"Se não te agradar o estylo,e o methodo, que sigo, terás paciência, porque não posso saber o teu génio, mas se lendo encontrares alguns erros, (como pode suceder, que encontres) ficar-tehey em grande obrigação se delles me advertires, para que emendando-os fique o teu gosto mais satisfeito"
Bento Morganti - Nummismologia. Lisboa, 1737. no Prólogo «A Quem Ler»

domingo, 26 de setembro de 2010

artes e letras – Leilões – Biblioteca de João Paulo de Abreu e Lima e outras proveniências



 


Catálogo – capa e contrapa

A Artes de Letras – Leilões estreia-se com este Leilão, facto que se saúda com votos de uma excelente actividade como aquela a que já nos habituou como livreiro-antiquário.

O Leilão da Biblioteca de João Paulo Abreu e Lima e outras proveniências versa os seguintes assuntos: Heráldica, Genealogia, Olisipografia, História e Gravuras

Decorrerá no Palácio da Independência no Largo de São Domingos, 11 (ao Rossio) em Lisboa repartido por três sessões nos dias 11, 12 e 13 de Outubro às 21h.

1.ª sessão lotes 0001 a 0465
2.ª sessão lotes 0466 a 0930
3.ª sessão lotes 0931 a 1391

Os livros estarão em Exposição no mesmo local nos dias 10, 11, 12 e 13 de Outubro das 15h às 20h.

Tem como organizadores dois livreiros bem conhecidos no nosso mercado José Vicente da Olisipo e Luís Gomes da artes e & letras.


Os livreiros-antiquários

Com uma forte componente na categoria de Livro Antigo apresenta alguns livros na temática de Literatura que, pela sua raridade, merecem algum destaque. Refiro os seguintes exemplares:

 

289. CASTRO, Alberto Osório de - FORES DE CORAL. Poemetos e impressões da OceaniaPortuguesa. Dilli - Ilha de Timor – Insulindia. Imprensa Nacional. 1908. In-8º de 272 pp. Enc.
Encadernação inteira de chagrin, mantém as capas de brochura. Apresenta uma grande dedicatória autografa a Francisco M. Namorado. Para além dos poemas, apresenta um conjunto, apreciavelmente grande - cerca de metade do volume - de notas de carácter linguístico, etnográfico, sobre a fauna e a flora, fruto das viagens do autor pelo interior da ilha. É um dos primeiros, se não mesmo o primeiro livro impresso em Timor. Com tiragem de 360 exemplares em 3 papéis diferentes, são da maior raridade os exemplares deste importante livro.

 

427. DURO, José - FEL. (97-98). Lisboa. Empreza Litteraria Lisbonense. Libanio & Cunha - Editores. 1898. In-8º de 90, [6] págs. Enc.
Primeira edição. Raríssima. O autor era natural de Portalegre e esta é a sua principal obra. Encadernação em chagrin com artísticos ferros a ouro na lombada, pastas e seixas, executada por Victor Santos. Capas de brochura e lombada preservadas.

 

1077. QUENTAL, Antero de - ODES MODERNAS. Coimbra. Imprensa da Universidade. 1865. In-8º de 160 págs. Enc.
Edição original desta raríssima obra de Antero. Exemplar bem conservado e com boas margens e capas de brochura preservadas. Encadernação da época em inteira de pele.

Na categoria de Livro Antigo destaco estes exemplares não só pela sua raridade, mas também, por representarem algumas das melhores produções tipográficas dos séc. XVI e XVII:

 

