"Se não te agradar o estylo,e o methodo, que sigo, terás paciência, porque não posso saber o teu génio, mas se lendo encontrares alguns erros, (como pode suceder, que encontres) ficar-tehey em grande obrigação se delles me advertires, para que emendando-os fique o teu gosto mais satisfeito"
Bento Morganti - Nummismologia. Lisboa, 1737. no Prólogo «A Quem Ler»

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segunda-feira, 13 de junho de 2016

José F. Vicente – Leilão da Biblioteca de Ramiro Teixeira e Outras Proveniências.


José F. Vicente vai organizar mais um dos seus leilões; desta vez será parte da Biblioteca de Ramiro Teixeira e de livros de outras proveniências.



O leilão terá lugar nos dias 20, 21 e 22 de Junho de 2016 às 21h e a Exposição decorrerá nos dias 19, 20, 21 e 22 de Junho das 15h às 20h.

O leilão processar-se-á do seguinte modo:

1ª sessão – Lotes 1 a 470
2ª sessão – Lotes 471 a 945
3ª sessão – Lotes 946 a 1418

Como sempre, tanto a exposição como o leilão decorrerão no Palácio da Independência | Largo de São Domingos, 11 (ao Rossio) |1150320 Lisboa



Desta vez, vou propor uma outra abordagem: deixo aqui somente a notícia do evento e vou fazer aquilo que vos desafio a fazer – ler atentamente o catálogo e fazer uma selecção de obras que me interessariam licitar (e obviamente comprar)



No próximo artigo prometo partilhar as minhas dificuldades e estratégias para tentar adquirir aquilo que mais me interessa.

Tem bons lotes na temática camiliana e um excelente conjunto de manuscritos. As revistas literárias, sempre com muita procura, também estão bem representadas.



(Claro que já comecei a trabalhar e a primeira listagem deixou-me aterrorizado: a bolsa era demasiadamente curta para os meus propósitos!

Agora estou na fase dos “cortes” que é a parte mais difícil – que escolher e como garantir a sua compra sem “cometer loucuras”!)

Saudações bibliófilas e votos de um bom trabalho.

domingo, 31 de janeiro de 2016

Cabinet Chaptal – Sélection de livres & manuscrits - Janvier 2016



Cabinet Chaptal | Librairie Juliette Drouet & Librairie Nicolas Malais

Como é uma das características das selecções elaboradas por esta Livraria – Cabinet Chaptal | Librairie Juliette Drouet & Librairie Nicolas Malais |1, rue de Fleurus | 75006 Paris – vamos encontrar livros e manuscritos de temáticas variadas, mas onde estão sempre presentes documentos que nos servem para aprofundar  a nossa compreensão, ou para um estudo mais específico de um tema, da História de França.



 Aqui vos deixo dois exemplos:



3. KORNMAN, Guillaume. Mémoire sur une question d'adultère. Mémoire sur une question d'adultère, de séduction et de diffamation, pour le sieur Kornman, contre la dame Kornman, son épouse, le sieur Daudet de Jossan, le sieur Pierre-Augustin Caron de Beaumarchais, et M. Lenoir. Sans lieu, 1787; in-8, (4), 134, (2), 32pp.

Broché, sans couverture. Premier et dernier feuillets salis, quelques rousseurs et mouillures, papier effilé sur les bords. [85 euros]

Guillaume Kornman était un banquier, dont le procès contre sa femme, soutenue par Beaumarchais, a été particulièrement retentissant.

Le couple Kornman vivait à Paris. Madame Kornman, une jeune Suisse fortunée, prit pour amant Daudet de Jossan et menaça son mari de demander une séparation de biens. Craignant de perdre à la fois sa femme et surtout la dot, Guillaume Kornmann, qui entre-temps était presque ruiné, obtint du lieutenant de police une lettre de cachet et fit enfermer son épouse dans la maison disciplinaire des dames Douai. Sur les instances d’amis communs, Beaumarchais vint au secours de Mme Kornmann, qui fut bientôt libérée mais ne réussit pas à obtenir une séparation de corps et de biens.

Le mari porta alors plainte contre son épouse et contre l’amant pour adultère, contre Beaumarchais et le lieutenant de police Lenoir pour diffamation et complicité d’adultère. Il prit pour avocat son ami Nicolas Bergasse. Beaumarchais fut innocenté par arrêt du Parlement du 2 avril 1789, et il fallut attendre 1793 pour que Madame Kormann obtint enfin le divorce, créé par la loi du 20 septembre 1792.



