"Se não te agradar o estylo,e o methodo, que sigo, terás paciência, porque não posso saber o teu génio, mas se lendo encontrares alguns erros, (como pode suceder, que encontres) ficar-tehey em grande obrigação se delles me advertires, para que emendando-os fique o teu gosto mais satisfeito"
Bento Morganti - Nummismologia. Lisboa, 1737. no Prólogo «A Quem Ler»

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Literatura de viagens e exploração – um contributo português.



Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens durante a
Expedição Geográfica Portuguesa à África Austral

Ao consultar a última montra da In-Libris não consegui deixar de reparar nestas três obras, que são grandes clássicos na literatura de viagens e exploração africanas conduzidas pelos portugueses – Hermenegildo Capelo, Roberto Ivens e Serpa Pinto.


Hermenegildo Capelo

Hermenegildo Carlos de Brito Capelo (Palmela, 4 de Fevereiro de 1841 — Lisboa, 4 de Maio de 1917), oficial da Marinha portuguesa e explorador do continente africano durante o último quartel do século XIX. Participou com Roberto Ivens na célebre travessia entre Angola e a costa do Índico.

Assentou praça na Marinha em 1855 terminando o curso 4 anos depois. Em 1860 embarcou como guarda-marinha para Angola a bordo da corveta D. Estefânia, comandada pelo príncipe D. Luís, mais tarde rei, permanecendo durante três anos na estação naval de África Ocidental. Em 1863 regressa a Lisboa e no ano seguinte é promovido a segundo tenente. Nesse ano voltou a África donde regressa em 1866 para voltar logo de seguida a Angola, onde permanece até 1869, altura em que segue para Moçambique, regressando a Lisboa em 1870 para logo partir em Direcção a Cabo Verde. Em 1871 é integrado numa expedição enviada à Guiné e em 1872 vai para a China donde regressa a Lisboa em 1876.


Explorando o continente africano

Brito Capelo, quando da sua permanência em Angola fez o reconhecimento científico daquela zona, facto que o fez ser escolhido, por Decreto de 11 de Maio de 1877, para dirigir uma expedição científica à África Central da qual também faziam parte o oficial da marinha Roberto Ivens e o major do exército Serpa Pinto. Segundo o decreto foram nomeados «para comporem e dirigirem a expedição que há-de explorar, no interesse da ciência e da civilização', os territórios compreendidos entre as províncias de Angola e Moçambique, e estudar as relações entre as bacias hidrográficas do Zaire e do Zambeze, segundo as instruções que receberem autorizadas pelo meu Governo.»1 Sob os auspícios da Sociedade de Geografia, esta expedição tinha por fim «…o estudo do rio Cuango nas suas relações com o Zaire e com os territórios portugueses da costa ocidental, assim como toda a região que compreende ao Sul e a sueste as origens dos rios Zambeze e Cunene e se prolonga ao Norte, até entrar pelas bacias hidrográficas do Cuanza e do Cuango…».

Este objectivo constituía uma vitória de José Júlio Rodrigues sobre Luciano Cordeiro dado que este último tinha lutado por uma travessia de costa a costa, passando pela região dos grandes lagos da África Central.


Rei D. Manuel II

Hermenegildo Capelo foi ajudante-de-campo dos reis D. Luís, D. Carlos e chefe da casa militar do rei D. Manuel II, ministro plenipotenciário de Portugal junto do Sultão de Zanzibar, organizador de uma carta geográfica da província de Angola, delegado do governo num congresso de Bruxelas e presidente da comissão de cartografia. Hermenegildo Capelo foi promovido a contra – almirante em 17 de Maio de 1902 e a vice – almirante em 18 de Janeiro de 1906. Muito dedicado ao rei D. Manuel II, acompanhou-o até à partida para o exílio, em 5 de Outubro de 1910. A 24 do referido mês, tendo pedido a demissão deu por terminada a sua carreira militar.


Roberto Ivens em 1885

Roberto Ivens (São Pedro, 12 de julho de 1850 — Dafundo, 28 de janeiro de 1898), filho de pai inglês e de mãe açoriana, foi um oficial da Armada, administrador colonial e explorador do continente africano, português.

Concluiu o curso de Marinha em 1870, com apenas 20 anos, com as mais elevadas classificações. Frequentou em 1871 a Escola Prática de Artilharia Naval, partindo em Setembro desse ano para a Índia, pelo Canal do Suez, integrado na guarnição da corveta Estefânia, onde é feito guarda-marinha.

A partir de 1872 inicia contactos regulares com Angola. A 10 de Outubro de 1874, completa os três anos de embarque nas colónias: Regressando a Portugal, em Janeiro de 1875 faz exame para segundo tenente fora da barra de Lisboa. Em Abril de 1875, segue na corveta Duque da Terceira para São Tomé e Príncipe e daqui para os portos da América da Sul. Regressando em Abril de 1876, parte no mesmo mês, no Índia, para Filadélfia, com produtos portugueses para a Exposição Universal daquela cidade.

Após o regresso da grande viagem de exploração, Roberto Ivens, por motivos de saúde, abandona o mar, passando a prestar colaboração cartográfica na Sociedade de Geografia de Lisboa e na execução de trabalhos relacionados com África, sobretudo Angola, no Ministério da Marinha e Ultramar.

Foi nomeado, por Decreto de 8 de Maio de 1890, oficial às ordens da Casa Militar do rei D. Carlos. Em 1891 colabora na constituição de um instituto ultramarino do qual viria a ser vogal da direcção. Por Decreto de 20 de Dezembro 1892, foi colocado no quadro da Comissão de Cartografia, como vogal permanente. Por Decreto de 27 de Abril de 1893, foi transferido para o cargo de ajudante-de-campo do rei.

Em 1895 foi feito oficial da Real Ordem Militar de S. Bento de Avis e por Decreto de 17 de Outubro nomeado secretário da Comissão de Cartografia, cargo que manterá até ao ano seguinte. O topo da sua carreira na Marinha foi alcançado a 7 de Dezembro de 1895, com a promoção a capitão-de-fragata.