029. ALMEIDA E EMANUEL DIAS, Padre Manuel de - LETTERE // DELL’ ETHIOPIA // Dell’ An. 1626. sino al marzo del 1627. // E DELLA CINA // Dell’ Anno 1625. sino al // Febraro del 1626. // Con vna breve Relatione del viaggio al Regno di TVNQVIN, nuo- // uamente scoperto. // ... // Mandate al molto Reuev. Padre MVTIO VITELLESCHI, Generale della Compagnia di Giesù. (escudo da Companhia de Jesus) // IN MILANO, M. DC. XXIX. (1629) [no cólofon] IN MILANO, Per Carlo Lantoni. M. DC. XXIX. Ad instanza di Gio: Battista Cerri. In-8º peq. 103 pags. Enc.
RARISSIMO. Obra constituída por 3 cartas de missionários europeus (as duas primeiras de portugueses) dirigidas aos seus superiores hierárquicos em Roma. Os textos que descrevem os territórios e povos que encontraram nas suas viagens e missões evangelizadoras são por vezes as primeiras fontes históricas ocidentais dos mesmos territórios e povos. A primeira Carta da Etiópia de Manuel Dias, autor do manuscrito que o padre Baltasar Teles utilizou para editar a História da Etiópia Alta, corre nas primeiras 52 pags. Segue-se a Carta da China do Padre Manuel Dias, da pag. 53 a 93. Termina com Carta Relação da Viagem ao Reino do Tojo, escrita por Baldinotti, provavelmente a primeira fonte ocidental sobre este reino. Obra impressa simultaneamente no ano de 1629 em Roma e Milão. Encadernação em inteira de pergaminho, com atilho. Algumas folhas com manchas de humidade. Barbosa Machado Tomo III, pág.168.



190 [BRANCO, João Rodrigues de Castelo]. - Curationum Medicinalium // AMATI LVSITANI // MEDICI PHYSICI // PRAESTANTISSIMI // CENTVRIAE QVATVOR. // QUIBUS PRAEMITTITUR // Commentario de introitu medici ad aegrotantem, // De Crisi, & diebus Decretorijs: // Subiungiturqué ÍNDEX rerum memorabilium copiosíssimos. // Atque haec omnia nunc accuratius recognita, diligentius // elegantiusque sunt impressa. // VENETIIS, // Apud Balthesarem Constantinum, sub diui Georgij signo. // M D LVII. (1557). In-8º de [26], 645, [68] págs. Enc.
Amato Lusitano ou João Rodrigues de Castelo Branco Médicos e Escritores da Beira Interior, por Armando Moreno, refere: A partir de 23 de Maio de 1536 passou a Inquisição a ser exercida por tribunal especial, tendo sido nomeado Inquisidor-Mor Frei Diogo da Silva. Três anos depois, passando este cargo para as mãos do Infante D. Henrique, os processos utilizados atingiram a dramaticidade conhecida. Muitos dos médicos de então eram cristãos-novos, o que provocou a sua fuga para o estrangeiro. Tal foi o caso de João Rodrigues de Castelo Branco, conhecido por Amato Lusitano. Nasceu em Castelo Branco em 1511 e faleceu no ano de 1568. De origem hebraica, frequentou a Universidade de Salamanca que alcançara, na época, especial prestígio, constituindo-se no local de encontro dos portugueses estudiosos de então. O meio académico não era o mais propício ao estudo a ponto de merecer a intervenção do próprio Papa, mas João Rodrigues não se deixou enredar pelos hábitos tumultuosos dos seus companheiros. O bacharelato em Artes constituía preparação obrigatória para o ingresso no estudo da Medicina. Uma vez terminada esta formação, frequentou as aulas de Medicina e de Cirurgia, disposição pouco comum na época, já que esta, ligada a barbeiros e sangradores, era tida como actividade de segunda categoria. Terminado o curso, apenas com 18 anos, foi de imediato encarregado da direcção de enfermarias cirúrgicas, cargo que exerceu por pouco tempo, 4 regressando a Portugal no ano de 1529. Passando em Castelo Branco, seguiu para o Sabugal, Guarda e Almeida, a fim de encontrar-se com seu irmão. Durante toda esta cavalgada apeou-se para estudar, sobretudo para observar plantas e outros aspectos da natureza, tomando também notas de casos clínicos interessantes. Por fim, depois de uma vida errante pelo País, fixou-se em Lisboa e aí exerceu as suas actividades. Os ventos agrestes da Inquisição faziam-se anunciar, pelo que trocou a capital portuguesa por Antuérpia onde se refugiavam muitos dos hebreus de então. Granjeada a fama e obtido o proveito, escreve Index Dioscorides que correu o mundo europeu e lhe abriu as portas do convívio em vários países. Exemplar em bom estado de conservação. Encadernação do século XVIII em pergaminho, com algumas anotações marginais coevas e pequenos picos e de traça marginal nos últimos fólios. Acondicionada numa caixa-estojo em pergaminho, moderna. Peça de colecção.

