela decorada com múltiplas nervuras e dizeres gravados a ouro.
Óptimo exemplar; conserva as capas da brochura com as respectivas badanas e está apenas ligeiramente aparado e tintado à cabeça.



2. A FONTE DO SATYRO e outros poemas. Coimbra. F. França Amado, Editor. 1908. In-8º de 110-II págs. Enc.

1ª edição desta obra esmeradamente impressa em papel de linho.

Elegante encadernação com lombada e cantos em pele azul, estando aquela decorada com múltiplas nervuras e dizeres gravados a ouro.
Bom exemplar; conserva as capas da brochura com as respectivas badanas estando apenas ligeiramente aparado e tintado à cabeça. Tem 2 antigas e pequenas assinaturas de posse na primeira página em branco e no anterrosto.



3. A MANTILHA DE MEDRONHOS. Impressões e recordações de Espanha. Por... "Lumen" Empresa Internacional Editora. Lisboa - Porto - Coimbra. 1923. In-8º de 112-IV págs. Enc.

1ª edição desta interessante obra em verso sobre a Espanha dos anos 20.

Poesias sobre Madrid, El Escorial, Toledo, Salamanca, Cordoba, Granada, Sevilha, Malaga, Mérida, Badajoz, Tuy, Vigo, Pontevedra, Santiago de Compostela, Orense, etc.
Elegante encadernação com lombada e cantos em pele azul, estando aquela decorada com múltiplas nervuras e dizeres gravados a ouro.
Bom exemplar; conserva as capas da brochura com as respectivas badanas e está apenas ligeiramente aparado e tintado à cabeça. Tem antiga assinatura de posse, datada de 1923, na pág. nº 7.



4. A NEREIDE DE HARLEM. Desenhos de L. Battistini. Coimbra. Typ. Auxiliar d'Escriptorio. 1896. In-4º gr. de 18-II págs. Enc.

Bela edição superiormente executada sobre papel de linho e ilustrada com interessantes sanguíneas por Battistini.
Elegante encadernação com lombada e cantos em pele azul, estando aquela decorada com múltiplas nervuras e dizeres gravados a ouro.
Excelente exemplar; conserva as capas da brochura e está apenas ligeiramente aparado e tintado à cabeça. Exibe alguma normal acidez. INVULGAR.



5. A SOMBRA DO QUADRANTE. Coimbra. F. França Amado, Editor. 1906. In-8º de 88-IV págs. Enc.

1ª edição, primorosamente impressa em papel de linho.

Elegante encadernação com lombada e cantos em pele azul, estando aquela decorada com múltiplas nervuras e dizeres gravados a ouro.
Excelente exemplar; conserva as capas da brochura e está apenas ligeiramente aparado e tintado à cabeça.



6. A TENTAÇÃO DE SÃO MACÁRIO. "Lumen" Empresa Internacional Editora. Lisboa - Porto - Coimbra. 1922. In-8º de 58-II págs. Enc.

1ª edição.

Elegante encadernação com lombada e cantos em pele azul, estando aquela decorada com múltiplas nervuras e dizeres gravados a ouro.
Excelente exemplar; conserva as capas da brochura com as respectivas badanas e está apenas ligeiramente aparado e tintado à cabeça. Apresenta alguns ínfimos picos de acidez disseminados pelo volume.



7. AS CAPELAS SEPULCRAIS DA IGREJA DO CARMO, DE COIMBRA (Separata da revista BIBLOS, vol. VII, nºs 7-8, 9-10). Coimbra Editora, Lim. Coimbra. 1931. In-8º gr. de 62-II págs. Enc.

Estudo promovido pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, ilustrado em folhas à parte com 5 estampas impressas sobre papel couché.
Elegante encadernação com lombada e cantos em pele azul, estando aquela decorada com múltiplas nervuras e dizeres gravados a ouro.
Óptimo exemplar; conserva as capas da brochura e está apenas ligeiramente aparado e tintado à cabeça. INVULGAR.