Roberto Ivens em traje de explorador africano

Por Decreto de 11 de Maio de 1877 foi nomeado para dirigir a expedição aos territórios compreendidos entre as províncias de Angola e Moçambique e estudar as relações entre as bacias hidrográficas do Zaire e do Zambeze. Na mesma data foi promovido a primeiro-tenente.

De 1877 a 1880, ocupou-se com Hermenegildo Capelo e, em parte, com Serpa Pinto, na exploração científica de Benguela às Terras de Iaca. No regresso, recebe a Comenda da Ordem Militar de Santiago e é nomeado a 19 de Agosto de 1880 vogal da Comissão Central de Geografia. Por Decreto de 19 de Janeiro de 1882, foram-lhe concedidas honras de oficial às ordens e a 28 de Julho foi nomeado para proceder à organização da carta geográfica de Angola.


Hermenegildo Capello e Roberto Ivens na ilha da Madeira
©Foto Arquivo Municipal de Mafra

Em 19 de Abril de 1883, é nomeado vogal da comissão encarregada de elaborar e publicar uma colecção de cartas das possessões ultramarinas portuguesas. Por portaria de 28 de Novembro do mesmo ano foi encarregado de proceder a reconhecimentos e explorações necessários para se reunirem os elementos e informações indispensáveis a fim de se reconstruir a carta geográfica de Angola.

Face às mais que previsíveis decisões da Conferência de Berlim era preciso demonstrar a presença portuguesa no interior da África austral, como forma de sustentar as reivindicações constantes do mapa cor-de-rosa entretanto produzido. Para realizar tão grande façanha, são nomeados Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens.


Mapa Cor-de-Rosa representando a pretensão à soberania
sobre os territórios entre Angola e Moçambique

Finda a viagem de exploração, Roberto Ivens e Hermenegildo Capelo foram recebidos como heróis em Lisboa, a 16 de Setembro de 1885. O próprio rei D. Luís dirigiu-se ao cais para os receber em pessoa e os condecorar à chegada. O rio Tejo regurgitava de embarcações. Nunca se havia visto tamanho cortejo fluvial. Acompanhados pelo rei foram conduzidos ao Arsenal da Marinha para as boas vindas, com Lisboa a vestir-se das suas melhores galas para os receber. Foram oito dias de festas constantes, com colchas nas varandas, iluminação, fogos-de-artifício, recepções, almoços, jantares e discursos sobre a heróica viagem.

Mais tarde, o Porto não quis ficar atrás, excedendo-se em manifestações de regozijo e recepções. E no estrangeiro, Madrid esmerou-se em festas, conferências, recepções e condecorações; em Paris é-lhes conferida a Grande Medalha de Honra.



10397. CAPELLO (H.) & IVENS. (R.).— DE ANGOLA Á CONTRA-COSTA. Descripção de uma viagem atravez do Continente Africano, comprehendendo narrativas diversas, aventuras e importantes descobertas entre as quaes figuram a das origens do Lualuba, caminho entre as duas costas, visita às terras da Garanganja, Katanga e ao curso do Luapula, bem como a descida do Zambêze, do Choa ao oceano. Lisboa. Imprensa Nacional. 1886. 2 vols. 16x24 cm.  XXVII-448 e X-490. E. [Indisponível]




Das mais conceituadas e apreciadas obras de toda a nossa bibliografia africana de viagens, numa esmerada e muito cuidada edição, impressa em excelente papel e enriquecida com numerosas gravuras impressas nas páginas de texto e em separado, além de diversos mapas desdobráveis, a cores.




Encadernações editoriais. As páginas de texto apresentam alguma acidez ocasional e estando os mapas um pouco amarelecidos dada a qualidade do papel.



Muito invulgar quando  inclui todos os 6 mapas originais, como e o caso deste exemplar.



10395. CAPELLO (H.) & IVENS (R.).— DE BENGUELLA ÁS TERRAS DE IÁCCA. Descripção de uma viagem na Africa Central e Occidental. Comprehendendo narrações, aventuras e estudos importantes sobre as cabeceiras dos rios Cu-nene, Cu-bango, Lu-ando, Cu-anza, e Cu-ango, e de grande parte do curso dos dois ultimos; alem da descoberta dos rios Hamba, Cauali, Sussa e Cu-gho, e larga noticia sobre as terras de Quinteca N’bungo, Sosso, Futa e Iácca. Expedição organisada nos annos de 1877-1880. Edição illustrada. Lisboa. Imprensa Nacional. 1881. 2 vols. 14x21 cm.  XLV-379-I e XII-413-I págs. E. [Indisponível]



“(...) Perante a critica vae apparecer um livro, que tem por unico intuito a narrativa succinta dos factos e peripecias succedidos n’uma peregrinação de seiscentos dias, apresentando alguns resultados scientificos, com os quaes, julgâmos, aproveitará a geographia e mesmo a história natural. (...)

Das mais notáveis obras da bibliografia africana portuguesa.



Primeira edição desta notável obra, ilustrada com grande número de gravuras impressas no texto e em separado, mapas em folhas desdobráveis, dois deles de grandes dimensões.



Encadernação editorial gravada a ouro e negro nas pastas e lombadas, denotando algum uso. Assinatura de posse, antiga, numa das páginas preliminares e na folha de rosto dos dois volumes. Muito ligeiro vestígio de humidade nas capas de ambos os volumes.

De raro aparecimento no mercado quando acompanhada dos dois mapas, como é o caso.


Alexandre Alberto da Rocha de Serpa Pinto

Alexandre Alberto da Rocha de Serpa Pinto herói nacional português, foi militar explorador do continente africano sub-sahariano entre Angola e a Costa leste de África (Africa do Sul)  e  Governador de Cabo Verde na altura colónia portuguesa.

Nasceu na freguesia e paróquia de Tendais,na quinta das Poldras, concelho de Cinfães, no dia 20 de Abril de 1846, filho do miguelista José da Rocha Miranda de Figueiredo, médico, e de D. Carlota Cacilda de Serpa Pinto. Aos 9 anos frequentou o colégio da Lapa no Porto
Ingressou no Colégio Militar com 11 anos e aos dezassete tornou-se no seu primeiro Comandante de Batalhão aluno.