 

805. MAFFEII, Ioan Petri - IO PETRI // MAFFEII // GERGOMATIS // E SOCIETATE IESV. //HISTORIARVM // INDICARVM LIBRI XVI. // SELECTARVM ITEM EX INDIA // Epistolarum codem interprete Libri IIII. Accessit Ignatij Loiola Vita postremo recognita. Et in Opera // singula copiosus Undex. // (Gravura alegórica) // VENETIIS, Apud Damianum Zenarium. 1589. In-4º de [28], 275, 211 Fls. Enc.  2ª edição.
Raríssima. A primeira publicou-se em 1588. Obra fundamental para o estudo das missões Jesuítas na Ásia e América e especialmente no Brasil. Recolhe também notícias relativas aos descobrimentos e conquistas da época. O Padre Maffeii demorou doze anos a escrever esta História das Índias. Exemplar em magnífico estado de conservação, tendo na margem de algumas folhas anotações ao texto com lápis de cor. Pequeno borrão de tinta no corte de algumas folhas, sem qualquer prejuízo. Encadernação em inteira de pergaminho. Peça de colecção.

 

874. MIRANDA, Francisco Sá de - AS // OBRAS // DO DOCTOR // FRANCISCO DE SAA // De Miranda. // Agora de novo impressascom a Rela- // ção de sua calidade, & vida. // (Vinheta tipográfica) // (...) // Por Vicente Alvarez. Anno de 1614. In-8º de [12], 160 fol. Enc.
Encadernado em inteira de carneira, recente, com ferros a seco nas pasta e lombada. Muito bom exemplar. Segunda edição, pouco vulgar. Barbosa Machado v. 2, p. 231 / Inocêncio v. 3, p. 53

 

890. MONTEIRO. (Manuel) - JOANNES // PORTUGALLIAE REGES // ADVIVUM EXPRESSI // CALAMO A’ P. EMMANUELLE MONTEYRO // LUSITANO. // Congregationis Oratorij Presbytero, Prium Ordinum // Militarium Examinatore, Regiae Academiae Sócio. // COELO // A’GUIL.º FRANC. LAUR.º DEBRIE PARISINO, Regio & Academia Sculptore Invetore, Deliniator // Calcographo. // ... // ULISSIPONE: Typis FRANCISCO DA SYLVA, ANNO MDCC. XL. In-Fólio de [12], 239, [20] pags. Enc.
Muito Rara. Ilustrado com um frontispício gravado, uma gravura alegórica de D. João V e 5 gravuras com os retratos dos cinco primeiros reis de Portugal, com o nome João. Consta de cinco elogios lapidares muito extensos, relatando em cada um as principais acções dos cinco monarchas portuguezes que tiveram o nome de João, até D. João V, e é adornado com os respectivos retratos, gravados a buril pelo artista Debrié tendo mais uma estampa allegorica, e frontispício egualmente gravado. Obra curiosa e muito estimada e edição verdadeiramente notável pelo primor que revela. Impressão de nitidez admirável, e em papel de linho de primeira qualidade. Também é muito notável a parte artística que enriquece e esmalta este soberbo trabalho tipográfico. Seis belos e artísticos cabeções decorativos e outros tantos florões de remate alegóricos e ainda seis lindas letras iniciais de curiosos desenhos de fantasia. Tudo primorosamente aberto a buril em chapa de metal. Encadernação da época inteira de pele. Inocêncio Tomo VI, pág. 65; Azevedo e Samodães, 2133.