5. [CHANSON ROYALISTE FIN XVIIIe - DÉBUT XIXe]. Manuscrit de la chanson royaliste : Cri national, datant de l’époque révolutionnaire ; 3 pages (7 couplets). [100 euros]

Vive le roi, vive le roi (bis)
C’est le cri de la France entiere
Que l’ennemi tremble d’effroi
En lisant sur notre bannière
Oui jusqu’à notre heure derniere.
Vive le roi (bis)
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Vive le roi (bis)
Bon peuple le ciel la fait naître
Sur la même terre que toi
Et tout français digne de l’être
Ne veut plus qu’un françois pour mêtre

(Ces deux derniers vers sont une allusion à Napoléon, né en Corse peu de temps après le rattachement à la France et toujours considéré comme un étranger.)

Boas leituras e saudações bibliófilas.

domingo, 7 de junho de 2015

Eclética Livraria Alfarrabista – Leilão de Biblioteca Particular (III Parte)




159. MANUSCRITO. s.d. – [ESCUDOS de Portugal]. 247 brasões, [7] ff.; 215 mm. Encadernação inteira de pele do séc. XVII, cansada; corte das folhas dourado e cinzelado; folhas dos brasões em bom estado geral, sem defeitos de maior. [€ 1 000,00 — 1 500,00]


Ecléctica – Livraria Alfarrabista vai realizar na sua Sala de Leilões na Travesa André Valente, 26 o Leilão de uma Biblioteca Particular (III Parte) no dia 16 de Junho, em Lisboa, nas  suas novas instalações.



O Leilão decorrerá a 16 de Junho de 2015 pelas 21h15

A Exposição terá lugar nos dias:
12 a 15 de Junho
das 11h00 às 13h00
das 15h00 às 19h00

O catálogo é uma selecção de obras de grande valor, incluindo um exemplar da primeira edição da História, Conquista e Descobrimento da Índia de Fernão Castanheda, um Atlas Maior de Blaeu, considerado por muitos o maior e o melhor atlas alguma vez publicado no mundo ou a primeira edição dos Sonetos de Antero, também conhecida por edição de Sténio, além de várias obras da tipografia portuguesa do século XVI, obras raras sobre os descobrimentos e conquistas portuguesas no oriente entre outras obras.

Mas vejamos então algumas destas preciosidades.

[As imagens deste catálogo, apesar de obtidas a partir dos exemplares nele constantes, são apenas ilustrações, não podendo, portanto, tirar-se qualquer ilação sobre o seu estado de conservação. - Nota do Organizador]



3. AFONSO (Diogo)HISTOREA da Vida e Martyrio do glorioso sancto Thomas Arcebispo, senhor de Cantuaria, Primas de Inglaterra, Legado perpetuo da sancta see Apostolica, treladada nouamente de Latim em lingoage Portugues. Coimbra: João Alvarez, 1554
[]4, A-T8, V4, X6; [8], ccci, [20] pp.; 185 mm. Encadernação de Frederico de Almeida em pergaminho com o super-libris heráldico de Miguel de Faria e decoração a seco nas pastas e lombada, rótulo grená com títulos a ouro na lombada; ex-libris de Miguel de Faria; corte das folhas carminado; limpo; com falta do último fólio da ‘Taboada’, apresentando-se uma cópia manuscrita do mesmo. [€ 400,00 — 600,00]
25. BENADUCCI (Lorenzo Boturini) – IDEA de uma Nueva Historia General de la America Septentrional. En Madrid: en la Imprenta de Juan de Zuñiga, 1746.

¶-5¶4, A-X4, *4, A-M4; portada, retrato, [40], 168, [8], 96 pp.; 205 mm. Bom exemplar; encadernação em pergaminho da época com folhas de guarda novas; manchas ocasionais.
[€ 800,00 — 1 200,00]

PRIMEIRA edição desta descrição histórica e de costumes do México, ilustrado com uma portada alegórica com o retrato de Fernando VI e um retrato do autor.

Lorenz o Boturini, oriundo de uma família humilde, estudou em Milão e viveu em Trieste e Viena.
Supostamente obrigado a deixar a Áustria por causa da guerra com Espanha, fixou-se em Portugal procurando incorporar-se na corte de Lisboa. Não o conseguindo logo se voltou para Espanha. Indo para Zaragoza conheceu um militar aragonês, Manuel Codallos que lhe falou da “Nova Espanha” e de interessantes notícias como a dos rumores de uma imagem milagrosa na Cidade do México, Nossa Senhora de Guadalupe. Em Madrid conheceu a Condessa de Santibáñez que supostamente possuía privilégios de renda concedidos à sua linhagem por ser supostamente descendente do soberano mexicano Motecuhsoma Xoxouotzin.
Boturini foi então para a América tendo chegado em 1736, aí permanecendo 8 anos, tratando familiarmente com os índios, cuja língua aprendeu, e com espanhóis eruditos, formando um museu precioso constituído por manuscritos, mapas e pinturas antigas mexicanas.Suspeito de crime, apreenderam-lhe toda a colecção e foi enviado preso para Espanha, tendo aí sido julgado e absolvido, acabando por morrer na miséria em 1781.
Esta sua obra, dividida em duas partes, fala das tradições e história dos indígenas mexicanos e possui uma última parte com um ‘Catalogo del Museo historico indiano del Caballero Lorenzo Boturini Benaduci [...]’. Raro e valioso.

