"Se não te agradar o estylo,e o methodo, que sigo, terás paciência, porque não posso saber o teu génio, mas se lendo encontrares alguns erros, (como pode suceder, que encontres) ficar-tehey em grande obrigação se delles me advertires, para que emendando-os fique o teu gosto mais satisfeito"
Bento Morganti - Nummismologia. Lisboa, 1737. no Prólogo «A Quem Ler»

sexta-feira, 6 de abril de 2012

José Régio – As Encruzilhadas de Deus





RÉGIO, José. – As Encruzilhadas de Deus. Poemas. Com desenhos de “Júlio” (seu irmão). Coimbra. Edições Presença - Atlântida. 1935. In-4º de 177, [5] págs. Encadernado.



Primeira edição. Das primeiras obras do autor. Rara. Boa encadernação em inteira de pele, assinada por Victor Jorge. Capas de brochura preservadas. A da frente com minúscula assinatura na folha inicial em branco.



Nesta quadra com grande significado religioso para os cristãos e, em particular, para os católicos, quero apresentar-vos uma das melhores obras de poesia, senão mesmo a melhor, de José Régio: As Encruzilhadas de Deus.


José Régio

José Régio, pseudónimo de José Maria dos Reis Pereira, nasceu em Vila do Conde, a 17 de Setembro de 1901. Licenciado em Letras em Coimbra. Viveu grande parte da sua vida na cidade de Portalegre (de 1928 a 1967), onde foi professor durante mais de 30 anos, no seu Liceu.
Foi possivelmente o único escritor em língua portuguesa a dominar com igual mestria todos os géneros literários: poeta, dramaturgo, romancista, novelista, contista, ensaísta, cronista, jornalista, crítico, autor de diário, memorialista, epistológrafo e historiador da literatura, foi um dos fundadores da revista Presença, da qual foi editor, director e o seu principal animador, desenhador, pintor, e grande coleccionador de arte sacra e popular.



RÉGIO, José. – Primeiro Livro de Teatro. Jacob e o Anjo, mistério em três actos, um prólogo e um epílogo. Três máscaras, fantasia dramática em um acto. Post-fácio. Porto. S. data. (1940). In-8º de 1940. In-4º de 163, [5 págs. Primeira edição. Rara. Capa de brochura de Júlio, irmão do autor.

Foi irmão do poeta, pintor e engenheiro Júlio Maria dos Reis Pereira, que ilustrou alguns dos seus livros – como é o caso deste.

Faleceu em Vila do Conde a 22 de Dezembro de 1969.

Mas voltemos ao livro de que estava a apresentar.

Com o livro de estreia – Poemas de Deus e do Diabo (1925) – José Régio apresentou quase todo o elenco dos temas que viria a desenvolver nas obras posteriores: os conflitos entre Deus e o Homem, o espírito e a carne, o indivíduo e a sociedade; a consciência da frustração de todo o amor humano; o orgulhoso recurso à solidão; a problemática da sinceridade e do logro perante os outros e perante si mesmo.

Após a publicação deste livro, José Régio tem em mente dar continuidade à temática religiosa. Para tal, vai reunindo poesias em dois cadernos que intitula de Novos Poemas de Deus e do Diabo. O projecto sucessivamente alterado, nunca se concretizou.


RÉGIO, José - As Encruzilhadas de Deus

Muitos desses poemas vão dar origem à obra As Encruzilhadas de Deus, livro tido como a sua obra-prima, onde atingiu os momentos mais altos da sua poesia, torrencial e reflexiva, lírica e dramática ao mesmo tempo.

Do Livro Primeiro aqui ficam os poemas: Meu Menino ino, ino e Pequena Elegia.







Do Livro Terceiro fica o poema Amor.





E por fim uma das muitas ilustrações de “Júlio”, que como já se disse era o irmão do poeta Júlio Maria dos Reis Pereira.



Para aqueles que queiram fazer um estudo mais aprofundado desta obra e da temática religiosa na obra de José Régio deixo aqui esta sugestão:



E, já que estamos em “maré” de sugestões, porque não fazermos a sua leitura numa sala como esta, na Posada de San Jose em Cuenca (cidade espanhola que visito sempre com grande prazer).



Resta-me desejar a todos uma Páscoa feliz.

Saudações bibliófilas.


2 comentários:

{anita} disse...

É realmente um livro lindíssimo (e de um dos meus poetas preferidos).
Boa Páscoa!

rui disse...

Obrigado anita.
De facto, José Régio é um escritor que se lê, ou relê, ainda hoje com grande agrado.