"Se não te agradar o estylo,e o methodo, que sigo, terás paciência, porque não posso saber o teu génio, mas se lendo encontrares alguns erros, (como pode suceder, que encontres) ficar-tehey em grande obrigação se delles me advertires, para que emendando-os fique o teu gosto mais satisfeito"
Bento Morganti - Nummismologia. Lisboa, 1737. no Prólogo «A Quem Ler»

terça-feira, 25 de abril de 2017

A propósito de Xabregas…



Ponte de Xabregas em 1857

Uma boa amiga perguntou-me o que lhe poderia dizer sobre Xabregas. Fiquei a pensar, pois é um lugar que me é querido na memória.

Morei lá perto durante muitos anos e era a “terra” do meu pai, embora só já “crescidinho” o viesse a descobrir.


Palácio de Xabregas

Sempre me tinha feito uma certa confusão irmos de viagem à terra da minha mãe – Ovar –  viagem épica na altura,  e falamos dos anos 60, mas ainda não conhecera a terra do meu pai…

Um dia ele convidou-me a conhecer a “sua terra”, entrámos no carro e passado muito pouco tempo já tínhamos chegado!

Foi só descer a Avenida Afonso III, passar pelo Asilo Maria Pia, a Igreja da Madre Deus e lá estávamos no Beato…


Rua de Xabregas em 2009
©Luís Maria Antunes

Xabregas fazia parte do meu imaginário de infância que nunca me decidira indagar da sua importância, história ou monumentos…era a terra do meu pai “que ficava ali mesmo ao virar da esquina”, onde eu e os meus primos, levados pelo nosso avô que tanto gostava de passear, por vezes íamos.


Igreja da Madre de Deus

Foi com um certo sobressalto que recebi esta pergunta. Afinal eu não conhecia a terra do meu pai! (ainda que muito mais distante, conhecia muito melhor a história de Ovar: monumentos, cultura, história e até uma das suas figuras mais emblemáticas – o nosso escritor Júlio Dinis, que tem lá uma Casa - Museu (…e que me perdoem todos os outros, pois não é por maldade que os não refiro), do que esta aqui tão perto.


Convento de Santa Maria de Jesus de Xabregas

Claro que teria de procurar alguma resposta para lhe dar, pelo que comecei a indagar, e como apaixonado pelos livros, fui “cair” na Livraria Castro e Silva onde encontrei estes exemplares que vos apresento, onde se encontram referências a Xabregas (mas muitos mais há…)



EVANGELISTA, Fr. Manuel – Amores do Amado. EPITOME SELECTO DAS ESCRITURAS NAS EXCELLENCIAS, grandezas, e irregularidades do Querubim de Deos, Benjamin de Christo, Apice dos Profetas, Timbre dos Apostolos, aguia dos Euangelistas, Martyr sem morte, Mestre dos Doutores, Virgem sem macula, Secretario do Verbo Eterno, e Thesoureiro dos maiores segredos, o sempre venerado, e nunca bem conhecido, ainda que entre os mais mimoso SÃO JOÃO EUANGELISTA, Dedicado, e oferecido AO SENHOR JOSE? MACHADO PINTO, Cavaleiro professo da Ordem de Christo, e Fidalgo da Casa de S. Magestade, PELO M. R. PADRE MESTRE Fr. MANOEL EUANGELISTA, Doutor em Theologia na Universidade de Coimbra, Qualificador do Santo Officio, Examinador das Trez Ordens Militares, Consultor da Bulla da Cruzada, e Lente em o Convento de Xabregas. LISBOA, Na Officina de Miguel Manescal da Costa, Impressor do Santo Officio. Anno 1754. In 8º (de 17x10 cm) com [46], 119 pags. 1800.00€



Encadernação artística da época em inteira de marroquin com finos ferros a ouro rolados na lombada e nas esquadrias das pastas. Guardas originais em papel decorativo da época, apresentando o ex-libris eclesiástico armoriado de ?John Jebb. Bishop of Limerick, Ardfert and Aghadoe? [1775-1833]. 



Obra não existente na BNP e totalmente desconhecida dos bibliógrafos portugueses, contendo textos referentes a descrições emblemáticas de inspiração rosacruciana. Inocêncio (V, 413) refere apenas o autor e um impresso do mesmo: 'Fr. Manuel Evangelista (2.º), Franciscano da provincia dos Algarves, Doutor em Theologia pela Universidade de Coimbra, incognito a Barbosa, que d"elle não fez menção. - E. 486) Á exaltação do ex.mo e rev.mo sr. D. Fr. José do Menino Jesus, novamente eleito bispo de Angola. Elogio. Lisboa, na Offic. de Domingos Gonçalves 1760. 4.º de 23 pag'. Location/localizacao: 2-1-D-16. Bookseller Inventory # 1407JC037
©Livraria Castro e Silva (Lisboa, Portugal)



RIBADANEYRA. (Pedro de) – FLOS SANCTORUM. HISTORIA DAS VIDAS, E OBRAS INSIGNES DOS SANTOS. PELO M. R. P. PEDRO DE RIBADENEYRA, Religioso da Companhia de Jesus, e outros Autores. PRIMEYRA PARTE. [E SEGUNDA PARTE] TRADUSIDA DA LINGUA CASTELHANA EM A NOSSA PORTUGUESA PELO LICENCIADO JOAÕ FRANCO BARRETO. OFFERECIDA A? SACRATISSIMA VIRGEM MARIA VENERADA NA SUA ANGELICA IMAGEM DA MADRE DE DEOS, A QUEM A PIEDADE CHRISTÃ SOLENNIZA NO SEU REAL Convento das Religiosas de Xabregas. LISBOA OCCIDENTAL. NA OFFICINA FERREYRIANA. M.DCC.XXVIII [1728]. 2 volumes encadernados num 1 volume. In fólio (de 28,5x20 cm) com [xii]-646 ; [vi]-481-[i] págs. 1500.00€



