CRUZ, Fr. Bernardo da – CHRONICA
DE ELREI D. SEBASTIÃO, publicada por A. Herculano e o Dr. A. C. Paiva.
Na Impressão de Galhardo e Irmãos, Lisboa: 1837. In-8º de XVI-466- (35) págs. Encadernação
não contemporânea meia inglesa em pele com dizeres a ouro na lombada sobre
rótulo de pele vermelha. Exemplar muito limpo e muito fresco, levemente aparado
à cabeça.
Referência: 13588
Preço: 195,00€
PRIMEIRA EDIÇÃO do primeiro livro
publicado por Alexandre Herculano (Inocêncio I, 377 - RARO).
No Catálogo dos livros do mês de
Janeiro, Miguel de
Carvalho da Livraria do Adro em Coimbra,
entre muitas preciosidades bibliófilas – como um rico acervo de obras do Padre José Agostinho de Macedo e de José Daniel Rodrigues da Costa, não
esquecendo a primeira obra publicada por Alexandre
Herculano (mostrada acima) – escolhi este entremez pela sua raridade e pela valorização das anotações de Almeida Garrett.
Senão vejamos:
MAIA, Manoel Rodrigues – NOVO ENTREMEZ
O DOUTOR SOVINA composto por... (2) para se representar no Real Theatro de S.
Carlos. Na Officina de Simão Thaddeo Ferreira, Lisboa, s.d. In-8º de 16 págs.
Encadernação moderna em papel marmoreado com dizeres a ouro em rótulo de pele
na lombada. Algumas páginas com restauro marginal, não aparadas.
[A 1º edição data de 1790 e foi
impressa igualmente em Lisboa: Na officina de Simão Thaddeo Ferreira, 16 p. (3)
Encontrei também referência a
estas edições Lisboa: Typographia do Diario Illustrado, c. 1884. 16 p.; Lisboa:
Tipografia Rollandiana, impr., 1899. 16 p.]
Quanto ao facto de esta obra ser
ou não a PRIMEIRA EDIÇÃO, bem sabia que a minha afirmação era polémica, por
pouco fundamentada e documentada (ainda que me tentasse informar o melhor que consegui)!
No entanto, como sempre com a sua
pertinácia e sabedoria destas andanças livrescas, o Miguel de Carvalho, esclareceu os erros nesta questão.
Ora vejamos então o que escreveu:
Quanto ao verbete do folheto do
NOVO ENTREMEZ OU O DOUTOR SOVINA em questão existem aqui problemas, tanto da
minha parte assim como da sua, no que diz respeito ao rigor da informação.
Vamos por partes que passo a explicar:
1) - eu tenho erradamente
indicado a data de 1839 pois o folheto não tem data impressa. Tem
apenas uma data manuscrita pelo punho do Garrett que foi a que erradamente (repito)
usei no verbete (só para situar a edição, mas que não o deveria ter feito e
disso me desculpo). Assim sendo, irei de seguida no verbete on-line da minha
página proceder à correcção e colocar "s.d.”
2) Albino Forjaz de
Sampaio no seu "tratado" sobre Literatura de Cordel (1925) refere
as edições do DOUTOR SOVINA E DO NOVO ENTREMEZ DO DOUTOR SOVINA e indica a
minha edição (impressa na Oficina de Tadeo Ferreira sem data) e coloca-a
cronologicamente como sendo a primeira das que não têm indicação/impressão de
data. As com indicação/impressão de data são todas posteriores à data
manuscrita pelo punho do Garrett.
3) na tese Andreia
Amaral (2007) ela não é clara quanto à referência da data fazendo uma
seriação de edições. Há uma confusão que não se consegue resolver as
cronologias pois ainda anexa as edições de outro título do mesmo autor.
4) a Biblioteca Nacional de Austrália refere uma
edição de Simão Tadeu Ferreira não sendo também muito clara mas que aponta a
data de 1790 (?).