8. BELLKISS. Rainha de Sabá, d'Axum e do Hymiar. Coimbra. Francisco França Amado, Editor. Anno de MDCCCXCIV. In-8º de VI-204-II págs. Enc.

1ª edição, primorosamente impressa a duas cores sobre papel de linho.

Elegante encadernação com lombada e cantos em pele azul, estando aquela decorada com múltiplas nervuras e dizeres gravados a ouro.
Óptimo exemplar; conserva as capas da brochura com as respectivas badanas e está apenas ligeiramente aparado e tintado à cabeça. Tem antigas assinaturas de posse na primeira página em branco e no anterrosto. A capa anterior acusa algum peso da idade, estando, mesmo assim, completa e sem qualquer restauro. RARO.



9. CAMAFEUS ROMANOS. "Lumen" Empresa Internacional Editora. Lisboa - Porto - Coimbra. 1921. In-8º de 36-II págs. Enc.

1ª edição.

Elegante encadernação com lombada e cantos em pele azul, estando aquela decorada com múltiplas nervuras e dizeres gravados a ouro.
Óptimo exemplar; conserva as capas da brochura com as respectivas badanas e está apenas ligeiramente aparado e tintado à cabeça.



10. CANÇÕES D'ABRIL (Primeiros versos).Coimbra. Imprensa Independência. 1884. In-8º peq. de 111-I págs. Enc.

1ª edição do segundo livro de Eugénio de Castro.

Elegante encadernação com lombada e cantos em pele azul, estando aquela decorada com múltiplas nervuras e dizeres gravados a ouro.
Bom exemplar; conserva as capas da brochura e está apenas ligeiramente aparado à cabeça. As capas estão reforçadas nas suas extremidades devido à fragilidade das mesmas. Tem alguns ocasionais picos de acidez e carimbo de posse no anterrosto (Bibliotheca Chaves de Almeyda).
MUITO RARO. Este título não consta das maiores e mais prestigiadas bibliotecas leiloadas recentemente em Portugal, como por exemplo, Laureano Barros, Alfredo Ribeiro dos Santos, Oliveira Bastos, Pereira de Lima, etc, todas elas especialmente ricas em primeiras edições de Eugénio de Castro.



11. CANÇÕES DESTA NEGRA VIDA. "Lumen" Empresa Internacional Editora. Lisboa - Porto - Coimbra. 1922. In-8º de 120-II págs. Enc.

1ª edição.

Elegante encadernação com lombada e cantos em pele azul, estando aquela decorada com múltiplas nervuras e dizeres gravados a ouro.
Bom exemplar; conserva as capas da brochura com as respectivas badanas e está apenas ligeiramente aparado e tintado à cabeça. Apresenta algumas manchas da idade nas capas.



12. CHAMAS DUMA CANDEIA VELHA. "Lumen" Empresa Internacional Editora. Lisboa - Porto - Coimbra. 1925. In-8º de 120-II págs. Enc.

1ª edição.

Elegante encadernação com lombada e cantos em pele azul, estando aquela decorada com múltiplas nervuras e dizeres gravados a ouro.
Óptimo exemplar; conserva as capas da brochura com as respectivas badanas estando ligeiramente aparado e carminado à cabeça.



13. CONSTANÇA. Poema. Coimbra. Na Livraria França Amado. MDCCCC. In-8º de X-80-II págs. Enc.

Esmerada edição, a primeira, impressa em papel de linho e com dedicatória impressa "a Sua Majestade a Senhora Dona Maria Amélia, Rainha de Portugal".
Elegante encadernação com lombada e cantos em pele azul, estando aquela decorada com múltiplas nervuras e dizeres gravados a ouro.
Óptimo exemplar; conserva as capas da brochura com as respectivas badanas estando apenas ligeiramente aparado e tintado à cabeça. Tem carimbo de posse no anterrosto, parcialmente safado. INVULGAR.