§§ Brunet, v. 1, c. 1146



27. BLAEU (Jan) – ATLAS Mayor, sino Geographia Blaviana, en la qual exactamente se descrive la tierra, el mar, y el cielo. Amsterdam: Jan Blaeu, 1658-1662 11 v.; folio, como se segue.

Vol. 1: NUEVO Atlas o Teatro del Mundo. Amsterdam, 1658. Frontispício, 70 mapas, incluindo o importante mapa mundo tido como um dos melhores alguma vez impresso.
Vol. 2: NUEVO Atlas de las Partes Orientales de Europa. Amsterdam, 1658. Frontispicio e 29 mapas.
Vol. 3: PARTE del Atlas Mayor, o Geographia Blaviana, que contiene las cartas y descripciones de Alemania. Amsterdam, 1662. Frontispício e 96 mapas; pasta posterior da encadernação com mancha.
Vol. 4: PRIMERA Parte de los Paises Baxos o Bélgica Real. Amsterdam, 1663. Frontispício, portada com vinheta gravada “Paises Baxos o Belica dividida en dos partes...” e 63 mapas.
Vol. 5: NUEVO Atlas del Reyno de Inglaterra. Amsterdam, 1659. Frontispício e 58 mapas.
Vol. 6: NUEVO Atlas de los Reynos de Escocia e Yrlanda. Amsterdam, 1659. Frontispício gravado e 55 mapas
Vol. 7: ATLAS Mayor o Geographia Blaviana que contiene las cartas y descripciones de Francia y Helvetia. Amsterdam, 1662. Frontispício gravado e 69 mapas em 66 fol.; mancha de humidade na margem superior de cerca de metade do volume; pasta anterior com mancha.
Vol. 8: Geographiae Blavianae Volumen Octavum quo Italia, Quae Est Europae. Amsterdam, 1662. Frontispício com vinheta gravada e 60 mapas.
Vol. 9: Geographiae Blavianae Volumen Nonum Quo Hispania, Africa et Asia, continentur. Amsterdam, 1662. Frontispício com vinheta gravada (com acrescento de papel modificando o título), dedicatoria a Felipe IV e 28 mapas (8 deles do Escorial).
Segue com frontispício próprio: AFRICA quae est Geographiae Blavianae pars tertia. Amsterdam, 1662. Frontispício com vinheta gravada e 13 mapas. Segue com frontispício próprio: ASIA quae est Geographiae Blavianae pars quarta libri duo, volumen decimum. Frontispício com vinheta gravada, frontispício gravado e 11 mapas. 1 fol. de índice. Total do volume, 52 mapas; manchas de humidade, restauros, a sua maioria na dobra das gravuras da parte da Hispania.
Vol. 10: NOVUS Atlas Sinensis a Martino Martinio. Amsterdam, 1658. Frontispício gravado, outro frontispício com vinheta (Atlas nuevo de la extrema Asia o descripción geographica del Imperio de los Chinas) e 17 mapas.
Vol. 11: AMERICA quae est Geographiae Blavianae pars quinta, liber unus. Volumen undecimum. Amsterdam, 1662. Frontispicio com vinheta gravada e 23 mapas. Algumas manchas. Volumes 8, 9, 10 e 11 da edição latina. Encadernações com pastas em pergaminho e lombada em pele da época, decoradas a ouro nas pastas e lombadas; atilhos (faltando alguns); carimbos de posse na margem de alguns folios “L. Escriva de Romani”. De forma geral um bom exemplar com ligeira acidez. [€ 70 000,00 — 100 000,00]