Mediante estes factos todos e
seguindo a linha de Forjaz Sampaio e esta da BN Autrsaliana, eu aponto a minha
sendo a primeira tendo em consideração também o tipo de impressão e o papel tão
característico do final do século XVIII.
Reconheço que o único
problema foi o facto de eu ter escrito a data de 1839 (data do manuscrito)
quando na realidade o folheto não tem data.
É caso para dizer “abençoado
erro”, pois que com ele fique a saber muito mais!
Litografia de Almeida Garrett por Pedro Augusto Guglielmi
(Biblioteca Nacional de Portugal).
Valorizado pela nota de apreciação manuscrita de Almeida Garrett (1) enquanto
censor do Teatro S. Carlos.
[Almeida Garrett foi um grande
impulsionador do teatro em Portugal, uma das maiores figuras do romantismo
português, foi ele quem propôs a edificação do Teatro Nacional de D. Maria II e
a criação do Conservatório de Arte Dramática].
PRIMEIRA EDIÇÃO e RARO. PEÇA DE COLECÇÂO.
Observações:
"é o Doutor Sovina de Manoel
Rodrigues Maia, que a escreveu para ser repre- sentada no Theatro de Sam Carlos
; a acção é bastante simples, e só se sustem pela chulice da linguagem e pelas
anecdotas que Maia dramatisou incidentemente. O Doutor Sovina é uma espécie de
Manoel Mendes, menos bem entretecido; tem uma filha em casa, chamada D. Lépida,
que se apaixona pelo praticante de escriptorio Silvério; O Doutor Sovina vive
com a mais restricta parcimonia, sáe pela manhã para ajuntar folhas de couve na
praça da Figueira, tempera a agua da fonte com a de um poço que tem em casa
para não dispender com o aguadeiro, faz com que um pão dure para quatro diaâ,
mas é bastante rico. Silvério quer casar com D. Lépida, e sabendo que o Doutor
é eminente nos conselhos da rabolice, consalta-o acerca ào seu projecto, mas
sem personificar a noiva"
In "História do Theatro
Portuguez" de Teofilo Braga
Referência: 13584
Preço: 250,00€
Plaisirs d'amateurs - Le bibliophile
Quem foi
afinal Manuel Rodrigues Maia?
Segundo O Dicionário Cronológico da Autores Portugueses
– Organizado pelo I.P.L.L. / Eugénio Lisboa. Mem Martins: Publicações
Europa-América, 1989. 2ª edição. Pag. 644:
“ [N?? – m.
Lisboa, 1804]
Autor de composições poéticas e farsas que se publicaram em edições
“de cordel” (4), muitas delas anonimamente, e se
representaram com aplauso popular nos teatros de Lisboa durante a segunda
metade do século XVIII. A mais conhecida, O Doutor Sovina,
ficou em reportório como um perfeito modelo do género.
Obras principais: O Doutor Sovina;
O Aprendiz de Ladrão; As Desgraças Graciosas do Feirante; A Madrinha Prussiana; O Periquito no Ar; A
Curandeira por Vício ou os Amantes Embuçados; Os
Três Rivais Enganados, farsas: A Inauguração
da Estátua de D. José I; écloga, 1755; Raio
Poético sobre a Desordens e Abusos Que os Libertinos Têm Introduzido no Dia de
S. Martinho, 1786; Dicionário de
Elipses, 1790; Arte da
Gramática Latina, 1805.”
Com este esboço sumário deixo-vos este apontamento sobre os primórdios
da renovação do teatro em Portugal de que Almeida
Garrett foi grande impulsionador.
Saudações bibliófilos e até amanhã (pois vai haver mais…)
Notas:
(1) O texto pode ser lido aqui:
(2) Almeida Garrett – Wikipédia
(4) Sobre este tema leia-se: Folhetos de
Cordel e Folhas Volantes da colecção particular de Paulino Mota Tavares –
Catálogo | Projecto Cultura Para Todos
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