14. CRAVOS DE PAPEL. "Lumen" Empresa Internacional Editora. 1922. In-8º de 154-II págs. Enc.

1ª edição.

Trata-se de uma das mais conhecidas obras do poeta, esmeradamente impressa em papel de linho. Elegante encadernação com lombada e cantos em pele azul, estando aquela decorada com múltiplas nervuras e dizeres gravados a ouro.
Óptimo exemplar; conserva as capas da brochura com as respectivas badanas estando apenas ligeiramente aparado e tintado à cabeça.



15. CRYSTALISAÇÕES DA MORTE. Editor José Luiz da Costa. Coimbra. Casa Minerva. 1884. In-8º de 19-I págs. Enc.

Primeira obra de Eugénio de Castro, de raríssimo aparecimento no mercado livreiro, dedicado a seu irmão Afonso que a morte arrebatou aos sete anos de idade.
Elegante encadernação com lombada e cantos em pele azul, estando aquela decorada com múltiplas nervuras e dizeres gravados a ouro.
Óptimo exemplar; conserva as capas da brochura e está apenas ligeiramente aparado e tintado à cabeça.


O NOSSO EXEMPLAR ESTÁ SUPERIORMENTE VALORIZADO COM DEDICATÓRIA DE PÁGINA INTEIRA NO ANTERROSTO.



16. DEPOIS DA CEIFA. Folhas soltas - Figurinhas de Tanagra - Odes de Horácio. Lisboa. Parceria António Maria Pereira. 1901. In-4º de 111-I págs. Enc.

Edição original de uma das mais conhecidas e apreciadas obras poéticas de Eugénio de Castro.
Elegante encadernação com lombada e cantos em pele azul, estando aquela decorada com múltiplas nervuras e dizeres gravados a ouro.
Óptimo exemplar; conserva as capas da brochura estando só ligeiramente aparado e tintado à cabeça. INVULGAR.



17. DESCENDO A ENCOSTA. "Lumen" Empresa Internacional Editora. Lisboa - Porto - Coimbra. 1924. In-8º de 162-IV págs. Enc.

1ª edição de uma das mais conhecidas e apreciadas obras poéticas de Eugénio de Castro, cuidadosamente impressa sobre papel de linho.
Elegante encadernação com lombada e cantos em pele azul, estando aquela decorada com múltiplas nervuras e dizeres gravados a ouro.
Excelente exemplar; conserva as capas da brochura com as respectivas badanas e está apenas ligeiramente aparado e tintado à cabeça. Tem pequena e antiga assinatura de posse no canto superior esquerdo da primeira página em branco.



18. ÉCLOGAS. Lumen. MCMXXIX. [Lisboa]. In-8º de 46-IV págs. Enc.

1ª edição.

Elegante encadernação com lombada e cantos em pele azul, estando aquela decorada com múltiplas nervuras e dizeres gravados a ouro.
Bom exemplar; conserva as capas da brochura e está apenas ligeiramente aparado e tintado à cabeça. Apresenta alguma normal acidez disseminada por todo o volume.



19. GUIA DE COIMBRA. Publicação official da Sociedade de Defesa e Propaganda de Coimbra. F. França Amado, Editor. Coimbra. In-8º peq. de 103-XVII págs. Br.

1ª edição.

"Coimbra é como certas mulheres que depois de haverem soffrido os maiores ultrajes do tempo e do destino, conservam ainda na decrepitude eloquentes signaes da belleza que tiveram em moças".

Ilustrado com 27 estampas em folhas à parte e mapa desdobrável da cidade de Coimbra. No final inclui 16 páginas de interessantíssima publicidade.
Primeira edição.
Elegante encadernação com lombada e cantos em pele azul, estando aquela decorada com múltiplas nervuras e dizeres gravados a ouro.
Bom exemplar; conserva as capas da brochura com as respectivas badanas e está apenas ligeiramente aparado e tintado à cabeça. Tem vestígios de antiga mancha de humidade, já desvanecida, em algumas das folhas. O mapa de coimbra está impecável. INVULGAR.