Serpa Pinto viajou pela primeira vez até à África oriental em 1869 numa expedição ao rio Zambeze. Integrava uma coluna de quase mercenários, cujo objectivo conhecido era o de enfrentar as milícias do Bonga, que já infligira nas tropas portuguesas várias e humilhantes derrotas. Mas Serpa Pinto integra a coluna como técnico, avaliando a rede hidrográfica e a topografia local, pelo que podemos inferir ou suspeitar dos intuitos não apenas bélicos, mas de interesse estratégico no reconhecimento e posterior controlo da região.


Serpa Pinto, explorador em África.

Em 12 de Novembro de 1877 inicia a travessia explora o sul de Angola, integrando uma expedição que partiu de Benguela (Angola) e que contava com a participação de Roberto Ivens e Hermenegildo Capelo. Por alturas do Bié houve uma cisão no grupo e Serpa Pinto assumiu a travessia solitária do continente Africano numa epopeia de 517 dias   A sua jornada terminou em  19 de Março de 1879 e atravessou as bacia do rio Congo ou Zaire e do Zambeze, Angola e partes das actuais Zâmbia, Botswana, Zimbabwe e África do Sul.numa epopeia que durou 517 dias.

Foi nomeado cônsul-geral para o Zanzibar em 1885 e governador-geral de Cabo Verde em 1894.


Alexandre Alberto da Rocha de Serpa Pinto

A expedição de Serpa Pinto tinha como objectivo fazer o reconhecimento do território e efectuar o mapeamento do interior do continente africano, para preparar a entrada de Portugal na discussão pela ocupação dos territórios africanos. A «ocupação efectiva», sobre a ocupação histórica, determinada pelas actas da Conferência de Berlim (1884-1885) obrigou o Estado Português a agir no sentido de reclamar para si uma vasta região do continente africano que uniria as provincias de Angola e Moçambique (então embrionárias) através do chamado "mapa cor-de-rosa"; esta intenção falhou após o ultimato britânico de 1890, o «incidente Serpa Pinto», já que nela interveio o explorador, ao arrear as bandeiras inglesas, num espaço cobiçado e monitorizado pela rede de espionagem do Reino Unido, junto ao lago do Niassa (guerra dos Makololos).


Rei D. Luís I

Tanto o Rei D. Luís I, como o seu filho Carlos I de Portugal, nomearam-no seu Ajudante de Campo e o segundo concedeu-lhe, em duas vidas, o título de Visconde de Serpa Pinto [1899].

A cidade de Menongue, no sudeste de Angola, foi chamada Serpa Pinto até 1975 em alusão a este explorador.



10396. SERPA PINTO.— COMO EU ATRAVESSEI ÁFRICA. Do Atlantico ao Mar Indico, viagem de Benguella á Contra-Costa. Atravès Regiões desconhecidas; Determinações geographicas e estudos ethnographicos. Contendo 15 mappas e facsimiles, e 133 gravuras feitas dos desenhos do autor. Londres: Sampson Low, Marston, Searle, e Rivington, Editores. 1881. 2 vols. 15x23cm.  XXIX-336 e VI-340 págs. E. [Indisponível]




Trata-se de uma das mais estimadas e notáveis obras existentes na nossa vasta literatura de viagens em África. Excelente edição, com as gravuras impressas nas folhas de texto e em separado.





Encadernações editoriais, gravadas a negro e a ouro, tendo o segundo volume uma mancha desvanecida de tinta vermelha. Em falta, o mapa final, desdobrável, que deveria estar no primeiro volume. Numa das folhas do primeiro volume apresenta um pequeno rasgão nas margens da folha, não afectando o texto.


Aqui fica este modesto contributo para a memória destes exploradores e sobretudo para a sua obra que trouxe vasto contributo para as ciências da época.

Saudações bibliófilas

Fontes consultadas:

Alexandre de Serpa Pinto – Wikipédia
Associação Cultural Serpa Pinto 
Hermenegildo Capelo – Wikipédia
Roberto Ivens – Wikipédia

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Livraria Castro e Silva – Catálogo 147 | Fevereiro de 2015



Por razões pessoais e profissionais tenho estado um pouco afastado das minhas escritas no blogue; no entanto, têm-me chegado tantas informações e catálogos que penso importante partilhar algumas delas convosco.


Livraria Castro e Silva

Ainda que esteja a trabalhar num texto de reflexão sobre a forma como alguns descritivos são apresentados, nomeadamente na questão de “raridade”, achei por bem adiar a sua publicação…até porque preciso de reflectir muito bem para não fazer “asneira grossa”!


CUMBERLAND JUNIOR. (G.) - VIEWS IN PORTUGAL AND SPAIN (1823)
TAKEN DURING THE CAMPAIGN OF HIS GRACE THE DUKE OF WELLINGTON.

Hoje vou apenas falar na Livraria Castro e Silva de Pedro Castro e Silva localizada na Rua do Norte, 44 - 1º andar em Lisboa, apresentou o seu Catálogo 147 – Fevereiro de 2015, que pelo seu conteúdo merece de facto uma referência à parte.

 Aliás é uma das livraria-antiquárias mais vocacionada para o livro-antigo e como tal os seus catálogos são um reflexo disso mesmo.

Quanto aos preços, poderemos talvez considerá-los um pouco desfasados da realidade económica nacional, mas como os títulos são na sua grande maioria obras de referência internacional, teremos de os aceitar, e aguardemos melhores dias, sob o ponto de vista económico, para o portuguesito!



Deste bem estruturado catálogo vejam-se alguns exemplos dos 536 lotes nele incluídos:



1. ACOSTA, Manuel d’ / MAFFEI, Giovanni Pietro. RERVM A SOCIETATE IESV IN ORIENTE GESTARVM VOLUMEN. Continens Historiam incundam lectu omnibus Christianis, praesertim ijs, quibus vera Religio est cordi. In qua videre possunt, quomodo numquam Deus Ecclesiam suam deferat, & in locum defficientium a vera fide, innumeros alios in abditissimis etiam regionibus subtituat. Nunc pluribus vltra omnes editiones priores locupletatum, vt sequens pagella demonstrat. COLONIAE, Apud Geruinum Calenium, & haeredes Iohannis Quentel, Anno M. D. LXXIIII. [1574]. In 8.º de [xxxi], 472 pags.



