"Se não te agradar o estylo,e o methodo, que sigo, terás paciência, porque não posso saber o teu génio, mas se lendo encontrares alguns erros, (como pode suceder, que encontres) ficar-tehey em grande obrigação se delles me advertires, para que emendando-os fique o teu gosto mais satisfeito"
Bento Morganti - Nummismologia. Lisboa, 1737. no Prólogo «A Quem Ler»

sábado, 22 de agosto de 2015

Abade de Baçal – um valioso contributo de divulgação cultural



Retrato do Abade do Baçal
Henrique Tavares (Óleo sobre tela)

Ao "folhear" as Novidades Bibliográficas de Agosto de 2015 da Livraria do Adro do meu prezado amigo Miguel de Carvalho, deparei com uma vasta bibliografia do Abade de Baçal, figura ímpar no estudo e divulgação da história transmontana.

Quem foi afinal o Abade de Baçal?

Francisco Manuel Alves, mais conhecido como Abade de Baçal, nasceu em Baçal a 9 de Abril de 1865 e aí faleceu em 13 de Novembro de 1947.

Foi um arqueólogo, historiador e genealogista português.

Nascido numa aldeia do concelho de Bragança (Baçal), onde nasceram também seus pais Francisco Alves Barnabé e sua mulher Francisca Vicente, foi ordenado sacerdote em 13 de Junho de 1889, desde então, até a sua morte, tornou-se pároco da sua aldeia natal.

Dedicou a sua vida a recolher testemunhos arqueológicos, etnológicos e históricos respeitantes à região de Trás-os-Montes e, especialmente ao distrito de Bragança.
Autodidacta erudito, rústico e pitoresco.

A sua obra principal são as Memórias arqueológicas-históricas do distrito de Bragança (1909-1947), em onze volumes.

Em 1925 foi nomeado director-conservador do Museu Regional de Bragança, que desde 1935 é designado por Museu do Abade de Baçal (1) em sua homenagem.


Abade de Baçal

No quinto volume da sua obra-prima, dedicado aos Judeus, constam os seus títulos:

“Reitor de Baçal, Antigo Vereador da Câmara Municipal de Bragança, Antigo Vogal à Junta Geral do Distrito do mesmo nome, Sócio da Associação dos Arqueólogos Portugueses, da Sociedade Portuguesa de Estudos Históricos, do Instituto de Coimbra, da Academia das Ciências de Lisboa, do Instituto Etnológico da Beira, do Instituto Histórico do Minho, Presidente Honorário do Instituto Científico-Literário de Trás os Montes, Comendador da Antiga, Nobilíssima e Esclarecida Ordem de S. Tiago do Mérito Científico, Literário e Artístico, em atenção às suas qualidades de escritor reveladas na obra "Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança", distinguido pelo Clero Bragançano com a oferta dum cálix de valor artístico, com uma pena de ouro e um tinteiro no mesmo metal de alto valor artístico por oferta do Distrito de Bragança em reconhecimento dos seus trabalhos de investigação histórica em prol do mesmo, e ainda, ultimamente, Director-Conservador do Museu Regional de Bragança.”

Encontra-se colaboração da sua autoria no semanário Branco e Negro (2) (1896-1898).


Branco e Negro N.º 1


Vejamos então os títulos disponibilizados:



ALVES, Francisco Manuel (Abade de Baçal) – NO ARQUIVO DE SIMANCAS - Memórias Arqueológico-Historicas no Distrito de Bragança (tomo VIII). Tipografia Académica [Reedição do Museu do Abade de Baçal], Bragança,1980. In-8º de  130-(2) págs. Brochura.

Observações:
 
“Por iniciativa da trilogia regionalista Raúl-Quintela-Montanha fui, em junho de 1931, subsidiado pela Junta de Educação Nacional, estudar no Arquivo de Simancas (Espanha) a documentação histórica referente ao distrito de Bragança. Aproveitei a viagem, embora rodeando algo, para visitar terra relacionadas com o mesmo districto (...)”.

Referência: 12290
Preço:   17,00€



ALVES, Francisco Manuel(Abade de Baçal) – ARQUEOLOGIA E ETNOGRAFIA - Memorias Arqueológico-Historicas no Distrito de Bragança (tomo XI). Tipografia Académica [Reedição do Museu do Abade de Baçal], Bragança,1981. In-8º de  804 págs. Brochura. Cadernos por abrir.

Observações:   

“Sai agora o volume XI das Memórias Arqueológico-Históricas do distrito de Bragança, embora já se devesse considerar o XII, visto ter-se publicado o XI em 1940 por ocasião das Festas Centenárias da Fundação da Nacionalidade Portuguesa pela Academia Portuguesa da História, mas quem mandava ordenou  o seguinte, que se lê no Ao Leitor, a servir de prefácio ao referido volume: ‘Por deliberação da Comissão Executiva dos Centenários de 1939-1940, do Distrito de Bragança, resolveu-se publicar a matéria constante deste volume e encorporá-lo nas Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança, de que seria o tômo XI, mas, apresentado o assunto ao Senhor Ministro da Educação Nacional, ele mandou inclui-lo entre as obras comemorativas do Duplo Centenário, que a Academia Portuguesa da História tinha em publicação, visto o autor a ele pertencer.’ (...)”.