20. HORAS. Coimbra. Livraria Portugueza e Estrangeira de Manuel d'Almeida Cabral. 1891. In-8º gr. de VI-49-III págs. Enc.

1ª edição de um dos mais antigos, raros e importantes livros de Eugénio de Castro.

Tiragem de apenas 307 exemplares numerados (ex. nº 230), impressos em bom papel especialmente encorpado.
Elegante encadernação com lombada e cantos em pele azul, estando aquela decorada com múltiplas nervuras e dizeres gravados a ouro.
Excelente exemplar; conserva as capas da brochura e está apenas ligeiramente aparado e tintado à cabeça. Ambas as capas exibem alguma normal acidez. MUITO RARO.



21. HORAS TRISTES. Versos de Eugénio de Castro. (Camoniana). Lisboa. Typ. do Commercio de Portugal. 1888. In-8º gr. de 12 págs. inumer. Enc.

1ª edição.

Exemplar nº 10 da tiragem de 10 em papel watman, tendo a edição total constado de 52 exemplares.
Elegante encadernação com lombada e cantos em pele azul, estando aquela decorada com múltiplas nervuras e dizeres gravados a ouro.
Bom exemplar; conserva as capas da brochura e está apenas ligeiramente aparado e tintado à cabeça. Tem alguns ocasionais picos de acidez e carimbo de posse na capa anterior (Bibliotheca Chaves de Almeyda).
MUITO RARO. Este título não consta das maiores e mais prestigiadas bibliotecas leiloadas recentemente em Portugal, como por exemplo, Laureano Barros, Alfredo Ribeiro dos Santos, Oliveira Bastos, Pereira de Lima, etc, todas elas especialmente ricas em primeiras edições de Eugénio de Castro. Apenas encontrámos um exemplar semelhante no catálogo da Biblioteca Botelho Moniz, organizado pela livraria Manuel Ferreira, Porto.



22. INTERLUNIO. Poesias de Eugenio de Castro. Editor Francisco França Amado. Coimbra. MDCCCXCIV [1894]. In-8º de 72-VIII págs. Enc.

1ª edição de uma das primeiras e mais invulgares obras de Eugénio de Castro.

Elegante encadernação com lombada e cantos em pele azul, estando aquela decorada com múltiplas nervuras e dizeres gravados a ouro.
Excelente exemplar; conserva as frágeis capas da brochura e está apenas ligeiramente aparado e tintado à cabeça.  INVULGAR.



23. JESUS DE NAZARETH. (Poemeto). Coimbra. Empresa Academica. MDCCCLXXXV [1885]. In-8º gr. de XXXII págs. Enc.

1ª edição da 4ª obra de Eugénio de Castro e uma das mais raras de toda a sua longa bibliografia. Com dedicatória impressa a Camilo Castelo Branco.

Elegante encadernação com lombada e cantos em pele azul, estando aquela decorada com múltiplas nervuras e dizeres gravados a ouro.
Bom exemplar; conserva as capas da brochura e está apenas ligeiramente aparado à cabeça. Pequenos restauros profissionais na capa anterior e em algumas folhas. Tem alguns ocasionais picos de acidez e antiga assinatura e carimbo de posse no anterrosto (Bibliotheca Chaves de Almeyda).
MUITO RARO. Este título não consta das maiores e mais prestigiadas bibliotecas leiloadas recentemente em Portugal, como por exemplo, Laureano Barros, Alfredo Ribeiro dos Santos, Oliveira Bastos, Pereira de Lima, etc, todas elas especialmente ricas em primeiras edições de Eugénio de Castro. Apenas encontrámos um exemplar semelhante no catálogo da Biblioteca Botelho Moniz, organizado pela livraria Manuel Ferreira, Porto.