Encadernação da época em pergaminho flexível, um pouco cansada. Folha de rosto impressa a duas cores (preto e vermelho). Texto a duas colunas ornamentado com cabeções, florões de remate e iniciais decoradas. Exemplar com assinatura de posse coeva no interior da pasta anterior. Nas 12 folhas preliminares inumeradas: Dedicatória do impressor Manuel Lopes Ferreira à Virgem Maria, índice das vidas dos santos, licenças e nas 6 folhas inumeradas do 2º volume índice das vidas dos santos e licenças. O Padre Pedro de Ribadeneira é um dos mais importantes historiadores jesuítas da primeira fase da Companhia. As suas obras tiveram uma grande divulgação, em todo o mundo com numerosas edições e traduções. João Franco Barreto foi um polígrafo, poeta, historiador, tradutor e um dos mais importantes críticos e historiadores literários do século XVII, que editou e estudou aprofundadamente a obra de Camões. Tradução de grande fidelidade e qualidade. Franco Barreto distinguiu-se pela excelência das suas traduções entre elas a Eneida de Virgílio e esta célebre obra de Ribadeneira. Terceira edição muito rara da qual Inocêncio não viu nenhum exemplar, referindo-a só por informações de terceiros, como se pode ver pela transcrição que se segue. Inocêncio. III, 379-379. JOÃO FRANCO BARRETO, Licenceado em Direito Canonico pela Universidade de Coimbra. Depois de seguir por algum tempo a vida militar, foi Secretario da embaixada mandada a França por el-rei D. João IV; e ultimamente, depois de enviuvar, tomou ordens ecclesiasticas, e exerceu as funcções de Vigario da vara no Barreiro, sendo nomeado para este cargo em 1648. N. em Lisboa no anno de 1600; os seus biographos não apontam a data do obito, porém sabe-se que ainda vivia em 1674. V. a seu respeito o Ensaio Biogr. Crit. de Costa e Silva, no tomo V, pag. 267 a 297. 828) (C) Flos Sanctorum, Historia das vidas e obras insignes dos Sanctos. Parte 1.ª pelo P. Pedro de Ribadeneyra, da Companhia de Jesus, e outros auctores. 



Traduzido de castelhano em portuguez. Lisboa, por Antonio Craesbeeck de Mello 1674. fol. Ibi, por Manuel Lopes Ferreira 1704. fol. 2 tomos. (Advirta-se que n"esta edição estão errados os numeros das pag. de 221 em diante, porque a seguinte que devia ter 222, tem 242, e assim prosegue na continuação do volume.) Inocêncio. X, 264-265. O visconde de Azevedo, na serie de informações e additamentos com que obsequiou o auctor d?este Dicc., escrevia a respeito do Flos Sanctorum, de Ribadeneyra (n.º 828): - «O Barbosa Machado, e o Salgado, e Farinha, quando nomeiam a edição do Flos Sanctorum, traduzido por Franco Barreto, de 1674, dizem que é impressa por Antonio Craesbeck de Mello, e isto mesmo se lê no seu Dicc.; mas eu tenho aquella edição de 1674 em dois volumes, ou partes, quando todos a dão em um só volume, ou em um só tomo ou parte. Demais, o impressor não é Antonio Craesbeck, mas sim Antonio Rodrigues de Abreu, e á custa de Francisco de Sousa, mercador de livros. Acrescenta v. ex.ª uma edição de 1704 em dois tomos, de que os primeiros auctores citados não fallam, e diz que de pag. 221 passa a pag. 242, em logar de 222, como devia ser. Ora, é justamente o que no 2.º tomo d?esta minha edição de 1674 se vê, mas não salta de pag. 221 a 242, e sim de pag. 220 a pag. 241». Não posso assegurar, se o fallecido visconde de Azevedo, na sua informação sobre o exemplar que possuia, tambem se equivocou com respei. Bookseller Inventory # 1603PG067
©Livraria Castro e Silva (Lisboa, Portugal)



ALBERTO, Frei Francisco de Santo – ESTRAGOS DO TERREMOTO VATECINIO DE FELICIDADES. Sobre os habitadores da nobilissima Villa de Setuval na justificada affliçaõ em que se viraõ no primeiro de Novembro de 1755. OFFERECIDO AO ILL.mo E EXmo. SENHOR D. ANTONIO LUIZ CAETANO DE SOUSA MARQUEZ DAS MINAS Comcelheiro de Guerra, Gentil-Homem da Camera de Sua Magestade Fidelissima &c. POR Fr. FRANCISCO DE SANTO ALBERTO LEYRIENSE Fundador do Seminario de N. Senhora da Encarnaçaõ, na Villa de Vinhaes, Provincia de Tras os montes, Missionario Apostolico, e Mestre de Noviços do Real Seminario de N. Senhora dos Anjos de Brancannes, junto a Setuval, fundaçaõ do Veneravel Padre Fr. Antonio das Chagas. LISBOA: Na Offic. junto a S. Bento de Xabregas. Anno de 1757. In 4º (de 20x15 cm) com [11], 53 págs. Brochado, com os cadernos soltos, no entanto não deve ser encadernado uma vez que se trata do exemplar original levado aos despachos das licenças necessárias para ser autorizada a sua publicação. Exemplar com importância particular por motivo de, em cólofon, se encontrarem os despachos originais da edição: 'Pode Correr' e 'Está conforme com o original' e com 7 licenças e as respectivas assinaturas dos censores. 900.00€



O autor atribui o Terramoto de 1755 a causas não naturais, tal como foi corrente na época e contestado por humanistas como Voltaire. No entanto, o texto ao estilo prosa epopeica retrata bem o maremoto (tsunami): a sua aproximação e os locais principais da destruição: 'rebentando a água neste vistoso campo do Bonfim'; 'verde negro das ondas'; 'nas tuas ruas os barcos, os batéis, e os hiates atravessados com o ímpeto'; etc. Existe exemplar nos reservados da BNP. Inocêncio 9, 246: «Tanto o autor como o escrito (que em verdade pouco vale) foram desconhecidos a Barbosa Machado. Entretanto é mais um opusculo para reunir às colecções dos muitos que se publicaram, relativamente aos estragos daquele desastroso fenómeno». A LBERTO, Frei Francisco de Santo. ESTRAGOS DO TERREMOTO VATECINIO DE FELICIDADES [Damages of the Earthquake Wishes of Good Luck] In 4º (20 x 15 cm) with [11], 53 pps. 