 

964. ORTA, Garcia de - DELL ' HISTORIA DE // SEMPLICI AROMATI, // ET ALTRE COSE CHE VENGONO // portate dall'Indie Orientali pertinenti all'vso // della Medecina. // PARTE PRIMA // Diuisa in Libri IIII. // DI DON GARZIA DA LL'HORTO // Medico Portughese con alcune brevi Annotationi // di CARLO CLVSIO. // ET DVE ALTRI LIBRI PARIMENTE // diquelle cose che si portano dall'indi Occidentali // Di Nicolò MONARDES Medico di Siuiglia. // iuità di Chieti. Dottore & Medico eccellentissimo. // [e Parte Seconda, distinta in due Libri]. // Con vn libro appresso dell' istesso Auttore, che tratta della // NEVE, & del beuer fresco con lei. // CON PRIVILEGIO. // IN VENETIA, // Appresso li Heredi di Francesco Ziletti. // 1589. // In-8.º de [32], 347, [5] e 131, [13] págs. Enc.
RARISSIMA. Obra ilustrada com gravuras xilográficas representando no texto plantas e frutos, especiarias e drogas. Encadernação do final séc. XVIII em pergaminho. Bom exemplar.



1257. SOLINO, Júlio - IOANNIS // CAMERTIS MINORI // TANI, ARTIVM, ET SA= // CRAE THEOLOGIAE // DOCTORIS, IN. C. IVLII // SOLINI // ENARRATIO= // NES. Additus eiusdem Camertis Index, // tum literarum ordine, tumre= // rum notabiliu copia // per= // cõmodus Studiosis // Cum Gratia, & Priuile= // gio Imperiali. // [No Colofon]: EXCVSVM EST HOC OPVS SOLINI= // anum cu Enarrationibus egregn sacre The= ologiae Doctoris IOANNIS CA= MERTIS Minoritani, Anno na= tiuitatis domini. M. D. XX. [1520] Vienae Austriae, Per Io= // ann? Singreniu, im= // pensis honesti LVCAE ALANTSE, ciuis, & Bibli= // opolae Vienensis. // In-Fólio de [16], 338, 32 págs. Enc.
Encadernação recente com lombada em pergaminho e pastas em papel decorativo. Exemplar com leves picos de traça marginais de resto limpo e sólido. Ilustrado com belas capitulares decorativas, algumas delas atribuídas a Holbein. Na folha de rosto apresenta frontispício em portada com o monograma armoriado do patrocinador Lucas Alantse e a marca do impressor Singrenius no colofon. Obra impressa em Viena de Áustria por Joannes Singrenius para Lucas Atlanse em 1520, com uma importância histórica incontornável: trata-se da obra onde se encontra pela primeira vez um mapa [ausente neste exemplar] com o nome AMERICA. Trata-se de um mapa impresso à parte, porém publicado para ser expressamente incluído neste tratado de história natural, baseado na obra de Caio Júlio Solino (cerca 250 d. c.) o qual, por sua vez, tinha coligido os escritos clássicos de Ptolomeu. O mapa (ausente neste exemplar) baseou-se no mapa de 1507 de Martin Waldseemüller cujo único exemplar conhecido é o da Biblioteca do Congresso. Waldseemüller apoiou a ideia de Américo Vespucio tratando separadamente o novo continente.