Encadernação artística da época inteira de pele com ferros a ouro em ambas as pastas (super-libris com monograma da Companhia de Jesus) e ferros a ouro rolados com motivos florais. Ilustrado na folha de rosto com vinheta do retrato de Cristo e com um capítulo - da página 451 (aliás 453) até à página 457 – contendo um catálogo de belos caracteres xilográficos japoneses e as suas respectivas traduções latinas, exactamente iguais aos anteriormente reproduzidos nas Cartas de Japão Do anno de 1557, Coimbra, António de Mariz, 1570 (vide D. Manuel, 1935, Tomo III, pag 10). Exemplar com título de posse na folha de rosto (desenho de Rosário); outros títulos de posse manuscritos no colofón; e ex-libris armoriado e numerado da Biblioteca Rosales Bernate. O texto fixado por Maffei na primeira parte da obra foi baseado no manuscrito do padre jesuíta Manuel da Costa (Acosta) intitulado «História das Missões do Oriente até o anno de 1568» que teve as suas fontes nas cartas integrais existentes em Coimbra. O manuscrito de Acosta tinha sido enviado para Roma, onde o noviço Maffei o preparou para publicação, acrescentando os extractos das cartas dos jesuítas enviados para Roma até ao ano de 1564. Na introdução e comentário desta obra Maffei congratula-se com o esforço de síntese de Acosta na recolha das cartas. Posteriormente Maffei escreveu a sua famosa obra Historiarum Indicarum libri XVI, na qual o Japão é tratado com excelente detalhe.




Binding: contemporary full calf artistically finished and gilt with rolled tools at boards. Edges of papercuts were originally blind tooled and gilt. Illustrated with a vignette in title page (portrait of Jesus); and several charming woodcut Japanese characters - from page 451 (alias 453) to page 457 - underlined by their Latin translations, previously printed in Portugal in Cartas de Japão Do anno de 1557, Coimbra, António de Mariz, 1570 (vide D. Manuel, 1935, Tomo III, pag 10). Copy with an ownership title (a drawing at title page depicting a Rosary); and several other ownership titles at colophon. Ex-libris (coat-of-arms) of Biblioteca Rosales Bernate. The text of the first part is based on a manuscript História das Missões do Oriente até o anno de 1568 written by a Portuguese Jesuit, Manuel da Costa. Da Costa was a Jesuit missionary and bibliographer, who taught at Coimbra where most of the Jesuit letters were available in uncensored form. The manuscript was sent to Rome, translated into Latin, and was then given to the young novice Giovanni Pietro Maffei (1533-1603) to prepare it for publication. Maffei added a considerable amount of text to Acosta’s work, entitled De Japonicis rebus epistolarum. This part contains abridged Latin translations of letters sent from the Jesuits working in Japan until the year 1564. In his introduction Maffei congratulates Da Costa on his effort in summarizing the contents of the letters together in a short commentary. Later Maffei wrote the very successful work Historiarum Indicarum libri XVI, much praised for its excellent treatment of Japan. [€12.000]



11. BURNETT, William Hickling. BURNETT’S VIEWS OF CINTRA. [Versos dedicados a Sintra por Byron no Child Harold] Published by Josh. Dickinson. London. [W. S. Burnet, Esq. - Lisboa. F. F. B. Esq. Oporto]. Londres. S/d [circa 1830-40]. In fólio (de 50x35,5 cm) com 1 folha de dedicatória; e com 14 gravuras litografadas com mancha gráfica de 20x28 cm.



Exemplar preserva as capas de brochura que serve de folha de rosto e em que estão os 2 versos dedicados a Sintra por Lord Byron. William Hickling Burnett (ca.1800 - ca.1870). Duarte de Sousa 2, 117. 'No rosto estão transcritos versos do «Child Harold» de Byron.




Album of lithographies from landscapes of the town Sintra (or Cintra) and its environs; a quite place (locus amenus) of the English romantic literature and travels from the end of the 18th Century onwards. Panoramas namely from: 1. Cintra 2. Cintra from from the east 3 The Market place 4 Entrance to Cintra 5 The Convent of the Penha Longa 6 The Convent of N. Sra. da Penna 7 General view of Cintra 8 Cintra from the west 9 The Cork Convent 10 A part of the palace 11 An old chapel of the Moorish Castle 12 The Church of Cintra 13 A Distant view of the Penna Convent 14 Entrance to the Penna [€4.000]



29. ENCADERNAÇÃO ARTÍSTICA. SÉC. XVIII. MANUSCRITO DE ARTILHARIA DA CORTE. PYTHON, João Bento. DESCRIPÇÃO DO NOVO PANTÓMETRO DE ARTª e explicação das Operaçoens q[ue] com elle se podem fazer. Offerecido e dedicado ao Senhor Dom Joao Principe do Brazil. Inventado pello seu humilíssimo e obedi[entissimo] vassalo Jaoã Bento Python Coronel de Artelharia na pr[imeira] Plana da Corte. S/L [Lisboa? Rio de Janeiro ?]. S/d [179?]. De 21x17 cm. Com [ii], 17 fólios.




