"Se não te agradar o estylo,e o methodo, que sigo, terás paciência, porque não posso saber o teu génio, mas se lendo encontrares alguns erros, (como pode suceder, que encontres) ficar-tehey em grande obrigação se delles me advertires, para que emendando-os fique o teu gosto mais satisfeito"
Bento Morganti - Nummismologia. Lisboa, 1737. no Prólogo «A Quem Ler»

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Dia de Camões: «Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades»




"Camões e as Ninfas”
Óleo sobre tela de Columbano Bordalo Pinheiro


Hoje dia 10 de Junho em que se celebra oficialmente o Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas (1), coincide com a data do falecimento de Luís Vaz de Camões em 1580 é utilizada para relembrar os feitos passados.


Luis Vaz de Camões
por François Geratd

Luís Vaz de Camões é frequentemente considerado como o maior poeta de língua portuguesa e dos maiores da Humanidade. O seu génio é comparável ao de Virgílio, Dante, Cervantes ou Shakespeare; das suas obras, a epopeia «Os Lusíadas» é a mais significativa.

Deste poeta imortal, no 430º aniversário da sua morte, fica aqui talvez um dos seus poemas mais conhecidos.




Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança:
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança:
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem (se algum houve) as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto,
Que não se muda já como soía.


Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"


«Camões na prisão de Goa»
Óleo sobre tela de Maureaux

Nunca sendo demais relembrar este poeta épico da língua portuguesa, qualquer estudo que sobre ele se faça corre sempre o risco de ser uma repetição.

Como para esse tipo de estudos, e não só, “não tenho engenho nem arte”, resta-me render-lhe a minha homenagem divulgando a sua poesia.

Que nestes tempos de mudança que vivemos espero que consigamos mudar mesmo as nossas vontades e criar um mundo melhor.

Saudações bibliófilas.


(1) Até ao 25 de Abril de 1974 era conhecido como o Dia de Camões, de Portugal e da Raça.

4 comentários:

Fernanda disse...

Mesmo correndo o risco de uma repeticao, nunca e' demais lembrar quem tanto deu e deixou na poesia portuguesa. Para quem gosta de poesia nunca cansa.

Marco Fabrizio Ramírez Padilla disse...

Rui.

Te felicito por recordar este aniversario, y nada mejor que con con un bello poema.
Saludos

Galderich disse...

Que tu deseo posterior después de este magnífico poema sea lo más pronto posible una realidad.

rui disse...

Se “a poesia é uma arma” (como dizia uma canção), que ela sirva para disparar palavras, e não balas, para fazer florescer o gosto da arte da escrita e o prazer da leitura e com elas construirmos valores pelos quais valha a pena lutar.

Obrigado pelos vossos comentários