Soft cover, with loose folios. It should not be bound, since it is the original sent to the Holly Office to get the licenses needed to be distributed. A unique copy presenting in the colophon the original authorisations for the edition: 'Pode Correr' [can be distributed], and 'Está conforme com o original' [it is in accordance with the original], and also 7 licenses and the respective signatures of the censors. The author states that the 1755 earthquake was not due to natural causes, as was usual at the time and disputed by humanists like Voltaire. Nevertheless, the text in epic prose depicts well the tsunami, its approach and the main places of destruction: 'rebentando a água neste vistoso campo do Bonfim' [the waves hitting this beautiful field of Bonfim]; 'verde negro das ondas' [the greenish black of the waves]; 'nas tuas ruas os barcos, os batéis, e os hiates atravessados com o ímpeto' [on your streets the boats, barges and the yachts dragged by the force of the waves]; etc. Location/localizacao: 4-6-D-59. Bookseller Inventory # 1601JC015
©Livraria Castro e Silva (Lisboa, Portugal)



Index Geral da Livraria do Convento de S. Francisco De Xabregas
onde se achão os Livros pelos nomes, ou cognomes mais conhecidos,
dos seus Autores.
Redigido pelo bibliotecário Frei Inácio de Santa Maria dos Anjos Quintanilha.
©BNP

Espero que gostem das obras e porque não uma visita a Xabregas, pois tem muito para ver e nem só de livros se enriquece o espírito e o conhecimento.

É um excelente passeio, com bons restaurantes, para retemperar forças entre as várias visitas a fazer…

Saudações bibliófilas.

domingo, 23 de abril de 2017

Dia Mundial do Livro 2017 – Leilão da Biblioteca Dr. Augusto Guimarães Amora




058. ANDRADA, Jacinto Freire de. - VIDA // DE // DOM JOÃO // DE // CASTRO // QVARTO VISO -REY // DA INDIA, // Escrita por //... // Impressa por ordem de seu Neto o Bispo // DOM FRANCISCO DE CASTRO, //... // EM LISBOA, // Na Officina Craesbeeckiana, // Anno 1651. In -4º de [8], 490 págs. Enc.

Celebra-se hoje o Dia Mundial do Livro, pelo que não quero deixar de me associar à sua celebração, mas desta vez fá-lo-ei de um modo um pouco diferente.

Com o desaparecimento de José Ferreira Vicente fundador da Livraria Olisipo, no passado mês de Janeiro e de quem tanto aqui se falou por ocasião de muitos leilões que organizou, o mundo do livro antigo e a bibliofilia perderam precocemente um dos seus maiores nomes dos nossos tempos.

No entanto, o seu filho – Bruno Vicente – decidiu continuar a obra do pai e é o rosto actual da Livraria Olisipo.


Aqueduto – Avaliadores & Leiloeiros

O Leilão que a Aqueduto – Avaliadores & Leiloeiros | Rua do Arco a São Mamede, 11 | 1250 -026 Lisboa | Portugal, da Biblioteca Dr. Augusto Guimarães Amora, começou ainda a ser organizado pelo José Vicente, quer nos primeiros contactos que foram feitos com a família, quer na selecção dos livros que compõem este catálogo, ficando a cargo do seu filho o trabalho de inventariação, catalogação e avaliação, configurando uma honrosa e verdadeira passagem de testemunho.



O Leilão decorrerá nos dias 2, 3 e 4 de Maio de 2017 às 21h

1ª Sessão | 3ª feira, 2 de Maio às 21h | Lotes 1 a 600
2ª Sessão | 4ª feira, 3 de Maio às 21h | Lotes 601 a 1200
3ª Sessão | 5ª feira, 4 de Maio às 21h | Lotes 1201 a 1704

E a Exposição dos respectivos lotes decorrerá nos dias:

6ª feira, Sábado e Domingo | 28, 29 e 30 de Abril, das 15h às 20h
2ª feira | 1 de Maio, das 15h às 20h



340. CASSIOPEIA. Antologia de Poesia e Ensaio. Orientação e edição de António Carlos, António Ramos Rosa, João Rui de Sousa, José Bento e José Terra. 1º fasciculo. Lisboa. Março de1955. In -4º de 48 págs. Br.

Na continuação da singela, mas sentida, homenagem que aqui lhe prestei – Morreu um livreiro-antiquário…perdium amigo.


José Ferreira Vicente

Vou referir o referido leilão salientando essas duas figuras que exemplificam o mundo da bibliofilia e que se completam reciprocamente – o livreiro-antiquário e o bibliófilo – e deixo a análise do referido catálogo de propósito para os meus leitores, pois já conhecem muitas destas obras, porque hoje o que interessa é a leitura e todos os livros (e não só alguns…).


Ex-líbris do Dr. Augusto Guimarães Amora

Começando pelo bibliófilo vejamos como ele é retratado pela pena de José Veiga Maltez:

“Ars longa,vita brevis”
É sempre ingrato traçar um breve perfil, em jeito de homenagem, de uma personalidade multifacetada, como era a do Médico Torrejano, Dr. Augusto Guimarães Amora, pois teve um percurso que não se circunscreveu à Medicina.
Nunca a forma abnegada e o modo preocupado, mesmo nos piores momentos, nas horas mais terríveis dos seus doentes, Lhe fizeram esvanecer o optimismo e a boa disposição, que eram Seu apanágio. Era de uma exigência e pontualidade marcantes, atributos que terão permitido ao Ilustre Cardiologista, o brilhantismo e o espaço do Seu tempo, que emprestava às diversas vertentes, nomeadamente culturais, nas quais se implicava. Porque era um humanista, um homem de cultura e de múltiplos saberes, que desde cedo começou a apreender pela leitura, através da Sua grande paixão, os Livros, que Lhe satisfaziam a curiosidade permanente, os quais motivam agora, pela Biblioteca que granjeou e foi compondo ao longo da vida, recordá-Lo. Porque hoje e aqui relembramos também, o estudante de Coimbra, depois do Liceu de Santarém, que era aplicado mas, sabendo entremear as horas “sérias” de aprendizagem, para a futura praxis, com as horas alegres, próprias das farras tão típicas e tradicionais da mais antiga lusitana cidade universitária, na qual, nesse período começou a apresentar a célebre “Serenata Monumental”, pela Queima das Fitas, tendo ainda presidido à Associação Académica e a colaborar com as então Emissora Nacional e o Rádio Clube de Coimbra, ficando-Lhe o gosto pela Rádio, pela “telefonia”, intervindo mais tarde, já médico, na Rádio Renascença e Rádio Clube Português, em Lisboa, com programas de Sua autoria, tais como, “À Esquina do Tempo” e “Histórias da Vida de um Médico”. Do Médico que gostava de ler, que coleccionava além dos livros, outros hábitos e costumes, como o de ir regularmente à Ópera e aos “Ballets”, entre outras manifestações culturais musicais, gosto que O terá feito primeiro sócio do conhecido torrejano “Choral Phydellius”, assim como, Presidente da Assembleia Geral do Cine Clube de Torres Novas, pelo cinéfilo que era.
Aqui, hoje, rememoramos o insigne e brilhante Médico, com uma clínica fulgurante, nomeadamente como cultor do Livro e da Leitura, pela Sua Biblioteca. Evocamos a quem a Cidade de Torres Novas ficou devedora porque nunca há tributo suficiente para o empenho, afinco e interesse com que tratou o corpo e a alma dos seus cidadãos, como olhou, cuidou e protegeu o seu associativismo cultural, entre outras acções.
Que se invoque para sempre o Seu nome, que esta folha não seja esquecida pelo que nela se recapitulou, que se dedica à Sua Família, aos Filhos e aos Netos, tal e qual como o Dr. Augusto Guimarães Amora, dedicou o Seu Ensaio de 1938, “Folhas Esquecidas”: «A meus pais e a minha irmã humildemente».
José Veiga Maltez
aos 16 de Novembro, 2016”