1290. TEIXEIRA, Fr. José - DE // PORTUGALLIAE // ORTV REGNI INITIIS: ET // DENIQVE DE REBVS A REGIBVS, // vniversóque Regno praeclarè gestis, compen- // dium ex fidelibus spectatissimorum Hi- // storicum monimetis excerptum, // Per R. P. F. Ioseph Teixera Lusitanum, ordinis // Praedicatrum, & Sacrae Theologiae professorem, Re- // gisque Portugalliae concionatorem. // [Apresentam-se na folha de rosto o monograma com sigla Brasão Real com Ordem de Cristo, Esfera Armilar Manuelina, Sigla de Santiago da Ordem de Espada e siglada Ordem de Avis]. // PARISIIS, // Apud Ioannem Mettayer, in Mathematcis Typographum // M. D. LXXXII: [1582]. // 36 fólios. Enc.
Encadernação em inteira de pergaminho da época. Exemplar com falta de uma folha volante desdobrável com árvore genealógica da família real portuguesa, que juntamos em fotocópia. Obra raríssima vendida no leilão de Sousa da Câmara nº 3057 por 31.000! escudos em 1966. Exemplar com pequenos restauros marginais, insignificantes defeitos e manchas de humidade. Adms T-428. Brunet Tomo V, col. 690.



1311. TUCIDIDES - THVCYDIDIS // Atheníensis hístoríographí longe claríssímí de // bello Peloponnesiaco líbrí [HISTORIA DOS ATENIENSES NA MUITO FAMOSA GUERRA DO PELOPONESO, EM OITO LIVROS] octo: ab Laurentío // Vallensi translatí, & a doctíssímís vírís cum gre // cís collatí: cu eíusde vita & íníce amplíssímo. // Venundandur Iodoco Badio Ascensio & Ioan // ni Paruo. No Colofon: Sub prleo Ascensiano Communibus ipsius Ascensii & Ioannis Parui impensis, ad Calen // das Septembris, M.D.XXVIII. [1528] In-Fólio de [8], XCVI fólios. Enc.
Frontispício com xilogravura alusiva a impressão de livros enquadrando a imagem da tipografia Ascensiana (Prelium Ascensinu com a data de1521 gravada na prensa), bela impressão adornada com capitulares decorativas gravadas a talha doce. A obra História da Guerra do Peloponeso é a narrativa de uma guerra entre as cidades estado nos tempos da Grécia Antiga, disputada entre a Liga do Peloponeso (liderada por Esparta) e a Liga de Delos (liderada por Atenas). Com o tempo Atenas afirmara-se como o estado mais forte da liga, facto simbolizado com a transferência do tesouro de Delos para Atenas em 454 a.c. Os Atenienses passam a considerar qualquer cessação da Liga como um acto de traição e punem os estados que tentam fazê-lo. Esparta aproveita este clima para realizar a sua propaganda. As duas cidades entram em guerra em 431 a. c. A obra foi escrita por Tucídides, um general ateniense que serviu nesta guerra, é amplamente considerada um clássico e um dos primeiros trabalhos académicos em História. Foi dividida em oito livros por editores do fim da Idade Antiga. Tucídides foi o primeiro a aplicar métodos críticos, como o cruzamento de dados e fontes diferentes, e a analisar os aspectos individuais e psicológicos perante os acontecimentos. Encadernação recente, em inteira de pergaminho com atilhos de cabedal nas charneiras da lombada e nos fechos das pastas. Bom exemplar.

Claro que os apreciadores de encadernações de época e armoriadas encontrarão aqui também alguns belos exemplos.


Encadernações


Bom agora só falta mesmo uma consulta e leitura bastante atenta do Catálogo para fazerem uma escolha, sempre difícil, ou, quem sabe, aqui encontrarem o “tal livro” porque tanto procuraram.

Saudações bibliófilas.

6 comentários:

Galderich disse...

Gracias por compartir este impresionante catálogo. ¡No me extraña que se subaste en tres sesiones!

rui disse...

Galderich

Apesar desta Biblioteca, na minha opinião, parecer um pouco heterogénea, ou talvez não, pois reflecte quem a foi construindo, penso que se trata de facto dum bom Leilão com uma excelente oferta de exemplares na categoria do livro antigo.

Interessantes os livros dos séculos XVI e XVIl, que não sendo de uma raridade excepcional nem de impressores que todos nós conhecemos, têm uma boa qualidade de impressão com belos frontispícios.

Talvez uma boa oportunidade para a aquisição dum belo exemplar para enriquecer a biblioteca de um bibliófilo.