Referência: 12289
Preço:   30,00€



ALVES, Francisco Manuel (Abade de Baçal) – ARQUEOLOGIA, ETNOGRAFIA E ARTE - Memórias Arqueológico – Históricas do Distrito de Bragança (tomo X). Tipografia Académica [Reedição do Museu do Abade de Baçal], Bragança,1978. In-8º de  843-(27) págs. Brochura. Ilustrado ao longo do texto. Cadernos por abrir.

Observações:   

Reedição do X dos XI Tomos que constituem esta monumental obra referente à região brigantina, este tomo é a continuação do tomo anterior, onde se inventaria, por localidade, os monumentos,  vestígios arqueológicos e os costumes.

Referência: 12288
Preço:   30,00€



ALVES, Francisco Manuel (Abade de Baçal) – ARQUEOLOGIA, ETNOGRAFIA E ARTE - Memórias Arqueológico – Históricas do Distrito de Bragança (tomo IX).  Tipografia Académica [Reedição do Museu do Abade de Baçal], Bragança,s.d. In-8º de 718- (32) págs. Brochura. Profusamente ilustrado ao longo do texto.

Observações:   

“Mais um canto talhado para o monumento ao nosso ricão transmontano, célula do nosso Portugal, que não pode ser amado sem achegas monográficas elucidativas da sua História. Trata da sua Arqueologia, Etnografia e Arte, com muitas notícias inéditas, capítulos inteiros mesmo, auridas, não còmodamente em trabalhos de gabinete, mas por montes e vales, sem temor de frio, calor, chuva e mil outros incómodos inerentes às excursões, só avaliadas por quem a elas se dedica (...)”

São feitas referências, entre muitas outras,  a Abreiro (Capela de Santa Catarina, Arcã e Cruzeiro), a Aguieiras (Ermida de Nª Srª do Cruzeiro, castelo e esculturas rupestres), a Avidagos (sepulturas romanas), a castelos e afins em Aguieiras, Caravelas, Mascarenhas, Milhais, Mirandela, Regodeiro, Suçães, Vale de Gouvinhas, Vale de Juncal, Vale da Sancha e Vale de Madeiro e a castros em Abreiro, Ferradosa e Mascarenhas (Cidade), a Freixeda (mina, casarão e muralhas) e a Lamas de Orelhão (muro, poço e moedas romanas, ibéricas e visigóticas).

Referência: 12287
Preço:   30,00€



ALVES, Francisco Manuel (Abade de Baçal) – OS FIDALGOS - Memorias Arqueológico-Historicas no Distrito de Bragança (tomo VI). Tipografia Académica [Reedição do Museu do Abade de Baçal], Bragança,1981. In-8º de 806- (2) págs. Brochura. Ilustrado com.com 162 desenhos, reprodução de pedras-de-armas (brasões) de casas do Distrito de Bragança, pelo professor Domingos Vinhas. Cadernos por abrir.

Observações:   

Tomo dedicado às famílias nobres da região brigantina, inserida na colecção das "Memorias Arqueológico-Historicas no Distrito de Bragança ", monumental e fundamental obra sobre esta região.

Referência: 12286
Preço:   30,00€



ALVES, Francisco Manuel (Abade de Baçal) – OS NOTÁVEIS -Memorias Arqueológico-Historicas no Distrito de Bragança (tomo VII). Tipografia Académica [Reedição do Museu do Abade de Baçal], Bragança,1981. In-8º de 820 págs. Brochura. Ilustrado com epigrafia ao longo do texto e quadros de dados genealógicos desdobráveis em extra texto.

Observações:   

Nesta obra dedicada aos Notáveis o Abade de Baçal compilou referências biográficas e bibliográficas dos mais ilustres e destacados naturais do distrito de Bragança,e daqueles que,tendo outras proveniências geográficas,na região exerceram alguma actividade de relevo ou sobre ela produziram algum tipo de estudo.Este estuda  abarca um longo período cronológico,desde os finais da Idade Média até à contemporaneidade,reportando-se a maioria dos registos a esta última e à epoca moderna,como facilmente se compreende.

Os Notáveis abordam grande variedade de indivíduos,nobres e artistas,militares e eclesiásticos, escritores,políticos e santos, empresários.Este livro é não só um dicionário dos brigantinos ilustrem como também um repositório de informações de carácter histórico, bibliográfico, patrimonial, económico, político, científico, eclesiástico, heráldico-genealógico, etnográfico,e até anedótico.