1227. PESSOA, Fernando. - MENSAGEM. Lisboa. Parceria António Maria Pereira. 1934. In -8º de 100, [2] págs. Br.

Quanto ao livreiro, pouco mais posso acrescentar, pelo que aqui fica este homenagem dos continuadores da sua obra:

In memoriam José Ferreira Vicente (1947 -2017)

No passado mês de Janeiro, o mundo do livro antigo perdeu precocemente um dos seus maiores: o José Ferreira Vicente, fundador da Livraria Olisipo.
Livreiro autodidata, amante das belas artes e apaixonado por literatura, os leilões que organizou, como os da Biblioteca Ernesto de Vilhena, entre outros, foram dos mais importantes leilões de livros desde a década de 1990.
O Valor do Livro Antigo, obra de que foi co-autor, é, indubitavelmente, um dos principais contributos para a valorização do mercado livreiro.
O Leilão que apresentamos, da Biblioteca Dr. Augusto Guimarães Amora, começou a ser organizado pelo José Vicente, quer nos primeiros contactos que foram feitos com a família, quer na selecção dos livros que compõem este catálogo, ficando a cargo do seu filho Bruno Vicente o trabalho de inventariação, catalogação e avaliação, numa verdadeira passagem de testemunho.

Resquiat in pace

José Pedro Rosa      Pedro Ataíde
Abril de 2017



1483. SARAMAGO, José. - OS POEMAS POSSÍVEIS. Lisboa. Portugália Editora. 1966. In -8º de 188, [4] págs. Br.

Agora cabe-vos a consulta do catálogo, que inclui obras de várias temáticas e algumas de grande raridade, mas esse prazer não vos quero tirar.

Só é pena que a leitura seja virtual (para alguns) e que não o possam folhear e sentir o gosto pela descoberta de todos os pequenos detalhes que a sua confecção nos oferece – um catálogo também é um livro com design, paginação, ilustração próprias e com lombada, como muito bem disse hoje o nosso bem conhecido Miguel de Carvalho.

Boa leitura com as minhas saudações bibliófilas.



1593. TORGA, Miguel. - RAMPA. Poema de Adolpho Rocha. Coimbra. Edições Presença. 1930. In -4º de [2], 76, [2] págs. Enc.

Os textos citados e as fotografias são da responsabilidade e copyrigth de Aqueduto – Avaliadores & Leiloeiros, Lda.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Antiquariaat FORUM BV – Our rare book catalogue for the Abu Dhabi International Book Fair (April 26 - May 2)



Abu Dhabi International Book Fair 2017

A Antiquariaat FORUM BV vai estar presente na Abu Dhabi International Book Fair (April 26 - May 2), para o que elaborou um catálogo especial.


Abu Dhabi International Book Fair – Cartaz

Sobre este leia-se o que Laurens Hesselink escreveu sobre o mesmo.

“Dear Friends & Clients,
We are happy to announce our participation in the Abu Dhabi International Book Fair, which will be held from April 26 to May 2. We will be exhibiting over 200 books, photographs, drawings and manuscripts, including several titles related to China, the Guest of Honour at the 2017 Abu Dhabi Book Fair.
Our fair catalogue can be downloaded by clicking on the image on the left, or on ths link: The Islamic World 6.
We invite you to join us in Stand A36 at the Doha Exhibition and Convention Center, which we share, as usually, with our good friends of Antiquariat INLIBRIS Gilhofer Nfg from Vienna.
Kind regards,
Laurens Hesselink”




Catalogue The Islamic World 6

Deste precioso catálogo, que apresenta um bom lote de obras de autores portugueses e espanhóis, saliento, e de acordo com os seus autores, alguns exemplares:

The Portuguese in the lands of Prester John



10. ANGUIANO, Mateo de – Epitome historial, y conquista espiritual del imperio Abyssino, en Etiopia la alta, o sobre Egypto, a cvyo emperador svelen llamar Preste Juan, los de Europa. Madrid, by Antonio Gonçalez de Reyes for Francisco Laso, 1706. 4º. Modern mottled, tanned sheepskin, gold-tooled spine. In modern slipcase.
€ 5000

First and only edition of a chronicle mainly relating the spiritual conquests of Portuguese, in the lands supposedly once ruled by the mythical Prester John (Abyssinia, Ethiopia, Egypt and Sudan). The book summarizes the entire history of the first contacts with Westerners in these lands, giving a comprehensive bibliography on the last 4 pages. It includes an account of the massacre of the Portuguese and Spaniards by the Muslim Turks in Sudan (chapters 16–17). The work also includes accounts of Spanish missionaries murdered in the Americas, notably the West Indies, Venezuela, Panama and Martinique.

With two near contemporary owner’s inscriptions on title-page and two library stamps professionally removed from the second leaf. Dampstain through the first 33 pages and a few restorations to the lower margins,; a good copy.

     Alden & Landis 706/5; Medina, BHA 2130; Palau 12706.


The first printed record of Abu Dhabi and Dubai, a genuine copy, perfectly preserved



14. BALBI, Gasparo – Viaggio dell’Indie Orientali. Venice, Camillo Borgominieri, 1590. 8º (100 × 147 mm). With woodcut title device, woodcut foliated initials and woodcut navigational diagram. Contemporary full vellum with handwritten spine title (traces of ties).
€ 150 000

First edition of this travelogue by the Venetian state jeweller and merchant, containing much information useful to the contemporary merchant, including rates of exchange, duties, travel routes and distances as well as a detailed account of the pearling grounds in the Arabian Gulf.