Estou com uma certa curiosidade no resultado final das vendas, pois parece haver uma certa quebra na procura deste tipo de livro. A ver vamos …

Um abraço

Galderich disse...

Rui,

Ya sabes que a mi me gustan las bibliotecas desiguales, como la mía... ;-)

rui disse...

Galderich

Claro que nunca se consegue fazer uma biblioteca uniforme…existirá sempre um livro que nos chamará a atenção apesar de não pertencer à nossa concepção inicial e nós não conseguiremos resistir à sua compra.

Evidentemente que a minha também é desigual, mas eu gosto de todos os livros, pois cada um me conta uma “história”

Este é mais um dos prazeres da bibliofilia.

António Mello e Castro disse...

A mim escandaliza-me este leilão. Para quem teve o feliz gosto de conhecer o grande João Paulo de Abreu e Lima e a honra de frequentar a casa dele bem vê que os livros aqui constantes não seriam de todo a livraria dele. Atrevo-me a adiantar que talvez 20%! Lamentável que se use o nome dele para propagandear vendas.

rui disse...

Caro António Mello e Castro,

Tomo a liberdade de publicar, como direito de resposta, o esclarecimento que o Sr. José Vicente me enviou.

A sua publicação na íntegra deve-se ao seu pedido expresso, pois inclui referências à minha pessoa que me parecem despropositadas.

Eis o seu conteúdo:

Exmo. Senhor Rui Martins,

Em primeiro lugar quero agradecer a excelente divulgação do catálogo do leilão no seu Blog. Bem-haja.

No entanto, em meu nome, gostaria de fazer um comentário às observações feitas ao leilão pelo Sr. António Mello e Castro:
a)– Penso que o Sr. Mello e Castro não está a falar da mesma pessoa – O Sr. João Paulo Abreu e Lima. Existem, que eu conheça, três coleccionadores de livros com este nome.
O dono desta biblioteca residia em Lisboa e faleceu em Outubro de 2009.
b) – Quando faleceu, a família fez um inventário da Biblioteca, que tem em seu poder. Em Maio de 2010 a Artes e Letras – Leilões fez também um Inventário dos livros transportados para as suas instalações e que são os que apresentamos no catálogo do leilão.
c) - A família ficou com alguns livros, mas em número reduzido.
d) – O Sr. Mello e Castro diz que era visita habitual da casa do Sr. Abreu e Lima. Bom, então deve verificar que não cabem em sua casa mais 80% dos livros, uma vez que diz só estarem no leilão 20% dos livros. (o catálogo comporta 1394 lotes, que comportam mais de 3000 volumes).
e) – É certo que incluímos cerca de 100 livros de outras proveniências, que aliás estão declaradas na capa do catálogo – Biblioteca de Abreu Lima e outras proveniências.
f) – Faço leilões há muitos anos, com mais de 50 catálogos de bibliotecas leiloadas e 3 bibliotecas em lista de espera para ser leiloadas, o que só é possível pela honestidade e competência demonstrada ao longo dos anos – e já lá vão 49 anos de actividade, pelo que não preciso de recorrer aos factos que o Sr. Mello e Castro insinua.
Não quero alimentar polémicas, pelo que fico por aqui com estes esclarecimentos, que são a reposição da verdade. E só respondo a este vosso leitor, pela consideração que tenho pelo director deste Blog e pelos elevados serviços prestados á cultura e á bibliografia pelo Sr. Rui Martins.

Se possível, agradeço a sua publicação. Em caso contrário, fico muito grato que reenvie o email ao leitor.

Atenciosamente,
José Vicente

PS: Quero manter o Blog como um espaço aberto e livre para a troca de pontos de vista e de opiniões sobre o livro e tudo aquilo que o rodeia, razão porque nunca apaguei qualquer comentário (como há quem faça), e espero nunca o fazer, mas penso que estas divergências deverão ser primeiro esclarecidas entre os contendores e só depois tornadas públicas…parece-me “mais elegante”

Aceite os meus cumprimentos

A bem da bibliofilia e bibliomania.