24. CASTRO (EUGÉNIO DE) & GONÇABES (A. AUGUSTO) - NOTÍCIA HISTÓRICA E DESCRIPTIVA DOS PRINCIPAES OBJECTOS DE OURIVESARIA EXISTENTES NO THESOIRO DA SÉ DE COIMBRA Por.. Coimbra. Imprensa Academica. F. França Amado - Editor. 1911. In-8º gr. de 47- págs. Enc.

1ª edição.

Obra impressa em papel de linho, com 11 estampas fotográficas impressas em folhas à parte, reproduzindo vários objectos preciosos do património da Sé de Coimbra.
Elegante encadernação com lombada e cantos em pele azul, estando aquela decorada com múltiplas nervuras e dizeres gravados a ouro.
Excelente exemplar inteiramente por abrir; conserva as capas da brochura e está apenas ligeiramente aparado e tintado à cabeça. Tem alguns normais picos de acidez sobretudo ao nível da capa anterior da brochura. INVULGAR.



25. O ANNEL DE POLYCRATES. Poema dramatico. Coimbra. França Amado, Editor. 1907. In-8º de 130-II págs. Enc.

1ª edição, impressa em papel de linho.

Elegante encadernação com lombada e cantos em pele azul, estando aquela decorada com múltiplas nervuras e dizeres gravados a ouro.
Óptimo exemplar; conserva as capas da brochura com as respectivas badanas e está muito ligeiramente aparado e tintado à cabeça. Tem antiga assinatura de posse no anterrosto.



26. O CAVALEIRO DAS MÃOS IRRESISTÍVEIS. Conto em verso por... Coimbra. F. França Amado, Editor. 1916. In-8º de 87-V págs. Enc.

1ª edição.

Elegante encadernação com lombada e cantos em pele azul, estando aquela decorada com múltiplas nervuras e dizeres gravados a ouro.
Exemplar em bom estado de conservação; conserva as capas da brochura com as respectivas badanas e está apenas ligeiramente aparado e tintado à cabeça. Tem duas antigas assinaturas de posse nas duas primeiras páginas em branco.



27. O FILHO PRÓDIGO. Poema Biblico por Eugenio de Castro da Academia Real das Sciencias. Porto. Magalhães & Moniz, Ldª - Editores. 1910. In-8º de 37 págs. Enc.

1ª edição.

Elegante encadernação com lombada e cantos em pele azul, estando aquela decorada com múltiplas nervuras e dizeres gravados a ouro.
Óptimo exemplar; conserva as capas da brochura com as respectivas badanas e está apenas ligeiramente aparado e tintado à cabeça.



28. O MELHOR RETRATO DE JOÃO DE DEUS. 1906. Edição da Associação das Escolas Moveis pelo Méthodo de João de Deus. Lisboa. In-8º de 14-II págs. Enc.

Interessante estudo sobre João de Deus, ilustrado com um belo retrato do poeta e seus filhos, impresso em folha à parte.
Elegante encadernação com lombada e cantos em pele azul, estando aquela decorada com múltiplas nervuras e dizeres gravados a ouro.
Exemplar em muito bom estado de conservação; conserva as capas da brochura e está apenas aparado e tintado à cabeça.
Superiormente VALORIZADO COM DEDICATÓRIA AUTÓGRAFA DE EUGÉNIO DE CASTRO. Invulgar.



29. O PE. FRANCISCO SUAREZ EM COIMBRA. Notas sobre alguns dos seus contemporâneos e amigos. Coimbra. Imprensa da Universidade. 1917. In-4º de 49-III págs. Enc.

Interessante estudo de Eugénio de Castro, publicado como separata da Revista da Universidade de Coimbra, Vol. VI, nºs 1 e 2. Ilustrato com 7 estampas em "hors-texte".
Elegante encadernação com lombada e cantos em pele azul, estando aquela decorada com múltiplas nervuras e dizeres gravados a ouro.
Exemplar em muito bom estado de conservação; conserva as capas da brochura e está apenas aparado e tintado à cabeça. INVULGAR.