As only recent research by B. J. Slot has revealed, Balbi was “the first writer to record the place names between al-Qatif and Oman that are still in use today” (UAE: A New Perspective, 74). Thus, the present volume constitutes the earliest printed source for the history of the UAE, Qatar, and Oman. “Either taking his information first-hand from a local individual or using a navigator’s list, Balbi recorded place-names along the coast of modern Qatar, the United Arab Emirates and the Sultanate of Oman [...] he is the first to refer to many of these places using the names by which they are known today” (King). According to Slot, “practically none of the names of places on the coast between Qatar and Ras al Khaima occur in other sources before the end of the eighteenth century” (36). The present work is also of the utmost significance for “includ[ing] the first European record of the Bani Yas tribe” (UAE yearbook 2005, 46) – the first printed mention of the largest and most important tribe of the Arabian Peninsula, from which emerged both the Al Nahyan and the Al Maktoum dynasties, today’s ruling families of Abu Dhabi and Dubai.

 Rare: the present original edition is recorded in no more than some 20 copies worldwide (only two in the U.S., according to OCLC); most libraries hold only the Rome 1962 reprint or the microfiche edition (New Haven 1974). An Arabic translation was published in 2008; an English translation has not been prepared to this day.

Contemporary accession number “2953” in ink and 20th century pencil notes on flyleaf. Bookplate of Jean-Paul Morin (b. 1946), former director of the Saatchi & Saatchi and Publicis agencies, grandson of the painter Jean Sala, and himself well known as a traveller. A wonderfully preserved copy in its original binding.

     Edit 16, CNCE 3930. BM-STC Italian 68. Howgego I, B7. Cordier Japonica 112. Brunet I, 618. Graesse I, 279. Goldsmiths’ 251. Kress library of economic literature S 276. Ibrahim Al Abed, Peter Hellyer. United Arab Emirates: A New Perspective. London 2001. Slot, B. J. The Arabs of the Gulf, 1602–1784. Leidschendam, published with the support of the Cultural Foundation Abu Dhabi, 1993. Geoffrey King. Delmephialmas and Sircorcor: Gasparo Balbi, Dalmâ, Julfâr and a problem of transliteration. In: Arabian archeology and epigraphy 17 (2006) 248–252. United Arab Emirates yearbook 2005 by Ibrahim Al-Abed, Paula Vine, Peter Hellyer. London 2005. The Heritage Library, Qatar, p. 17. Not in Adams. Carter, Robert A. Sea of Pearls, p. 79.


Magnificent French Renaissance colour drawings of birds, including falcons and other birds of prey in a beautiful contemporary “fanfare” binding



57. [GOURDELLE, Pierre?] –  [Title on the spine of the modern box:] Recueil de dessins d’oiseaux. [Paris or Lyons?], [ca. 1550/60]. Royal 2º (42.5 × 29 cm), mostly in 4s. With a full-page coat of arms of the first owner in coloured gouaches and gold (on an oval shield: azure, a chevron or, between 3 stags’ heads caboshed), probably of the arms of Charuel (Paris?) or Bourdin; and 58 watercolour drawings of birds (and a bat) on 50 leaves, with the paper glazed and some drawings with highlights in gold. Contemporary (1560s) richly gold-tooled light brown calf, each board in a “fanfare” design, with strapwork and stylized plant decoration (with the calf darker in the strapwork and some of the plant decorations), each of the 8 spine spine compartments with the same stylized plant decorations, fillets on board edges, gilt edges. In a 20th-century black morocco clamshell box with a perspex front (so that the binding remains visible in the closed box) and “Pierre Gourdelle–Recueil de dessins d’oiseaux” in gold on the spine.
 € 2 800 000

A magnificent book of large and finely executed French Renaissance watercolour drawings of a wide variety of birds, mostly with a single large drawing (up to about 25 cm tall) on the recto of each leaf, but a few leaves show 2, 3 or 4 drawings of smaller birds together on one page to give 58 drawings on the 50 leaves. It is one of the earliest known series of French ornithological drawings and one of the best and most extensive Renaissance bird books. It shows 14 different varieties of  birds of prey, including falcons, hawks, eagles, owls, a vulture and a buzzard. Two of the falcons are shown with jesses, probably a lanner falcon (Falco biarmicus) and a kestrel (Falco tinnunculus), the former also with a bell. A lesser fish Eagle (Ichthyophaga humilis) is shown devouring a fish and a buzzard(?) devouring a snake. The book also includes a wide variety of water birds, song birds in colourful plumage (including a kingfisher), an occasional exotic species (parrot, parakeet, peacock) and even a bat. Following mythological tradition the pelican is shown feeding its young with its own blood and the wholly mythological phoenix is shown rising up out of the flames. To a mid-16th-century audience these may have appeared more plausible than the peacock.

Several of the drawings show some relation to the woodcuts in Pierre Belon, L’histoire de la nature des oyseaux (Paris, 1555), and a few are close enough to suggest that one must be based on the other or both on the same source: the bat (16: Belon, p. 114), long-eared owl (18: Belon, p. 136), vulture (43: Belon, p. 84) and no doubt others. But some (such as the peacock) only show a general similarity while others give a completely different rendering of the same or a similar species. Each work includes some species wholly absent in the other, including the present phoenix.

When the Musée Condé exhibited “Livres du cabinet de Pierre Berès” at Chateau Chantilly in 2003/04, they studied the present drawings and concluded that they were older than Belon’s 1555 woodcuts, suggesting that some of the drawings served as models for the woodblock cutter. Belon’s preliminary note to the reader says (a4r), «Mais entre les autres, ne voulants celer les noms de ceux qui nous y ont le plus servy, avons usé de l’artifice de maistre Pierre Goudet [recté Gourdet or Gourdelle] Parisien, peintre vrayment ingenieux». For this reason, the present series of drawings is attributed to Gourdelle.

By ca. 1725 the book had apparently come into British hands, for an English manuscript note accompanying an index of the drawings on the front paste-down refers to the dispersal of Jean Grolier’s library “about fifty years ago”, an allusion to Le Caille’s claim that the library remained intact until 1675/76 (this has been shown not to be true and may allude to the 1676 sale of the library of Jean Ballesdens (1595–1675), who had many books from Grolier’s library). The British owner who wrote the note suggests that this book came from Grolier’s library, but may have simply supposed that based on the style of the binding. Another anonymous English note, on leaf 10, refers to the shooting of a bustard in Dorsetshire in 1781. The book has a 19th-century armorial bookplate of Thomas Snodgrass, with motto, “beata petamus arva”. Pierre Berès acquired it from H.P. Kraus in New York in January 1949.