Encadernação artística da época inteira de pele marroquin vermelha com finos ferros a ouro na lombada; ferros a ouro rolados nas esquadrias das pastas (representando pelouros ou balas unidos por uma corrente); ferros a ouro nos filetes e nas conchas interiores. Cortes das folhas burilados e dourados. Guardas interiores em papel decorativo da época. Ilustrado com 7 estampas desdobráveis em extra-texto, manuscritas, desenhadas e coloridas manualmente. Obra com um monograma ou ex-libris manuscrito na folha de anterrosto. Apresenta os cantos da encadernação cansados e – antecedendo a primeira folha de guarda – encontra-se uma carta manuscrita em francês (sem relação com o manuscrito sobre artilharia), tratando-se da missiva escrita possivelmente por um secretário de Louis de Rouvroy, Duque de Saint-Simon dirigida a uma senhora portuguesa, com uma nota informativa da parte de Filipe II, duque d’Orleans, Regente de França entre 1715 e 1723, e numa banda de papel afixada posteriormente com a mesma caligrafia e datada de 20 de Janeiro de 1719. A carta encontra-se assinada “por um humilde servidor”, porém o assunto não é claro, nem contextualizado; e a destinatária não se encontra identificada, poderá tratar-se de uma dama da alta nobreza, ou do assunto tanto em voga na época como o caso envolvendo Mariana de Alcoforado. Relativamente ao manuscrito de artilharia, trata-se da invenção de uma régua de cálculo desdobrável para ser usada no lugar da alça (isto é, em vez de ser colocada na mesa da alça passa a ser colocada numa régua estendida entre a faixa alta da culatra e a faixa da bolada) e com graduações que compreendem 4 diferentes aplicações, que passamos a esclarecer em linguagem actualizada: a) Esquadro (quando utilizado na vertical virado para cima) para a medição dos ângulos de sítio à crista, existindo numa das réguas um nível de bolha de ar que permite criar um horizonte artificial; b) Goniómetro (quando utilizado na horizontal) para o cálculo das proporções e amplitudes dos tiros de contra-bateria; c) Metrónomo de regulação do tempo de queda dos projécteis e dos tempos das suas espoletas (quando virado na vertical para baixo) pela utilização e verificação do tempo da oscilação de um peso (aferido) entre a abertura variável das duas réguas; d) Colimador das armas, particularmente na utilização de um canhão-proveta para testar a força das pólvoras. A aplicação deste instrumento de pontaria foi concebido para dois tipos de armas, segundo o autor: as peças (ditas actualmente bocas de fogo de tiro relativamente tenso) e os morteiros (ditos actualmente obuses ou bocas de fogo de tiro curvo). As 7 estampas ilustram e descrevem as partes do instrumento - ao qual o autor chamou pantómetro - e mostram o mesmo arrumado numa caixa de transporte, tratando-se o mesmo de um aparelho de elevada precisão e prescindindo de tabelas de cálculo complexas, revelando uma enorme simplicidade e eficiência na artilharia de campanha, apenas ultrapassada pela utilização posterior de relógios ou cronómetros mecânicos portáteis. João Bento Pithon, Comandante do regimento de Artilharia do Porto, do qual recusou entregar o comando, cerca de 1770. Em 1752 participou na expedição científica (terceira partida) ao norte do Brasil (rio Iguaçu) para a demarcação dos limites das fronteiras entre Portugal e Espanha, no âmbito do Tratado de 1750 sobre a demarcação dos limites na América Meridional. 



Calligraphic manuscript. S/l. [Portugal or Brazil ?] S/d. [c. 1790]. [ii], 17 fls. Illu. with 7 handcolored plt. [€6.000]



53. LEY que declara o comprimen- // to que ham de ter as espa- // das. E a pena que auerã // as pessoas q doutra maneyra as trou- // uerem. No fim: Foy impressa esta ley per mandado delRey nosso senhor na cidade de Lisboa: em casa de Germão Galharde empremidor. Aos doze dias do mes de Março. Anno de M.D.XXXIX (1539) annos. 




Encadernação moderna inteira de pergaminho. Tem por baixo d’esta indicação duas vinhetas, representando as armas do reino e a esfera armilar e a assinatura de Ioam Paez. De grande raridade. Com manchas de humidade e restauros marginais. [€10.000]



60. MANUSCRITO ILUMINADO TIBETANO – LIVRO RELIGIOSO - EXTREMO ORIENTE – S/L. S/D. In fólios de 8,5x20 cm. Com 30 fólios desdobráveis em forma de acordeão.




Texto manuscrito com 6 linhas na frente e verso de cada fólio. Pastas finais cartonadas. Ilustrado com 5 conjuntos de iluminuras com temática da religião budista. Boa qualidade da execução dos desenhos que apresentam as dimensões dos fólios. Livro de meditação tibetano em língua lamaísta e escrito em sânscrito.



RELIGIOUS TIBETAN MANUSCRIPT. Tibet or Northern India. Circa 19th Century. Harmonica style (folding concertina manuscript). Bound: 8,5x20 cm. With 30 fold-out folios 8 miniature paintings (5 colored mantra illustrations) in watercolor and gold depicting various scenes of monks, The text is probably in Sanskrit language written in black ink. [€1.800].



66. PLAUTIUS, Gaspar. NOVA TYPIS TRANSACTA NAVIGATIO. Novi orbis Indiae Occidentalis AD MODVM REVERENDISSIMORVM Pp. ac Ff... Dn. Buelli CATALONI Abbatis montis Serrati, & in universam Americam, Sive Novum Orbem Sacra Sedis Apostolica Romana â Latere Legati, Vicarij, ac Patriarcha: Sociorumq, Monachorum ex Ordine S. P. N. Benedicti ad supradicti Novi Mundi barbaras gentes Christi S. Evangelium praedicandi gratia delegatorum Sacerdotum Diniissi per S. D. D. Papam Alexandrum VI. Anno Christi. 1492. NUNC PRIMVM E variis scriptoribus in unum collecta, & figuris ornata. Authore... Honorio Philophono. S/l. [Linz], S/d.1621. S/i. In 4.º (de 25x17 cm). com [4], 101 pags.