30. CASTRO (EUGÉNIO DE) [E OUTROS] - O REI DE THULE. Versões portuguesas por Agostinho de ORNELAS. Latino COELHO, A. F. CASTILHO, Antero de QUENTAL, Gonçalves CRESPO e Eugénio de CASTRO. GOETHE (1832-1932). Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Instituto Alemão. Coimbra. 1932. In-8º gr. de 22 págs. Enc.

Curiosa obra promovida pelo Instituto de Alemão da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, em que vários autores, entre os quais Eugénio de Castro, fazem uma tradução do poema de Goethe "Der Koenig in Thule". O poema é apresentado na sua lingua original, em alemão, ao que se seguem as traduções dos vários autores e com a indicação da data em que foram executadas (quase todas no século XIX, como não podia deixar de ser, e a de Eugénio de Castro em 1909).
Ilustrado em folha à parte com um retrato de Goethe e uma reprodução de um autógrafo do poeta.
1ª edição.
Elegante encadernação com lombada e cantos em pele azul, estando aquela decorada com múltiplas nervuras e dizeres gravados a ouro.
Óptimo exemplar; conserva as capas da brochura e está apenas ligeiramente aparado e tintado à cabeça. Pouco vulgar.



31. O REI GALAOR. Poema dramatico. Coimbra. F. França Amado-Editor. 1897. In-8º de 77-III págs. Enc.

1ª edição.

Obra esmeradamente impressa a duas cores.
Elegante encadernação com lombada e cantos em pele azul, estando aquela decorada com múltiplas nervuras e dizeres gravados a ouro.
Exemplar em bom estado de conservação; não conserva as capas da brochura e está ligeiramente aparado e tintado à cabeça. Tem ínfima falha de papel na última folha sem ofender a mancha tipográfica. INVULGAR.



32. OARISTOS. Coimbra. Livraria Portugueza e Estrangeira de Manuel d'Almeida Cabral. 1890. In-8º gr. de VIII-51-I págs. Enc.
1ª edição do mais importante livro de Eugénio de Castro, por nele ter traçado as linhas programáticas do Simbolismo português.
Tiragem de apenas 300 exemplares numerados (ex. nº 42).
Elegante encadernação com lombada e cantos em pele azul, estando aquela decorada com múltiplas nervuras e dizeres gravados a ouro.
Exemplar em bom estado de conservação; conserva as capas da brochura e está apenas ligeiramente aparado e tintado à cabeça. Ambas as capas exibem alguma normal acidez.
SUPERIORMENTE VALORIZADO COM DEDICATÓRIA DE EUGÉNIO DE CASTRO. MUITO RARO.



33. OS MEUS VASCONCELOS. Composto e impresso nas Oficinas da "Coimbra Editora, Ldª". Coimbra. 1933. In-4º de 186-II págs. Enc.

Estudo genealógico e heráldico, ilustrado com 20 estampas impressas em folhas à parte, reproduzindo retratos de personalidades, brazões, solares, etc.
Escreve o autor: "Todos os entendidos na matéria bem poderão calcular quanto trabalho e quanta paciência foram precisos para a elaboração desta monografia genealógica, fruto pesado, mas pouco suculento e nada saboroso, de mais de 40 anos de pesquisas que, se em tão longo prazo não foram contínuas, nem por isso deixaram de ser frequentes e por vezes difíceis".
Elegante encadernação com lombada e cantos em pele azul, estando aquela decorada com múltiplas nervuras e dizeres gravados a ouro.
Bom exemplar; conserva as capas da brochura e está apenas ligeiramente aparado à cabeça. Exibe alguma normal acidez, sobretudo ao nível das capas. Pouco vulgar.



34. PER UMBRAM... Nocturno - A despedida - Estrella condidente - Depois. Lisboa. Imprensa Nacional. 1887. In-4º gr. de XVI págs. inumer. Enc.