In very good condition. A remarkably early set of fine and large French ornithologial watercolour drawings showing 58 varieties of birds, including falcons and other birds of prey, in a contemporary fanfare binding.

     Pierre Bergé, Pierre Berès: 80 ans de passion, IV, Paris, 20 June 2006, lot 16; for the binding style: Hobson, Les relieures à la fanfare, 1970, p. 4, no. 13; for the only comparable manuscript we have located: Museum National d’Histoire Naturelle, Catalogue général des manuscripts, p. 267, ms. no. 1914.


The finest 19th-century Dutch work on horses



Boa leitura e consulta deste importante catálogo, pela informação contida de grande interesse para a história desta temática sempre fascinante.

Saudações bibliófilas com votos de uma Páscoa Feliz.

Os descritivos e as fotografias são da responsabilidade e copyright do livreiro.


quarta-feira, 12 de abril de 2017

Livraria Manuel Ferreira – 100º Catálogo de livros raros e esgotados



Manuel Ferreira

Nada melhor do que para comemorar a 500º postagem do blogue do que me associar a outro evento de elevada importância o lançamento do 100º Catálogo de livros raros e esgotados pela Livraria Manuel Ferreira |R. Dr. Alves da veiga, 89 | 4000-073 Porto | Portugal.



Na sua apresentação escreve-se:

“Há 50 anos Manuel Ferreira distribuiu entre os seus clientes aquele que foi o primeiro CATALOGO DE LIVROS RAROS E ESGOTADOS publicados pela sua livraria, fundada no Porto em 1958. Os seus verbetes, ainda hoje preservados em papel, ultrapassam em larga medida os publicados nos catálogos da nossa livraria, uma vez que a par destas publicações se dedicou também à organização de catálogos de bibliotecas particulares destinadas a leilão. Verdadeiramente foi assim que nosso pai e avô começou a sua actividade como bibliógrafo. Em 1951 organizou o seu primeiro catálogo de uma biblioteca particular, sem que nunca mais tenha interrompido esta actividade que afinal foi uma das suas grandes paixões. Conscientes do contributo que o seu trabalho empresta ao património bibliográfico português, com a publicação do nosso 100.º catálogo e sensibilizados com o seu exemplo, estamos empenhados em continuar e desenvolver esta actividade. Julgamos assim prestar a merecida homenagem ao grande bibliógrafo que foi Manuel Ferreira.”


"Tesouros de capa e lombada" in Guia Porto 2001 - Público

Vejamos alguns dos destaques seleccionados pelos autores deste muito interessante catálogo.



13688 - A ÁGUIA. Revista Quinzenal. Director e Proprietário, Álvaro Pinto. Porto. [a partir da 2.ª série, conheceu diversos directores: Teixeira de Pascoaes, António Carneiro, José de Magalhães, Leonardo Coimbra, Hernâni Cidade, Teixeira Rêgo, Sant’Anna Dionísio, Delfim Santos e Aarão de Lacerda]. 1910-1932. In-4.º e In-8.º gr. E. e B.
5.000 €

«A Águia», orgão da “Renascença Portuguesa” publicado na sequência da Implantação da República, foi das revistas que maior influência exerceram na cultura nacional, a mais importante do seu tempo e uma das mais notáveis de toda a bibliografia periódica portuguesa. Daniel Pires no «Diccionário da Imprensa Periódica Literária Portuguesa do Século XX» faz pormenorizada descrição deste periódico, de onde destacamos o seguinte texto: “A luta contra o obscurantismo, contra as trevas da ignorância, foi efectivamente a pedra de toque da Renascença Portuguesa: fundou cinco Universidades Populares, agitou culturalmente o país, editou profusamente, contando com os melhores autores da época: Afonso Duarte, António Baião, António Sérgio, Jaime Cortesão, Leonardo Coimbra, Raul Brandão, Teófilo Braga, Wenceslau de Moraes, entre muitos outros. “De uma cisão na Renascença Portuguesa, formou-se o grupo da Seara Nova, que só se constituiu em revista em 1921. Colaboração em prosa e verso da maior parte dos grandes vultos da literatura portuguesa da época, dos quais se destacam, entre muitos outros, Fernando Pessoa, Antero de Figueiredo, Augusto Casimiro, Afonso Duarte, Afonso Lopes Vieira, Alfredo Guimarães, António Carneiro, António Corrêa de Oliveira, António Nobre, António Patrício, António Sérgio, Jaime Cortesão, Leonardo Coimbra, Mário Beirão, Raul Brandão e Teixeira de Pascoaes. Revista ilustrada com numerosas estampas impressas em separado, cuja colaboração plástica se deve a António Carneiro, Cervantes de Haro, Correia Dias, Cristiano Cruz, Cristiano de Carvalho, Jaime Cortesão, J. Augusto Ribeiro, João de Deus, Júlio Ramos, Luís Filipe, Miguel de Unamuno, Raul Lino, Sanches de Castro e Virgílio Ferreira. Para mais desenvolvida informação acerca desta importante revista ainda Daniel Pires a leitura de «A Renascença Portuguesa - um movimento cultura portuense» de Alfredo Ri- beiro dos Santos ou, de Paulo Samuel «A Renascença Portuguesa - um perfil documental». Colecção constituída pelas seguintes séries: 1.ª série (de maior formato), 10 números; 2.ª série, 120 números; 3.ª série, 60 números; 4.ª série, 12 números (com o raríssimo 10-11); 5.ª série, 3 números. Colecção bastante rara e valiosa, especialmente quando acompanhada pelo raríssimo número 10-11 da 4.ª série na sua tiragem original, então apreendido pela serviços de censura. A primeira série encontra-se encadernada, estando os restantes números em brochura.