Encadernação do século XIX com lombada em pele. Ilustrado com 1 frontispício gravado (adornado com motivos emblemáticos, retratos de São Brandão e outros monges beneditinos, junto ao pé um pequeno mapa do Oriente e Índias Ocidentais), 18 gravuras (algumas dobráveis), diagramas xilográficos no texto e letras capitulares ornamentais. A gravura de Cristovão Colombo apresenta um mapa Mundo, assinado por Wolfgang Kilian. Exemplar um pouco aparado (atingindo por vezes a mancha tipográfica das gravuras) e com leves restauros marginais. Primeira edição e primeira tiragem desta famosa relação dos missionários beneditinos que acompanharam Colombo na sua segunda viagem à América. Caspar Plautius, abade de Seitenstetten na Baixa Áustria, é conhecido por ser de facto o autor. Embora a obra contenha relatos milagrosos pouco realísticos, como a missa celebrada pelo São. Brandão no dorso de uma baleia (ilustrada na gravura n.º 2), a narrativa contem imensos detalhes autênticos dos costumes dos povos do Caribe, flora e fauna e produtos agrícolas. É apresentada uma amostra gráfica da música nativa nas páginas 35 e 36. O autor refusa os relatos do protestante De Bry de estarem cheios de mentiras, e justifica as bárbaras crueldades dos nativos na ideia de que Satanás dominava as religiões nativas americanas.



Engraved emblematic title with figures of St. Brendan and another Benedictine, at bottom a small map of the East and West Indies, 19 engraved folding plates (numbered 1-18 and the unnumbered “Owl” plate), woodcut diagrams in text, type-ornament head-pieces. Plate of Columbus with a map of the world, signed by Wolfgang Kilian (a few minor marginal repairs). First edition and first issue of this famous relationship from the Benedictine missionaries who accompanied Columbus on his second voyage to America. The dedicatee Caspar Plautius, abbot of Seitenstetten in Lower Austria, is known to be in fact the author. Although laced with miraculous accounts, beginning with the mass celebrated by St. Brendan on the back of a whale (illustrated in plate 2), the narrative is full of authentic details of Caribbean customs, flora and fauna, and agricultural products. A graphic specimen of the natives music is given on pp. 35-36. The author accuses the Protestant de Bry accounts of being filled with lies, and dwells on the barbaric cruelties of the natives in support of the notion that Satan ruled the native American religions. Alden and Landis 621/100; Palau 224762; Sabin 63367. [€22.000]



72. RUGENDAS, Moritz. DAS MERFWÜRDIGSTE AUS DER MALERISCHEN REISE IN BRASILIEN. Von… Mit 40 lithographierten Tafeln Abbildung. Schaffhausen, in J. Brodtmann’s lithographischen Kunst-Anstalt. 1836. In fólio (de 33,5x26 cm) com 51 pags.



Encadernação da época com lombada em pele, apresentando dano na coifa inferior. Ilustrado com 40 litografias. Borba de Moraes 1983, Tomo II, pag. 754: 36x26 cm; 51 pp. (text in 2 columns, 40 lithographs): “Maurice Rugendas was born in Augsburg in 1802 and died Weilheim in an der Teck, in Würtenberg in 1858. He came from a family of painters and was probably well established when he was recruited by Baron Langsdorff to join an expedition travelling to Brazil (see under this authors name). He parted company with Langsdorff in Rio de Janeiro and set out on his travels by himself. The itinerary of Rugendas travels in Brazil is unknown but we know from his drawings that he visited the principal states from north to the south and stayed in Minas Geraes. He returned to Europe in 1825 and lived in Paris, Rome and the South of Italy. In 1831 he began another voyage to Mexico, California, Peru, Bolivia, Chile and the Rio de la Plata. On his return journey he stayed in Rio de Janeiro for almost a year. He was living in Württemberg, at Weilheim, in 1847 and died there in 1858. Rugendas published many drawings of Mexico in the work of Sartorius. He left a vast collection of drawings and numerous oil paintings, portraits, etc. made of the many places in which he stayed. They were scatered in museums and private collections. In 1928 the Brazilian painter, W. Rodrigues, bought a collection of some hundred drawings from the Bavarian Museum and sold them to collectors of Brazil and Argentina. The Voyage pittoresque dans le Brésil was published in 1835 while Rugendas was absent from Europe. A selection of a hundred drawings from the numerous ones made on the spot were lithographed by the famous press of Engelmann. I seems it did not take particular care in writing the exact title of the original drawings. Alfredo de Carvalho noted that plate 30 from Section 1 (View of Olinda) and plate 29 from Section 3 (Mass at Candelaria Church at Pernanbuco) do not depict the places indicated in the title. Probably other mistakes exist in the location of other places. Two editions of the work were published, one with a French text and other in German, both simultaneously in 1835. The text is not by Rugendas himself, however, but was written by V. A. Huber and others from the artist's letters and notes. The French text is a translation made by Colbery. The is not without value despite the romantic outpouring in many pages which has nothing to do with the main subject, but it does not reach the standard of the genuine documentary value of the plates, which are of utmost importance for the study of the Brazilian life at the beginning of the nineteenth century. The work was published in twenty fascicles priced at 240 francs. An issue on China paper (for the plates only) was sold at 300 francs. Shortly after publication prices began to fall and a large number of copies remained unsold. Before the First World War the bookdealer Chadenat, of Paris, charged 150 francs only for a China paper copy bound in half morrocco. An ordinary copy was priced 100 francs. Only in recent years, after the Second World War, has Rugendas' work become priced and prices have increased accordingly. Today it is an expensive work.” ' Johann Moritz Rugendas nasceu em Augsburg, 1802, e faleceu em Weilheim am der Teck, Württernberg, em 1858.