Primeira edição do 4º livro de Eugénio de Castro e unanimemente considerado como o mais raro de toda a sua longa bibliografia, já que a tiragem foi apenas de 50 exemplares impressos em 5 suportes de diferente papel.
Elegante encadernação com lombada e cantos em pele azul, estando aquela decorada com múltiplas nervuras e dizeres gravados a ouro.
Exemplar em muito bom estado de conservação; conserva as capas da brochura e está inteiramente por aparar. Tem ínfima falha na capa anterior da brochura e alguns normais picos de acidez.
Superiormente VALORIZADO COM DEDICATÓRIA AUTÓGRAFA DE EUGÉNIO DE CASTRO. RARÍSSIMO E PROCURADO.



35. POESIAS DE GOETHE. Traduzidas do allemão por Eugénio de Castro. Lisboa. Antiga Casa Bertrand. José Bastos & Cª. 1909. In-8º gr. de 102-II págs. Enc.

1ª edição desta tradução de Eugénio de Castro, reconhecido especialista em Goethe.

Elegante encadernação com lombada e cantos em pele azul, estando aquela decorada com múltiplas nervuras e dizeres gravados a ouro.
Exemplar em bom estado de conservação; conserva as capas da brochura e está apenas ligeiramente aparado e tintado à cabeça. Exibe alguma normal acidez. Pouco vulgar.



36. POESIAS ESCOLHIDAS. (1889-1900). Paris. Livraria Aillaud & Cª. 1902. In-8º de XXX-231 págs. Enc.

1ª edição.

As primeiras XXX páginas são ocupadas por um prefácio assinado por Manuel da Silva Gaio.
Livro esmeradamente impresso sobre papel couché e ilustrado com retrato fotográfico de Eugénio de Castro.
Elegante encadernação com lombada e cantos em pele azul, estando aquela decorada com múltiplas nervuras e dizeres gravados a ouro.
Bom exemplar; não conserva as capas da brochura, está ligeiramente aparado e tintado à cabeça e tem ténues vestígios de antiga mancha de humidade no canto inferior esquerdo do retrato, sem afectar a parte impressa.
Valorizado com dedicatória do autor, datada de 1903. INVULGAR.



37. RÉCEPTION DE M. EUGENIO DE CASTRO. DISCOURS DE MM. ALBERT MOCKEL ET EUGENIO DE CASTRO. (Séance publique du 11 Mai 1935). Académie Royal de Langue et de Littérature Françaises de Belgique. Bruxelles, Palais des Académies. Liége, H. Vaillant-Carmanne, imprimeur de l'Académie. 1935. In-8º gr. de 30 págs. Enc.

Curiosa obra que atesta o reconhecimento europeu que teve Eugénio de Castro na sua época.
Elegante encadernação com lombada e cantos em pele azul, estando aquela decorada com múltiplas nervuras e dizeres gravados a ouro.
Exemplar em muito bom estado de conservação; conserva as capas da brochura e está apenas ligeiramente aparado e tintado à cabeça. Exibe alguma normal acidez. RARO.



38. SAGRAMOR. Poema. Coimbra. F. França Amado - Editor. 1895. In-8º gr. de 126-II págs. Enc.
1ª edição de uma das primeiras e mais invulgares obras do autor.

Elegante encadernação com lombada e cantos em pele azul, estando aquela decorada com múltiplas nervuras e dizeres gravados a ouro.
Exemplar em bom estado de conservação mas sem conservar as capas da brochura. Está ligeiramente aparado à cabeça e tintado.



39. SALOMÉ E OUTROS POEMAS. Coimbra. Livraria Moderna de Augusto d'Oliveira - Editor. 1896. In-8º de VIII-88-II págs. Enc.

Edição cuidada, a primeira, impressa em papel de linho.

Elegante encadernação com lombada e cantos em pele azul, estando aquela decorada com múltiplas nervuras e dizeres gravados a ouro.
Óptimo exemplar; conserva as capas da brochura e está apenas ligeiramente aparado e tintado à cabeça. INVULGAR.