A MAIS RARA edição do maior e melhor Atlas alguma vez publicado, sendo o ponto mais alto de décadas de trabalho pela família Blaeu.
Entre 1662 e 1672 Joan Blaeu publicou o seu famoso ‘Atlas Maior’ em Amsterdão. O Atlas foi publicado em latim, francês, holandês e espanhol e, dependendo da edição, encadernado em nove a doze volumes. Com perto de 600 mapas cobrindo o mundo conhecido de então, o Atlas foi o maior e mais caro livro publicado no século XVII. Por mais de 100 anos, a obra de Blaeu foi o Atlas padrão usado em todo o mundo e hoje é desejado por muitos coleccionadores no mundo inteiro.
A história desta extraordinária empresa começa com Willem Janszoon Blaeu, nascido em 1571 e discípulo de Tycho Brahe, o famoso astrónomo dinamarquês. Willem funda, em 1599 em Amsterdam uma oficina de construção de globos e instrumentos vários, logo se expandindo para a impressão de mapas e livros com mapas marítimos. Ao mesmo tempo, Willem planeava a impressão de um atlas mais ambicioso que incluía os mais actualizados mapas do mundo conhecido, mas o processo foi lento e só com a inclusão de alguns mapas do Atlas de Mercator de Jodocus Hondius II, permitiu a sua publicação em 1630 com o título de ‘Atlantis Appendix’. Só cinco anos depois conseguiu terminar a publicação do seu ‘Atlas Novus’ ou ‘Theatrum Orbis Terrarum’ em dois volumes.
Em 1638, Willem morre e deixa o seu negócio aos seus filhos Joan e Cornelis que continuaram e aumentaram a obra do pai. Depois da morte de Cornelis, Joan dirige a publicação de uma nova série em 6 volumes completada em 1655. Assim que terminou, iniciou o projecto de aumentar ainda mais o seu Atlas e, em 1662 finalmente publica o seu ‘Atlas Maior’.
A raríssima edição espanhola, em contraste com as restantes edições em outras línguas, foi impressa ao longo de 15 anos, em tiragens mais pequenas, com frontispícios próprios e não foram numeradas. A origem deste projecto está na decisão de publicar um Atlas Nuevo de España com o volume da Escócia, publicado pela primeira vez em 1657 e o da China no ano seguinte. Apesar de ser o nono volume da série, na verdade foi o último a ser impresso, em 1672, ano em que um incêndio destruiu grande parte das chapas e mapas já impressos do Atlas Maior e que levou ao abandono do projecto de um outro volume para Ásia, África e América.
Este é, e sem dúvida ainda permanece, o mais significativo trabalho do género alguma vez realizado.



40. CAMÕES (Luís de)RIMAS de Luís de Camões. Primeira parte novamente acrescentadas, & emendadas nesta Impressão. Dirigidas a D. Gonçalo Coutinho [...]. Em Lisboa: Por Antonio Alvarez, 1621.

8.º; ¶8, A-Z, A, b8, c7; [8], 202, [5] ff.; 200 mm. Exemplar com ligeira acidez e corte das folhas carminado; soberbamente encadernado em chagrin vermelho, extraordinaria e sobriamente decorada a ouro nas pastas, lombada e seixas e folhas de guarda em seda, assinada Victor Santos. [€ 1 500,00 — 2 500,00]
Edição raríssima das Rimas de Camões, não referenciada por Ameal ou Samodães. O catálogo de Fernando Palha considera-a “très rare et recherchée”. Segundo José do Canto, esta edição foi inteiramente realizada da mesma forma que a edição de 1607 e, apesar da indicação de ‘quinta impressam’ no Prólogo ao leitor, trata-se, de facto, da 6.a, sendo que nunca chegou a publicar a segunda parte desta obra.

§§ José do Canto, 23; Inocêncio, v. 13.º, n. 24; Palha, 1627.



46. CASTANHEDA (Fernão Lopes de)[HISTÓRIA do descobrimento e conquista da Índia pelos portugueses]. Coimbra: João Barreira & João Álvares, 1552-1561.

8 partes como se segue:

Vol. I: HISTORIA do descobrimento & conquista da India pelos portugueses. Coimbra, João de Barreira, 1554. []2, A-L8, M5; [4], ccii pp. Segunda edição.
Vol. II: HISTORIA do livro segundo do descobrimento & conquista da Índia pelos Portuguezes. Coimbra, João de Barreira e João Alvares, 1552. ¶4, A-P8; [8], 239, [1] pp.; ilustrado com várias xilogravuras no texto; primeiro fólio de texto com aparo excessivo, cortando muito ligeiramente a cercadura do texto.
Vol. III: HO TERCEIRO livro da História do descobrimento & conquista da Índia pelos Portuguezes. Coimbra, João de Barreira e João Alvares, 1552. []2, A-T8, V6; [4], 303, [5] pp.; pequenos restauros junto ao festo no frontispício e nos fólios A3 e A6.
Vol. IV: Os LIVROS quarto & quinto da História do descobrimento & conquista da Índia pelos Portuguezes. Coimbra, João de Barreira e João Alvares, 1553. []4, A-D8, E6, F-N8, O4; [8], ccx, [2] pp.; cadernos A e B com pequenos restauros marginais; aparo excessivo nos fólios []2, A2, C5, G6, I3 e I6 afectando assinaturas ou títulos.
Vol. V: HO LIVRO SEXTO da História do descobrimento & conquista da Índia pelos Portuguezes. Coimbra, João de Barreira, 1554. []2, A-M8, N3; [4], cxcviii pp.; fólio A2 facsimilado; aparo excessivo afectando a assinatura no folio B2; ocasionais restauros marginais.
Vol. VI: HO SEITIMO livro da História do descobrimento & conquista da Índia pelos Portuguezes.
S.l., s.n., 1554. []2, a-k8, l6; [4], clxvi pp.
Vol. VII: HO OCTACO livro da História do descobrimento & conquista da Índia pelos Portuguezes. Coimbra, João de Barreira, 1561. []2, A-R8, S6; [4], 283 pp.; aparo excessivo no caderno A afectando assinaturas, folio S6 restaurado e espelhado não afectando a mancha tipográfica; algumas manchas.