Era oriundo de uma família de pintores e, provavelmente, encontrava-se bem estabelecido quando foi recrutado pelo Barão Langsdorff para fazer parte da expedição ao Brasil. Uma vez no Rio de Janeiro, dissociou-se de Langsdorff e seguiu viagem por conta própria. É desconhecido o exato itinerário de Rugendas através do Brasil, mas sabe-se que visitou os principais estados do Norte e do Sul e esteve por certo tempo em Minas Gerais. Retornou à Europa em 1825 e viveu em Paris, em Roma e no sul da Itália. Em 1831 deu início a uma viagem ao México, Califórnia, Peru, Bolívia, Chile, e Rio da Prata, e no seu retorno permanecerá ainda por quase um ano no Rio de Janeiro. Em 1847 vivia em Württemberg, Weilheim, onde faleceu em 1858. Rugendas publicou muitos dos seus desenhos do México na obra de C. Sartorius. Dos vários lugares em que esteve deixou uma vasta coleção de desenhos e numerosas pinturas a óleo, retratos, etc., que se encontram dispersos em museus e coleções particulares. Em 1928, o pintor brasileiro W. Rodrigues adquiriu, do Museu da Bavária, um conjunto de cerca de cem desenhos do artista, que vendeu a colecionadores do Brasil e da Argentina. A obra Voyage pittoresque dans le Brésil foi publicada em 1835, quando Rugendas se encontrava ausente da Europa. Uma seleção de cem desenhos, na maioria desenhados ao vivo, foram litografados pela famosa imprensa de Engelmann. Parece que esse impressor não teve particular cuidado com os títulos exatos dos desenhos originais. Alfredo de Carvalho observou que a prancha 30 da Seção I (Vista de Olinda) e a prancha 20 da Seção 3 (Missa na Igreja da Candelária em Pernambuco) não correspondem aos títulos indicados. É provável que existam ainda outros erros desse tipo. Foram publicadas duas edições da obra, uma com texto em francês e a outra em alemão, ambas surgidas em 1835. O texto não é do próprio Rugendas, tendo sido escrito por V.A. Huber e outros a partir das cartas e notas do artista. A versão em francês é de Colbery. Não se trata de um texto desprovido de valor, a despeito da impregnação romântica de muitas de suas páginas, sem nexo com o assunto principal, não alcançando o mesmo padrão de autêntico valor documental das pranchas, que são da maior importância para o estudo da vida brasileira no princípio do século XIX. A obra saiu em vinte fascículos ao preço de 240 francos. Uma tiragem em papel China (para as pranchas apenas) era vendida a 300 francos. Pouco depois da publicação, os preços começaram a despencar e um grande número de exemplares permaneceu encalhado. Antes da Primeira Guerra Mundial o livreiro Chadenat, de Paris, marcava 150 francos apenas no exemplar da tiragem especial em papel China, encadernado em meio marroquim. Um exemplar em papel comum custava 100 francos. Foi apenas recentemente, após a Segunda Guerra Mundial, que a obra de Rugendas tornou-se valiosa e os preços têm desde então subido consideravelmente. É hoje um livro caro.' [€15.000]



79. STOOTER, João. SPINGARDEIRO COM CONTA, PEZO, & MEDIDA, Que refuta desproporçoes. OU Exactas Spiculaçoes, & Experiençias, observadas & feitas, COM CONTA, PEZO, & MEDIDA. a & de CANNOS DE SPINGARDAS, CORONHAS, POLVORA, BALLAS, & MUNIÇAM, Que porêm naõ trata da Forja, nem o Forjar. & O â & dependente de tudo, com curiozidade explicando, & feito, emriquecido de Delineaçoes & Figuras. PAR IOAÕ STOOTER, Natural de ANVERES, morador & Homem de negocio que foy em LISBOA, mais de 26. Annos, & como curiozo do exercicio da Cassa, em utilidade de outros, dos Mestres Spingardeiros & Corunheiros, a todos muy util, a seu proprio Custo. EM ANVERES, Por HENRICO & CORNELIO VERDUSSEN, M. D. CC. XIX. Annos. [1719]. In 4.º (de 23,5x18,5 cm) com [viii], 82, [viii] pags. [as duas últimas páginas inumeradas em branco] Ilustrado com 1 belo frontispício alegórico com as armas da casa real portuguesa adornadas com motivos alegóricos venatorios e 8 gravuras desdobráveis assinadas Ioan Stooter inv. Petrus Bouttats fec.