19727 - CERVANTES SAAVEDRA (D. Miguel de) – O ENGENHOSO FIDALGO DOM QUICHOTE DE LA MANCHA. Traductores Viscondes de Castilho e de Azevedo [e M. Pinheiro Chagas]. Com os desenhos de Gustavo Doré gravados por H. Pisan. Porto. Imprensa da Companhia Litteraria. MDCCCLXXVI-M DCCC LXXVIII. 2 vols. In-fólio máx. de XXXIV-II-415-I e IV-502-II págs. E.
800 €

Edição verdadeiramente monumental e primeira portuguesa com as admiráveis ilustrações do genial artista que foi Gustavo Doré, ilustrações que se apresentam estampadas à parte em muito branco e encorpado papel, apresentando ainda muitas outras gravuras e vinhetas do mesmo artista disseminadas pelas páginas do texto. Frontispícios estampados a negro e vermelho.

“Se Lisboa foi a primeira terra do mundo que reimprimiu D. Quixote, seria o Porto a que o reimprimiria em mais esplêndida e mais honrosa edição”, são palavras de Manuel Pinheiro Chagas no muito importante e erudito prefácio a esta edição.
Belas encadernações editoriais, cuidadosamente decoradas a negro, prata e ouro.



11384 - COCTEAU (Jean) –  JEAN MARAIS. Calmann-Lévy, Éditeurs. Paris. [1951]. In-8.º de 121-VII págs. B.
100 €

Primeira edição deste trabalho sobre o grande actor, pintor e escultor, Jean Marais, amante e grande amigo de Jean Cocteau que colaborou em muitos dos filmes por ele dirigidos, entre os quais se destacam L’Eternel Retour, La Belle et la Bête, L’Aigle à deux têtes, Les Parents terribles, ou Orphée.
Livro integrado na «Collection Masques et Visages» dirigida por Roger Gaillard.
Edição cuidada, ilustrada com um retrato fotográfico de Marais, assinado por Roger Corbeau e com um desenho de Cocteau na sobrecapa.
EDIÇÃO LIMITADA A 112 EXEMPLARES NUMERADOS, IMPRESSOS SOBRE PAPEL VERGÉ DES PAPETERIES DE RUYSSCHER.



35184 - CORREIA (Natália) – PASSAPORTE. Poemas de Natália Correia. Lisboa. 1958. [Editora Gráfica Portuguesa, Lda]. In-8.º de 60-IV págs. B.
200 €

Um dos primeiros e mais raros livros de poesia de Natália Correia, ligado à “tendência surrealista da poesia portuguesa”, como assinala M. Helena Ribeiro da Cunha na rubrica que lhe dedicou na «Enciclopédia Verbo das Literatura de Língua Portuguesa».

Boa encadernação inteira de pele negra, com nervuras e ferros a ouro na lombada. Com um filete gravado também ouro nos topos das pastas. Com as margens intactas, as capas da brochura e a respectiva lombada conservadas.



33273 - FORTE (António José) – UMA FACA NOS DENTES. [Edição & etc produzida por Publicações Culturais Engrenagem, Lda. Lisboa. 1983]. In-8.º quadrado de 64-IV págs. B. 
75 €

Uma das muito estimadas edições dirigidas por Vitor Silva Tavares — fundador das edições «&etc.». Com um prefácio intitulado «Nota Inútil» de Herberto Helder.

Capa da brochura ilustrada com um desenho de Carlos Ferreiro e desenhos nas páginas do texto de Aldina.

EXEMPLAR PERSONALIZADO COM DEDICATÓRIA DO AUTOR A VITOR SILVA TAVARES.



10177 - HELDER (Herberto) – COBRA. [Coovaforme - Cooperativa Operária Gráfica de Antero de Quental. Porto. 1977]. In-8.º de 79-V págs. B. 
400 €

Primeira edição de que se imprimiram apenas 1200 exemplares. Uma das originais edições “& etc” de Vitor Silva Tavares. Com um desenho impresso à parte de Carlos Ferreiro.



113 - HELDER (Herberto) – PHOTOMATON & VOX. Assírio e Alvim. [Lisboa. 1979]. In-8.º de 185-III págs. B.
125 €

Primeira e muito invulgar edição de um dos mais representativos livros do poeta e ficcionista, por muitos considerado uma das mais marcantes e originais figuras da poesia portuguesa do séc. XX.



34803 - KADERNOS. [Tip. Bélita. 3-57]. In-8.º gr. de IV págs. inums. B.
 300 €

Publicação tão curiosa quanto difícil de descrever, em papel azul, de influência surrealista, sem nome de autor ou autores, integralmente reproduzida a págs. 143 a 146 do volume IV da importante e útil obra de Pedro Veiga intitulada «Os Modernistas Portugueses». Conserva a “Cinta de Garantia Da Verdade Existencialista”. Publicação muito frágil, intacta [os cantos são picotados tendo impressas as palavras “bem-me-quere, mal-me-quere, muito pouco”]. Declarada tiragem de 501 exemplares, hoje raríssimos.



32090 - MEURSIUS (Joannes) – NOUVELLE TRADUCTION // DU // MURSIUS // connu sous le nom // d’ALOÏSIA // ou de // L’ACADÉMIE DES DAMES; // Revûe, corrigée & augmentée de près de moi- // tié, par la restitution de tout ce qui en avoit // été tronqué dans toutes les Editions qui ont // paru jusqu’à présent; & aussi délicatement // renduë qu’elle l’avoit mal été dans toutes // les précédentes: purgée des termes obscê- // nes dont elles fourmilloient, sans cependant // avoir énervé en rien la force des pensées. // Le tout orné de quantité de jolies figures en // taille-douce sur des desseins nouveaux. // DIVISÉE EN DEUX PARTIES. // (...) // A CYTHÉRE, // Dans l’Imprimerie de la Volupté. // — // M. DCCXLIX. 2 vols. In-8.º de VIII-XX-191-I; IV-XII-312 págs. E.
1250 €

Rara tradução deste clássico da literatura erótica, ilustrada com 11 gravuras alegóricas, lavradas em chapa de metal.

Frontispícios impressos a negro e vermelho.

Da descrição feita de um exemplar vendido pela Leiloeira «CHRISTIE’S» a 11 de Maio de 2011 transcrevemos: “Bien que l’on ait attribué cette traduction à l’abbé Terrasson, en raison de la lettre à l’abbé T.... qui figure en tête de l’ouvrage, l’auteur de cette “refonte” de l’Aloisia Sigeae reste ce jour inconnu. Selon Jacques Duprilot, cette édition aurait été commanditée par Xavier d’Arles de Montigny et imprimée à Auxerre, par Fournier, en 1749.

Encadernações de pele inteira, da época, gravadas a ouro na lombada e com pequenos defeitos. Com vestígios de humidade de pequena gravidade.