No total 7 volumes. UM BELÍSSIMO EXE MPLAR, com poucos defeitos; encadernações inteiras de pergaminho moderno, decoradas com filete simples a ouro nas pastas e títulos a ouro nas lombadas; corte das folhas carminado; guardado em duas caixas em tela branca. [€ 60 000,00 — 80 000,00]

PRIMEIRA parte da segunda edição, restantes partes da PRIMEIRA edição, RARÍSSIMA, desta extraordinária obra quinhentista, provavelmente a mais importante que então se publicou sobre a chegada à Índia. Segundo António José Saraiva, a ‘História do descobrimento e conquista da Índia’«é talvez a exposição de conjunto mais objectiva e exacta da expansão dos portugueses no Oriente.»
Fernão Lopes de Castanheda trabalhou cerca de 20 anos nesta sua obra, tendo falecido de forma bastante modesta em Coimbra em 1559. D. Manuel e Inocêncio dizem que nasceu em Santarém, cerca de 1500. Entrando muito novo para a ordem de S. Domingos, da qual saiu pouco depois, partiu com seu pai, Lopo Fernandes de Castanheda, em 1528, para a Índia com a armada de Nuno da Cunha aí passando 10 anos. Durante esse tempo estudou os documentos, colheu informações e falou com aqueles que tinham presenciado os factos sobre os quais desejava escrever. A obra começa com o descobrimento do caminho marítimo e pretendia terminar com o segundo cerco de Diu em 1546, mas o seu projecto nunca terminou, acabando apenas por serem publicados 8 volumes dos 10 planeados, tendo-se apenas salvado 31 capítulos do livro 9, copiados pelo jesuíta Maffei. D. Manuel, “excessivamente rara”: Inocêncio, “raríssima edição”.

§§ Dicionário de História de Portugal, v. 1, p. 520; D. Manuel, 295; Inocêncio, v. 2, p. 284; Travel and Exploration, 617; Anselmo 130, 131, 132, 159, 290, 291 e 297; João Ruas, D. Manuel, v. 1, 101.



86. DESCARTES (René)DE HOMINE Figuris et Latinitate Donatus a Florentio Schuyl [...]. Lugduni Batavorum: Apud Franscicum Moyardum & Petrum Leffen, 1662.

4.º; a-d4, e2, A-P4, Q2; [36], 121, [1] pp., 10 gravs.: il.; 215 mm. Encadernação em pergaminho rígido da época; em bom estado geral de conservação, apenas com acidez em poucos fólios e um corte de traça marginal no final do volume. [€ 800,00 — 1 000,00]

RARÍSSIMA primeira edição deste importantíssimo texto de René Descartes onde o filósofo desenvolve o seu conceito de dualismo corpo-mente e o automatismo animal no homem, considerado por muitos como um apêndice fisiológico do seu Discurso do Método. Nesta obra Descartes defende que o corpo humano seria como uma máquina sujeita às leis da natureza e de que a alma, pelo contrário, era imaterial e portanto, não seguia as leis naturais.
A obra está ilustrada com 10 gravuras à parte e mais 54 no texto, muitas de página inteira, representado partes do corpo humano.
A primeira edição em língua francesa apareceu 2 anos depois, em 1664.



147. MANUSCRITO. 1730BRAZÃO DARMAS De Alvaro Pinto de Souza e Carvalho Coutinho. [8] ff. em pergaminho; 310 mm. Encadernação da época em tecido, vestígios de atilhos, cansada; carta em bom estado geral de conservação. [€ 2 000,00 — 3 000,00]

FANTÁSTICA carta de Brasão de Armas de Álvaro Pinto de Sousa e Carvalho Coutinho, escrita em pergaminho, iluminada. A Carta possui: f. 1, em branco; f.2. portada com os dizeres “Brazao Darmas Anno de 1730; f. 2 vo com uma bonita pintura com motivos florais; f. 3. Novo frontispício com o título indicado em cima ao centro de uma bonita pintura que a decora; f.3 vo com uma pintura de temática militar; f. 4 começa a carta; f. 5 o brasão de armas; termina a carta no fol. 6 vo; f. 7 com nova pintura de temática militar; f. 8 em branco.