Encadernação recente em pergaminho ao gosto da época. Exemplar intonso (por aparar) apresenta um restauro profissional de papel e mancha gráfica (na gravura entre pags. 68/69 que é de grandes dimensões) habilmente desenhado à mão, insertando e reconstituindo 3/4 da gravura que apresenta esquemas de balística. BM 230, 98. Inocêncio IV, 44. e X, 363. “JOÃO STOOTER, que pelo apelido parece ser estrangeiro. Dele não tenho alcançado mais conhecimento, que o de haver publicado em seu nome, na Holanda, e no princípio do seculo XVIII, duas obras em língua portuguesa, a saber: 1344) Arte de fazer vernizes, etc. 1345) Regras de fazer espingardas, etc. De uma e outra vi há tempo exemplares em poder do Sr. Figanière; porém não podendo agora completar a descrição dos títulos no momento em que é forçoso dar para o prelo este artigo, envio desde já os leitores para as Correcções e aditamentos que hão-de ir no fim deste volume, onde acharão bem exactamente confrontados os referidos títulos (1). NOTAS: Este escritor foi, como ele mesmo diz, natural de Anvers, província de Brabante; perito no rachar e lavrar diamantes; e homem de negocio em Lisboa por mais de vinte e seis anos. Conforme ao que prometi a pag. 45, eis-aqui os títulos completos das obras que mencionei sob n°, 1344 e 1345; bem e fielmente confrontados á vista dos respectivos exemplares: Arte de brilhantes vernizes, & das tinturas, fazelas, & o como obrar com elas. E dos ingredientes de que o dito se deve compor, etc., etc... Como também uma offerta de 18, ou 20 receitas curiosas § necessárias para os ourives de ouro, etc., etc. Anvers, por la viuva de Henrico Verdussen 1729. 8.° de XVI – 65 – V 63 pag. É notável, que comece por um soneto ao autor antes do rosto do livro! Há d'esta obra varias reimpressões, mais ou menos mutiladas, entre elas uma, da Offic. de Bulhões 1786. 8.º; outra da Typ.de Nunes Esteves 1825. 12.º etc. Espingardeiro com conta, peso e medida, que refuta desproporções, ou exactas especulações e experiências observadas com conta pezo e medida, etc. Anvers, por Henrico & Cornellio Verdussen 1719. 4.º gr. de VI 82 pag., e mais 8 de índice sem numeração: tendo uma estampa no frontispício, e mais oito ditas de desdobrar, etc. JOÃO STOOTER (v. Dicc., tomo IV pag. 44). Como tenho seguido, em harmonia com o que já fizera Inocencio nos anteriores tomos, reproduzirei o que ficou explicado e ampliado nos aditamentos a pag. 437. João Stooter foi, como ele próprio diz, «natural de Anvers, provincia de Brabante; perito no rachar e lavrar diamantes, e homem de negocio em Lisboa por mais de vinte e seis annos». Os titulos completos das obras mencionadas sob os n.os 1344 e 1345, fielmente confrontados, são os seguintes: Arte de brilhantes vernizes, & das tinturas, fazelas, & o como obrar com ellas. E dos ingredientes de que o dito se deve compôr, etc., etc. Como tãobem huma offerta de 18 ou 20 receitas curiosas & necessarias para os ourives de ouro, etc., etc. Anvers, por la viuva de Henrico Verdussen, 1729. 8.º de XVI 65 V 63 pag. - É notavel, que começa por um soneto ao auctor antes do rosto do livro! - Ha d’esta obra varias reimpressões, mais ou menos mutiladas, entre ellas uma, da off. de Bulhões, 1786. 8.º; outra da typ. de Nunes Esteves, 1825. 12.º, etc. Spingardeiro com conta, pezo e medida, que refuta desproporções, ou exactas spiculações e experiencias observadas com conta, pezo e medida, etc. Anvers, por Henrico & Cornelio Verdussen, 1719. 4.º gr. de VI 82 pag., e mais 8 de indice sem numeração; tendo 1 estampa no frontispicio, e mais 8 ditas de desdobrar, etc. Esta ultima obra foi, no leilão de Gubian, arrematada por 3$200 réis para a real academia de bellas artes de Lisboa. BNP. 'Foi adquirido em leilão (Novembro de 2007), uma raríssima edição em língua portuguesa de um tratado de espingardaria da autoria de Johan Stooter, de origem flamenga. Sobre o autor, pouco se sabe, presumindo-se que terá nascido em Antuérpia entre os séculos XVII e XVIII. Foi lapidador de diamantes e, durante vinte e seis anos, homem de negócios em Lisboa, onde certamente terá aprendido a língua portuguesa. No que se refere às obras publicadas deste autor, Stooter escreveu também a Arte de brilhantes vernizes, & das tinturas... igualmente editada em português, e publicada em Antuérpia, em 1729. A obra agora adquirida em leilão, intitulada: Spingardeiro com conta, pezo, & medida foi impressa em Antuérpia, por Henrico e Cornelio Verdussen, em 1719. Trata-se de um manual de espingardaria, constituído por vinte e nove capítulos. Esta espécie bibliográfica apresenta um rico frontispício gravado a talhe-doce, tendo ao centro o título e a indicação do autor, encimado pelas armas reais portuguesas, sendo enquadrado por moldura com representação de vários animais de caça e diversas armas destinadas a práticas venatórias. O frontispício e as restantes gravuras que ilustram a obra têm na base as seguintes subscrições: “Joañ Stooter inv.” e “Petrus B. Bouttats, fec.”. De acordo com as pesquisas efectuadas, esta espécie bibliográfica não constou dos catálogos de leilões efectuados ao longo do século XX.'



Binding: replica of contemporary parchment. Copy with a professional and skilfully restoration of paper, and reconstituting three quarters of the folding plate between pages 68-69. Illustrated with a beautiful allegorical frontispiece with the arms of the Portuguese royal house adorned with allegorical motives; and 8 hors-text plates signed by Ioan Stooter inv . Petrus Bouttats fec . BM 230, 98. Inocêncio (IV , 44; X, 363) reffers to the work as a treatise written by Johan Stooter, of Flemish origin. About the author, little is known, assuming that he was born in Antwerp by the end of the 17th Century. He was also a diamond cutter and was for 26 years a businessman in Lisbon, where surely have learned the Portuguese language. With regard to works published by this author, also wrote Stooter Art of Varnishes, Dyes & ... also published in Portuguese and published in Antwerp in 1729. This is a manual of rifle maker, consisting of 29 chapters. [€17.000]



170. CASTELLO BRANCO. (Camillo) A SENHORA RATTAZZI. Nova Edição. Mais incorrecta e augmentada. Livraria Internacional de Ernesto Chardron – Editor. Porto e Braga. 1880. De 23x14 cm. Com (x)-38 pags. Brochado. 

Inocêncio. XVIII, 144. “A questão Rattazzi: esteve por differentes vezes em Portugal uma dama estrangeira, de origem italiana ou ingleza, que se apresentou com o titulo de Princeza Rattazzi dizendo-se aparentada com a familia Imperial Bonaparte, o que, aliás, segundo consta de informações notorias, as auctoridades francezas não permittiam officialmente. algumas folhas francezas, hespanholas e italianas tinham falado d'ella a proposito de seus escriptos dados ao prelo, dos seus consorcios e de varios incidentes da sua vida aventurosa. Da ultima vez que se demorou em Lisboa, por 1879, lembrou-se ella de escrever um livro de viagem acerca de Portugal: mas, ou por falta de estudo, ou por leviandade, acreditando em esclarecimentos ministrados por pessoas de sua intimidade e de acanhada consciencia quanto aos factos que inculcaram, o certo e que fizeram cair Maria Rattazi em dislates e erros gravissimos, como lhe foi demonstrado. O seu livro, pois, deu margem larga e extensa á publicacão de outras obras de refutação aspera, em que a auctora, apesar do sexo, da idade, do nome aristocratico e da fama de que se fazia cercar, e em que desejava escudár-se, padecem duros ataques, sendo os mais vivos, mordazes e acerados os que lhe vibraram sem piedade Camillo Castello Branco e Urbano de Castro, que assignava os seus escriptos sob o pseudonymo chá-ri-vá-ri. Estas controversias e criticas tomaram o caràcter de verdadeiro escandalo litterario e foram só é alastrando pela imprensa de todas as cidades, em artigos soltos, em folhetins e em correspondencias”. [€50]

Espero que tenham gostado desta pequena amostra, resta-vos agora pesquisar mais atentamernte o seu conteúdo.

Saudações bibliófilas.