"Se não te agradar o estylo,e o methodo, que sigo, terás paciência, porque não posso saber o teu génio, mas se lendo encontrares alguns erros, (como pode suceder, que encontres) ficar-tehey em grande obrigação se delles me advertires, para que emendando-os fique o teu gosto mais satisfeito"
Bento Morganti - Nummismologia. Lisboa, 1737. no Prólogo «A Quem Ler»

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

The Library of an English Bibliophile, Part 1 (Session 1): Auction Results




Pela importância e relevância deste leilão realizado pela Sotheby’s hoje em Londres, deixo aqui um apontamento sobre os valores de arrematação de alguns dos lotes.

Trata-se de uma escolha meramente pessoal referindo, em especial, alguns dos escritores que já passaram pelas páginas deste blogue.

Os mais interessados podem consultar a lista completa dos valores de arrematação em: The Library of an English Bibliophile, Part 1 (Session 1): Auction Results.


Começo com Jane Austen que estava bem representada com algumas das suas obras principais:


Jane Austen

SENSE AND SENSIBILITY: A NOVEL... BY A LADY. LONDON: PRINTED FOR THE AUTHOR BY C. ROWORTH AND PUBLISHED BY T. EGERTON, 1811

Com uma previsão de 40,000—60,000 GBP, foi vendido por 49,250 GBP (refere-se sempre o preço final já com todas as comissões).

PRIDE AND PREJUDICE: A NOVEL. LONDON: G. SIDNEY FOR T. EGERTON, 1813

Com uma previsão de 75,000—100,000 GBP, foi vendido por 139,250 GBP.

NORTHANGER ABBEY: AND PERSUASION...WITH A BIOGRAPHICAL NOTICE OF THE AUTHOR. LONDON: JOHN MURRAY, 1818

Com uma previsão de 20,000—30,000 GBP, foi vendido por 43,250 GBP.


As irmãs Brontë, pintura do irmão Branwell c. 1834.
Da esquerda para a direita, Anne, Emily e Charlotte
(Note-se o retrato sombreado do próprio Branwell que surge no quadro)

De Anne Brontë realço:

THE TENANT OF WILDFELL HALL. BY ACTON BELL. LONDON: T.C. NEWBY, 1848

Com uma previsão de 60,000—70,000 GBP, foi vendido por 85,250 GBP.

De Emily e Anne Brontë
WUTHERING HEIGHTS. A NOVEL BY ELLIS BELL AND AGNES GREY. A NOVEL BY ACTON BELL. LONDON: THOMAS CAUTLEY NEWBY, 1847

Com uma previsão de 50,000—75,000 GBP foi vendido por 163,250 GBP (um dos valores mais elevados atingidos!):


Charles Darwin



De Charles Darwin:

ON THE ORIGIN OF SPECIES BY MEANS OF NATURAL SELECTION. LONDON: JOHN MURRAY, 1859

Com uma previsão de 50,000—70,000 GBP foi vendido por 127,250 GBP.


Charles Dickens

De Charles Dickens, uma obra rara e sempre com boa procura, e que, nestas condições, constituía uma verdadeira “peça de colecção” pois tinha uma dedicatória autografada pelo autor, pelo que atingiu um dos valores mais altos na sala do leilão, ainda que aquém da expectativa:

A CHRISTMAS CAROL. IN PROSE. BEING A GHOST STORY OF CHRISTMAS. WITH ILLUSTRATIONS BY JOHN LEECH. LONDON: CHAPMAN AND HALL, 1843

Com uma previsão de 150,000—200,000 GBP foi vendido por 181,250 GBP.


Galileo Galilei

De Galileo Galilei, uma obra de que já aqui ficou uma breve notícia:

DIALOGO... DOVE NE I CONGRESSI DI QUATTRO GIORNATE SI DISCORRE SOPRA I DUE MASSIMI SISTEMI DEL MONDO TOLEMAICO, E COPERNICANO. FLORENCE: GIOVANNI BATTISTA LANDINI, 1632

Com uma previsão de 30,000—40,000 GBP foi vendido por 91,250 GBP.


James Joyce (1918)

De James Joyce essa obra de leitura um pouco difícil de entrar, mas que uma vez lida apetece reler – claro que me refiro a Ulysses:

ULYSSES. PARIS: SHAKESPEARE AND COMPANY, 1922. One of 750 copies on handmade paper (this copy no.358), presentation copy inscribed by the author ("To /Raymonde Linossier /James Joyce /Paris
/1 March 1922")

Com uma previsão de 60,000—80,000 GBP foi vendido por 121,250 GBP.


William Shakespeare

Os Poemas de William Shakespeare também atingiram um bom preço

POEMS. LONDON: THOMAS COTES FOR JOHN BENSON, 1640

Com uma previsão de 80,000—100,000 GBP foi vendido por 133,250 GBP.


Oscar Wilde

Finalmente, Oscar Wilde, com uma edição especial, que atingiu um excelente valor na sala:

THE HAPPY PRINCE AND OTHER TALES. LONDON: DAVID NUTT, 1888

Com uma previsão de 7,000—10,000 GBP foi vendido por 27,500 GBP.


Jane Austen
Pride and Prejudice (1ª edição)
(não a deste leilão)

Era, em minha opinião, uma excepcional biblioteca reunindo peças raras e de qualidade; revelando o espírito selecto e criterioso do seu proprietário.

Dir-me-ão que reunia quase exclusivamente obras de autores ingleses, com o que estou de acordo, mas quem não gostaria de possuir na sua biblioteca alguma(s) desta(s) obra(s)?

Pelos montantes atingidos ficou demonstrado, como se isso fosse preciso, o seu valor coleccionista e a sua raridade.

Gostaria no entanto de partilhar convosco uma reflexão final.

Ao se atingirem estes valores em tempo de crise económica global, como creio que ninguém o negue, o que seria se estivéssemos num “período dourado”?

Será que esta mesma crise ainda não atingiu a bibliofilia ou, pelo contrário, será esta um bom campo para investimento nestes tempos que correm?

Saudações bibliófilas.

2 comentários:

Galderich disse...

Rui,
Porque no tenía moneda suelta en el bolsillo que sino hubiera pujado por más de un libro!
Sobre el tema crisis hemos de tener en cuenta que el dinero continúa concentrado en algunos bolsillos que si se pueden gastar auténticas fortunas para caprichos como libros.
Un abrazo.

rui disse...

Galderich,

Também gostaria de ter licitado alguns livros, pena que a “bolsa” seja sempre curta!

Quanto aos preços atingidos, isso preocupa-me, porque eu já assisti, pelo menos em Portugal, à entrada de grandes entidades financeiras noutras áreas de coleccionismo – a banca e as seguradoras, por exemplo – que se tornaram os grandes compradores, com fins de investimento puro, afastando o coleccionador clássico, que muitas vezes se privava de alguns prazeres dos vulgares mortais para conseguir a tal peça tão ambicionada.

Com os valores em alta constante receio que não seja apenas um capricho dos “ricos”, mas que, pelo contrário, se trate de investimento financeiro e não o simples prazer de compra do livro como peça de colecção e estudo – a paixão de toda uma vida para o bibliófilo.

A ver vamos…só que a vida não se compadece com romantismos! E a economia não voltará a ser o que era até há pouco tempo.

Um abraço