199. QUENTAL (Antero de)SONETOS. Coimbra: Sténio [Alberto Teles], 1861.
XII, 23, [3] pp. Exemplar que ostenta um poema na última página em branco, manuscrita e assinada João de Deus, autor a quem é dedicada a obra por Antero. Encadernação moderna inteira de pele; acidez; sem capas. [€ 3 000,00 — 5 000,00]

RARÍSSIMA primeira edição e, sem sombra de dúvida, uma das obras da literatura portuguesa de oitocentos mais raras, senão mesmo a mais rara.
Obra inaugural da vida literária de Antero, contém 21 sonetos editados por Alberto Teles usando o pseudónimo ‘Sténio’, nome pelo qual é também conhecida esta edição e na qual também colabora com um poema de sua autoria.
Sobre a importância dos sonetos na obra poética anteriana escreve Fátima Freitas Morna, «[...] a primeira obra impressa do poeta fora, em 1861, um conjunto de 21 sonetos [...] dedicado a João de Deus num prólogo em que A.Q. situa, remetendo-o para o amigo, o ressurgimento do soneto. Trata-se de, num movimento similar ao que se verifica nas Odes, procurar possibilidades expressivas novas no interior de uma tradição antiga (aqui renascentista), só aparentemente esgotada, mas que garantia alguma distância em relação ao passado imediato». E são os sonetos de Antero que levam Fernando Pessoa a considerar o poeta como o «ponto de partida da transformação que conduzirá à modernidade literária» [cit. De Biblos].
É, em suma, uma obra importantíssima para qualquer colecção dedicada à literatura portuguesa.

§§ Biblios, v. 4, c.528 e ss.; Laureano Barros, 495.

Bom aqui deixo o meu convite para uma leitura atenta e criteriosa deste catálogo muito bem elaborado.

Convirá não esquecer que estamos quase em “período de férias” de leilões, pelo que poderemos “fazer algumas contas” para ver se poderemos avançar, ou não, para alguma compra.

[Lamento não ter referido as Parte I e II, mas só tive conhecimento desta, de que recebi a informação via email com o pdf do catálogo e posteriormente o mesmo impresso – o qual agradeço ao Nuno Gonçalves)



Ecléctica Livraria Alfarrabista

Claro que esta Livraria Alfarrabista não faz só leilões pelo que vos deixo um convite para uma visita às instalações da sua Sede e Loja na Calçada do Combro, 50 1200-115 Lisboa, Portugal.

Saudações bibliófilas.

domingo, 17 de maio de 2015

Cabinet Chaptal – Librairie Juliette Drouet & Librairie Nicolas Malais – alguns apontamentos de história.




O Cabinet Chaptal – Librairie Juliette Drouet & Librairie Nicolas Malais 1 rue de Fleurus, 75006 Paris apresentou a sua Sélection de livres & autographes - Mai 2015, onde apresenta dez livros, autografos e manuscritos do séc. XVI ao séc. XX.
(aliás de que já se deu aqui notícia sumária pelo Natal de 2014…os tempos estão mesmo difíceis!)

Na newsletter também refere outros títulos de que deixo aqui dois exemplos:



5. [Colportage] - Histoire des quatre fils d'Aymon, revue & corrigée de nouveau & augmentée de plusieurs figures. Limoges, F. Chapoulaud, sans date [début XIX°] ; in-8, 126pp. Cartonnage à la bradel moderne.

30 bois in texte (y compris la vignette sur le titre), certains répétés. Ces illustrations naïves avaient servi dans l'édition limousine de Jacques Farne. Rare production de François Chapoulaud, qui exerça à Limoges de 1794 à 1840.

Cette histoire est à l'origine une chanson de geste qui raconte le conflit entre les quatre fils d'Aymon et Charlemagne, l'un d'eux ayant tué un neveu de l'empereur lors d'une partie d'échecs.
Clément-Simon, Curiosités de la bibliographie limousine, p.221 ; Nisard, II-523 ; Oberlé, « La bibliothèque bleue », n°69. [180 euros]



6. MULSANT, Etienne.  Lettres à Julie sur l'ornithologie. Paris, A. Laplace, [1868]; grand in-8, XII, 367, (1)pp., 16pl. Demi-chagrin brun, dos à nerfs orné, tranches dorées. Un mors fendu, quelques rousseurs, mouillure claire en début de volume.

16 planches d'oiseaux en couleurs par le célèbre peintre animalier Edouard Traviès. Spécialisé dans la peinture d'oiseaux et d'insectes, Traviès illustra les oiseaux de Buffon et la Galerie ornithologique de d'Orbigny, ainsi que des ouvrages de vénerie. [450 euros]



Deste pequeno, msas excelente conjunto, vou destacar duas peças que não puderam deixar de atrair a minha atenção.