40. SAUDADES DO CÉO. Poema. Coimbra. F. França Amado-editor. 1899. In-8º de 58-VI págs. Enc.
1ª edição.

Elegante encadernação com lombada e cantos em pele azul, estando aquela decorada com múltiplas nervuras e dizeres gravados a ouro.
Bom exemplar; conserva as capas da brochura e está apenas ligeiramente aparado e tintado à cabeça. INVULGAR.



41. SONETOS ESCOLHIDOS. Livraria Clássica Editora. Lisboa. 1946. In-8º de 142-II págs. Enc.

Edição ilustrada em folha à parte com uma caricatura do poeta, assinada por Columbano.
Elegante encadernação com lombada e cantos em pele azul, estando aquela decorada com múltiplas nervuras e dizeres gravados a ouro.
Exemplar em bom estado de conservação; conserva as capas da brochura com as respectivas badanas e está apenas ligeiramente aparado e tintado à cabeça. Tem vestígios de uma antiga mancha de humidade, já quase completamente desvanecida.



42. SYLVA. Lisboa. M. Gomes, Editor. Livreiro de suas Magestades e Altezas. 1894. In-8º gr. de VIII-120-II págs. Enc.

1ª edição de uma das primeiras obras de Eugénio de Castro, cuidadosamente impressa em bom papel encorpado e ilustrada com uma estampa fotográfica do poeta.
Elegante encadernação com lombada e cantos em pele azul, estando aquela decorada com múltiplas nervuras e dizeres gravados a ouro.
Exemplar em bom estado de conservação; conserva as capas da brochura e está apenas ligeiramente aparado e tintado à cabeça. Capas com ínfimas imperfeições e alguma acidez disseminada por todo o volume. A estampa tem vestígios de dobra. INVULGAR.



43. TIRESIAS (Ecloga). Coimbra. Livraria de F. França Amado. 1895. In-8º gr. de 14-II págs. Enc.

1ª edição.

Trata-se de uma das primeiras e mais raras obras de Eugénio de Castro.
Elegante encadernação com lombada e cantos em pele azul, estando aquela decorada com múltiplas nervuras e dizeres gravados a ouro.
Exemplar em bom estado de conservação; conserva as capas da brochura e está apenas ligeiramente aparado e tintado à cabeça. As capas apresentam alguma sujidade. Assinatura de posse no anterrosto. INVULGAR.



44. DEUS (JOÃO DE) & CASTRO (EUGÉNIO DE) – POESIAS. Com uma carta em verso de Eugenio de Castro. Coimbra Augusto d'Oliveira - Editor. 1896. In-8º peq. de 89-III págs. Enc.

Poesias de João de Deus integradas na "Bibliotheca Internacional" dirigida por Eugénio de Castro.
Elegante encadernação com lombada e cantos em pele azul, estando aquela decorada com múltiplas nervuras e dizeres gravados a ouro.
Óptimo exemplar; conserva as capas da brochura e está apenas ligeiramente aparado e tintado à cabeça. INVULGAR.


Coimbra – Rua onde nasceu Eugénio de Castro

Aqui fica este esboço de uma homenagem justa a este poeta, que marcou uma viragem da poesia em Portugal com o seu livro Oaristos (como aqui já se deu notícia detalhada).

Resta-me felicitar o Luís Moutinho pelas excelentes aquisições e pela forma detalhada e precisa como as apresenta na página da sua livraria.

Espero que este escrito seja do vosso agrado e também de alguma utilidade.

Saudações bibliófilas.


Notas:

(1) Eugénio de Castro. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014. [Consult. 2010-11-29].

(2) As imagens que acompanham algumas das obras não correspondem aos lotes da Candelabro – Livraria Alfarrabista, mas sim da minha colecção ou de outras Livrarias das quais destaco:
Estante Virtual – Brasil
Livraria Alfarrabista Miguel de Carvalho – Coimbra
Livraria Antiquária do Calhariz – Catálogo do Leilão 75º
Livraria Manuel Ferreira:
Renascimento – Avaliações e Leilões, SA (Vários Catálogos)
Livraria Alfarrabista Liliana Queiroz