5550 - SÁ-CARNEIRO (Mário de) – A CONFISSÃO DE LÚCIO. Narrativa. 1914. Em casa do autor. 1, Travessa do Carmo. Lisboa. [No fim: Acabado de imprimir para o Autor nos prelos da Tipografia do Comercio em 1 de Novembro de 1913]. In-8.º gr. de 206-II págs. E.
750 €

É a primeira edição desta obra notável de Mário de Sá-Carneiro, obra que marca um lugar de grande destaque no movimento modernista da literatura portuguesa. Edição de muito restrito número de exemplares.

Boa encadernação inteira de pele, com nervuras e ferros a ouro na lombada, tendo na pasta da frente, também gravado a ouro, o nome do autor, o respectivo título e uma gravura [flor] decorativa, tudo circundado por um fino fio de ouro que se repete na pasta posterior. Exemplar com as margens intactas mas com falta da capa da brochura.



34495 - SETE POEMAS PARA JULIO. Sophia de Mello Breyner Andresen, Mário Cesariny, António Ramos Rosa, Alberto de Lacerda, Eugénio Lisboa, Pedro Tamen, Bernardo Frey. [JÚLIO. Um Álbum Poético]. [Composto e impresso por Soc. Gráfica Telles da Silva, Lda. 1988]. In-fólio E.
1500 €

Edição de magnífica qualidade e extraordinário bom gosto de sete serigrafias de belos desenhos de Júlio reproduzidos a cores e a negro, medindo 50 x 82 cm., cuja tiragem foi confinada a 230 exemplares numerados e assinados pelo serígrafo António Inverno e autenticados com o selo branco de Júlio. As poesias dos autores acima referidos vêm num elegante volume, com a justificação da tiragem assinada por Maria Augusta Reis Pereira.

O conjunto está conservado num portfólio em tela azul, com atilhos, especialmente concebido para a edição.



35150 - VERNEY (Luís António) – PARECER // DO DOUTOR // APOLONIO PHILOMUSO // LISBONENSE, // Dirigido a um grande PRELADO do Reino // de Portugal, // Àcerca de um papel intitulado Retrato de Mortecor, seo // Autor D. Alethophilo Candido de Lacerda. [No fim: SALAMANCA // Na Officina de Garcia Onorato 1750. Com Licensa dos Superiores.]. In-4.º peq. de 102 págs. E.
500 €

Publicação muito rara, com interesse para a bibliografia da importante polémica criada ao redor da publicação do Verdadeiro Método de Estudar, onde Verney, sob anonimato, de forma respeitosa mas implacável analisa os livros e os métodos de ensino da Companhia de Jesus, confrontando a situação do ensino em Portugal com o conhecimento Europeu iluminista.

António Alberto Banha de Andrade no seu monumental trabalho «Vernei e a Cultura do seu Tempo», acerca do Parecer do Doutor Apolonio Philomuso Lisboense (...) confirma a existência de duas distintas edições supostamente publicadas em 1750, ambas com 102 páginas, mas que facilmente se distinguem uma vez que uma — a que agora apresentamos — tem registo tipográfico no cólofon [SALAMANCA // Na Officina de Garcia Onorato 1750// Com Licensa dos Superiores] e a outra termina com uma ADVERTENCIA, sem qualquer registo tipográfico.

A págs. 456 do seu importantíssimo trabalho, Banha de Andrade recolhe alguns elementos respeitantes aos verdadeiros editores que imprimiram de forma recatada com receio das perseguições e castigos do Santo Ofício, onde atribui a Generoso Salomão, que nas sua oficina em Roma, terá dado à luz da imprensa o opúsculo supostamente impresso em Salamanca. Já relativamente à impressão que termina com uma ADVERTÊNCIA e sem qualquer indicação de registo tipográfico, reporta a impressão para o Convento dos Lóios, considerando-a 2.ª edição. Diz ainda o Prof. Banha de Andrade crer que a indicação do ano não seja exacta e que o folheto se não terá estampado antes de 1751, confirmando ainda a informação dada por Barbosa Machado e Inocêncio no que diz respeito à revelação do verdadeiro autor deste opúsculo publicado sob pseudónimo. Atribui assim, e de forma inequívoca, a autoria deste Parecer a Luis António Vernei. Refere, no entanto, os «Subsídios para um Diccionário de Pseudónimos» de Martinho da Fonseca, onde diz que, talvez influenciado por Téofilo Braga [no texto preliminar dos Subsídios intitulado «Poucas Palavras], inventa um pseudónimo que julgamos não ter existido.

Banha de Andrade continua, dizendo que Martinho “Atribui o Parecer a Apolónio Filomeno, que identifica com Luis Vernei, mas que a seguir se refere a Apolonio Philomuso Lisbonense [Lisboense ?] imaginando tratar-se de Alexandre de Gusmão (...)”. Conclui assim Banha de Andrade: “Ora, nos próprios Subsídios para um Dicionário de Pseudónimos, se encontram elementos para deslindar o equívoco — no título das «Advertências criticas sobre o juizo (...) que formou o Dr. Apolónio Filomuso e comunicou ao público em a resposta ao «Retrato de Morte-Còr (pág. 9). Esta resposta é o Parecer. Ficamos, pois, sem saber se Martinho da Fonseca pretende atribuir este panfleto a Vernei, se a Alexandre de Gusmão.”

De seguida transcrevemos as primeiras linhas do opúsculo que apresentamos, onde o autor começa por justificar as motivações que o levaram a redigir este opúsculo ou, de forma encoberta, procura desviar as atenções do Santo Ofício, sem deixar de entrar na contenda criada com a publicação do Verdadeiro Método de Estudar:
“Excelentisimo, e Reverendisimo Senhor. Manda-me V. E. dizer o meo parecer sobre o papel composto por *** debaixo do nome de D. Alethophilo Candido de Lacerda, [Joaquim Rebelo, autor do Retrato de mortecor], em que pertende impugnar o Autor do Verdadeiro Metodo e me-ordena lhe diga, 1. que fim se-propoz este autor: 2. que doutrina e metodo tem: 3. que utilidade pode rezultar a quem o-ler. (...)”.

Encadernação inteira de pele, da época.


Gravura

Aqui fica esta minha singela homenagem a uma das grandes figuras da nossa bibliofilia – Manuel Ferreira.

Saudações bibliófilas


Livraria Manuel Ferreira – logótipo

Os descritivos e as fotografias são da inteira responsabilidade do livreiro e seu copyrigth.