Claro que logo na abertura temos um conjunto de inquestionável raridade e interesse, mas para um tipo muito especial de coleccionadores:

A. Exceptionnelle & émouvante correspondance amoureuse de 38 pages adressées à Jean Paul Sartre avant sa rencontre avec Simone de Beauvoir.




Mas estou mais interessado em dois outros manuscritos que pertencem à história da medicina e historiografia geral (o primeiro) e da história da tipografia (o segundo)

2. Les archives et la vie au jour le jour d’un noble de Marseille témoin de la grande peste de 1720.


Cena da peste de 1720 em Tourette (Marseille)
Quadro de Michel Serre (museu Atger, Montpellier).
[L'inhumation des cadavres à la Tourette par le chevalier Roze,
qui figure de façon exemplaire l'intervention de l'État,
a été l'objet de représentations iconographiques nombreuses].

Leblanc, Jean-André [Manuscrit] - Livre de Raison, Marseille, 1716 -1743. In-4º, plein parchemin XVIIIe, 264 p.



Très important livre de raison d’un riche propriétaire terrien, dernier héritier d’une grande famille de Marseille.

Plus qu’un simple livre de raison, ce manuscrit d’une écriture très lisible & soignée, présente la vie au jour le jour d’un noble de Marseille dans la première moitié du XVIIIe siècle et constitue la mémoire d’une grande famille : les Leblanc. Jean-André - mort en 1759 - étant le dernier héritier de leur branche Altoviti. Petit-neveu d’un mousquetaire, membre d’une famille qui donna plusieurs conseillers au Parlement, Jean-André hérita une fortune considérable de ses oncles. (Cf. les Additions à L’état de la Provence dans la Noblesse, 1693, tome 3., pp. 12-13.)



Ce livre de raison s’organise selon deux grands axes : d’une part les archives familiales et d’autre part les notes - parfois autobiographiques - sur la vie quotidienne, année par année.

Les archives familiales, donnent ainsi la description des nombreuses propriétés et terres dont Leblanc hérita entre Marseille et Aix-en-Provence et fournissent trace des nombreuses pensions dont il bénéficiait. On remarque entre autres les rentes que lui rapporte l’Hôpital Saint- Esprit de Marseille, ses nombreuses propriétés de Saint-Loup et diverses maisons, notamment rue d’Aubagne à Marseille. Les terres de Ventabren (près d’Aix) sont également évoquées. Leblanc détaille les différents actes de propriété et donne l’historique des anciens propriétaires de ses biens; il évoque également les testaments familiaux dont il possède copie.

On note au fil des pages un grand nombre de personnages du Marseille de l’époque, notamment le Chevalier Rose, héros de la peste de 1720, avec lequel Leblanc partageait un banc à l’église Saint-Martin de Marseille, qu’il acheta 60 livres à son cousin en 1729.



La seconde partie du manuscrit est constituée par le descriptif de la vie et des dépenses quotidiennes. Chaque année est présentée par un onglet - de 1716 à 1742 - et tient en une à deux pages. Leblanc note toutes les dépenses et les faits notables : qu’il reçoive l’argent de ses rentes, qu’un capitaine de vaisseau lui paie ses dettes ou qu’il dépense de l’argent pour embaucher un nouveau valet, pour acheter une tabatière, une chaise à porteur, divers habits, des bas de soie, des boutons d’argent, une pipe, un chapeau, ou encore en 1728, les dictionnaires de Morery et de Bayle... On remarquera d’ailleurs qu’il notait également les livres de sa bibliothèque qu’il lui arrivait fréquemment de prêter.

L’année 1720 est marquée par un exceptionnel témoignage sur la Peste de Marseille : “Le 21 aoust nous nous sommes enfermés avec ma mère icy à la bastide à St-Loup à cause de la peste, il en mourut ce jour là 500 à la ville (...) le 19 septembre le fils de notre fermier est mort de la peste [puis...] notre paysanne est tombée malade”. Leblanc se retire alors de Marseille, compte ses morts, évoque enterrements et quarantaines. “Il est mort en tout soixante mille personnes à la ville et au terroir...” conclut-il. Exceptionnel témoignage sur la peste de 1720 & sur la vie quotidienne d’un riche noble marseillais. [3400 €]


Propagação da peste

11. Exceptionnel privilège d’imprimer accordé à didot fils aîné


[Manuscrit] - [Privilège Général] Paris, février 1788.
Parchemin, 47 cm x 26,5 cm rarissime privilège royal imprimé sur parchemin et complété à la main par lebègue, accordant à François-Ambroise Didot (1) l’autorisation d’imprimer les Mémoires du Général Baron de Wimpffen écrits par lui-même, (...) contenant sa vie privée et militaire. L’ouvrage sera bel et bien publié à Paris en 1788, “ Chez Didot fils aîné, libraire, rue Dauphine, près le pont Neuf”, avec dès le titre la mention “avec approbation et privilège du roi”.



On trouve au dos une note autographe précisant : “Registré sur le Registre XXIII de la Chambre Royale et Syndicale des Libraires et Imprimeurs de Paris, n°1344, fol. 489”. Cette mention est signée par Knapen du Syndicat des Libraires. L’ouvrage ne contenait donc a priori rien de sulfureux: en 1790, Louis-Marie Prudhomme dans ses Révolutions de Paris questionnant la pratique du “privilège” se demandait en effet comment “échapper aux formalités vexatoires des sieurs Knapen et compagnie” et [de] “tous ces vils suppôts de l’ancien régime”.

Bon état, découpe du parchemin au coin bas droit, comme d’usage, à l’emplacement du sceau. beau témoignage sur l’activité d’imprimeur des didot et sur la pratique du “privilège” sous l’ancien régime. [950 €]



São manuscritos como estes que nos trazem esclarecimentos da época que são essenciais para a compreensão da história e do estado da medicina (o primeiro) e da história tipográfica (o segundo) e que servem de objecto para revisões/aprofundamentos dos nossos conhecimentos.

Espero que estes apontamentos sejam de alguma utilidade para vós.

Saudações bibliófilas.


Notas:

(1) Peste de Marseille (1720) – Wikipedia

(2) François-Ambroise Didot (1730-1804). Nasceu em Paris a 7 de Janeiro de 1730 e onde faleceu Paris a 10 de Julho de 1804. Foi um helenista, bibliófilo, impressor, editor e fundidor dos caracteres tipográficos (3), pai de Firmin Didot (1764-1836 a quem sucedeu na oficina tipográfica da família, e filho de François Didot (1686-1757), primeiro tipógrafo da família.


Firmin Didot

Veja-se sumariamente a genealogia desta famosa família (4):

François Didot (1689-1757)
Pierre-François Didot (1731-1795)
Pierre Didot (1761-1853)
Firmin Didot (1764-1836)
Henri Didot (1765-1852)
Saint-Léger Didot (1767-1829)
Ambroise-Firmin Didot(1790-1876)
Hyacinthe-Firmin Didot (1794-1880)
Jules Didot (1794-1871)
Edouard Didot (1797-1825)
Alfred Firmin-Didot (1828-1913)


(3) François-Ambroise Didot, o filho mais velho de François, foi livreiro a partir de 1753, tomou a oficina tipográfica e a imprensa do seu pai em 1757 e começou a pôr em prática várias inovações técnicas importantes:


Tipo de caracter móvel anterior ao sistema Didot

Os célebres Caractères Didot (c.1780), que ele desenhou e mandou gravar por Pierre-Louis Wafflard e pelo seu filho Firmin Didot.


Exemplo de caracteres Didot

O prelo aperfeiçoado, que aumentou a produtividade dos impressores. Construiu por volta de 1780 uma prensa de um só movimento, substituiu a madeira por ferro, mármore e cobre. Através de uma platina tornou a impressão bastante mais rápida e a pressão mais forte.

O «ponto tipográfico» em 1757, que a partir daí passou a unidade de medida dos tipos; é o sistema hoje usado em toda a Europa. O sistema Didot tem como unidades o cícero e o ponto. Um cícero mede 12 pontos, um ponto mede 4,512 milímetros. (O sistema anglo-americano tem como unidades o pica e o ponto. Uma pica equivale a 11,33 pontos do sistema Didot.) Os caractéres passam a ter medidas invariáveis!

Introduziu, a partir de 1780, o papier vélin, que mandou fabricar em Annonay pela Oficina Johannot. Este papel velino já não exibe as linhas de rede das formas dos moldes; substitui o papel avergoado.

François-Ambroise Didot dispunha de uma fundição e de uma fábrica de papel. A sua produção incluiu uma colecção encomendada pelo conde de Artois e uma colecção de clássicos destinos à educação do delfim.

François-Ambroise Didot retirou-se dos negócios em 1789.

(4) Bibliografia sumária de consulta sobre a dinastia Didot:

Didot, Pierre. Épître sur les progrès de l’imprimerie, par Didot fils aîné. Paris: 1784. Fac-símile e tradução em: George, A. J. The Didot family. 1961.

Jammes, André. Les Didot: trois siècles de typographie et de bibliophilie, 1698 — 1998. Paris, 1998. Catálogo da exposição na Bibliothèque historique de la Ville de Paris e no Musée de l’Imprimerie, Lyon, 1998.


George, Albert J. The Didot family and the progress of printing: a brief review of the development and accomplishments of the house of Didot, with [...] translation of Épître sur les progrès de l’imprimerie, [...] by Pierre Didot. Syracuse (New York), 1961. Integra um fac-símile do texto do Épître sur les progrés de l’imprimerie de 1784. Heller, Stephen.