A maioria das entradas estão ordenadas por ordem alfabética porém,as entradas onomásticas alterna com outras de índole temática (exemplos: deputados, governadores civis, etc)

Referência: 12285
Preço:   30,00€

Evidentemente que o Miguel de Carvalho apresenta, nesta sua selecção para Agosto, muitas obras, em minha opinião de maior raridade e procura, no entanto nunca devemos esquecer estes contributos valiosíssimos para a compreensão da nossa identidade nacional e cultural.

A título de exemplo saliento este belo exemplar:



MORAES, Wenceslau de – O CULTO DO CHÁ.   Typographia do "Kobe Herald", Kobe, 1905. In-8º de 46 págs. Brochado. Selo de livraria antiga coeva no canto inferior da primeira página. Uma folha com ligeiro corte na dobra. Restantes folhas estão intactas como no estado primitivo. Capas em exelente estado conservando parcial fita de seda verde original da brochura. Capa de brochura ilustrada a cores  e a prata, sem sinais maiores de manuseamento. Nestas condições um excelente exemplar e PEÇA DE COLECÇÃO.












Observações:   

É a MUITO RARA PRIMEIRA EDIÇÃO deste belo livro, em nossa opinião dos mais belos livros impressos em língua portuguesa no século XX. É porventura o mais raro, impresso em papel de Japão à maneira tradicional do país, ou seja, numa só face do papel e depois de dobrados, cozidos à margem. As ilustrações são de Yoshiaki e as gravuras de Gotô Seikodô, impressas a várias cores ao longo do texto.

Referência:12280
Preço:   1.150,00€

Mais uma vez quero expressar o meu elogio pela forma como a página da livraria é agora apresentada…parabéns Miguel pelos aperfeiçoamentos!

Saudações bibliófilas.


Notas:

Museu do Abade de Baçal em Bragança

(1) O Museu do Abade de Baçal: http://www.mabadebacal.com/#/HOME-01-00/


Rita Correia (01 de Fevereiro de 2012).
Ficha histórica: Branco e Negro : semanario illustrado (1896-1898) (pdf)
Hemeroteca Municipal de Lisboa

(2) BRANCO E NEGRO. SEMANÁRIO ILUSTRADO – Começou a publicar-se em Lisboa a 5 de Abril de 1896, sob a chancela da Livraria e casa editora António Maria Pereira (Livraria AMP), sedeada na Rua Augusta n.º 50 a 54. A redação e a administração do jornal estavam instaladas no n.º 49 do mesmo arruamento no coração da cidade. Manteve-se até 27 Março de 1898, totalizando 104 números. O seu fim, não anunciado terá ficado a dever-se à doença do editor, António Maria Pereira (AMP), que acabou por falecer a 27 de Julho de 1898. 

sábado, 15 de agosto de 2015

A poesia de Mário de Sá-Carneiro


Como estamos no Verão e apetece mais a praia...

Como estamos no Verão e apetece mais a praia ou passear pelo campo para fugir do calor (que por estes lados não tem sido tanto assim …) deixo este apontamento ligeiro para assinalar que a Tertúlia ainda não morreu…está a saborear umas férias, que infelizmente o seu autor não consegue ter!

… ou passear pelo campo. 
Mas sempre vou lendo ou relendo alguns dos meus livros.
Neste momento estou a reler o Mário de Sá-Carneiro (1), de quem recomendo vivamente a leitura da sua obra.

Caricatura de Mário de Sá-Carneiro por Almada Negreiros
Mário de Sá-Carneiro nascido em Lisboa a 19 de Maio de 1890 e que se suicidou em Paris a 26 de Abril de 1916, foi um dos grandes expoentes do modernismo em Portugal e um dos mais reputados membros da Geração d’Orpheu (2) (de que se comemora este ano o centenário do seu lançamento). Foi um poeta, contista e ficcionista.

José Pacheco (1885-1934), capa de Orpheu
Fascículo n.º 1, Janeiro - Fevereiro - Março de 1915

Embora tivesse adiado por alguns dias o dramático desfecho da sua vida, numa «cart de despedida» para Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro revela as suas razões para se suicidar que aqui se transcreve.

Retrato de Fernando Pessoa em 1914

Meu querido Amigo.
A menos de um milagre na próxima segunda-feira, 3 (ou mesmo na véspera), o seu Mário de Sá-Carneiro tomará uma forte dose de estricnina e desaparecerá deste mundo. É assim tal equal – mas custa-me tanto a escrever esta carta pelo ridículo que sempre encontrei nas «cartas de despedida»... Não vale a pena lastimar-me, meu querido Fernando: afinal tenho o que quero: o que tanto sempre quis – e eu, em verdade, já não fazia nada por aqui... Já dera o que tinha a dar. Eu não me mato por coisa nenhuma: eu mato-me porque me coloquei pelas circunstâncias – ou melhor: fui colocado por elas, numa áurea temeridade – numa situação para a qual, a meus olhos, não há outra saída. Antes assim. É a única maneira de fazer o que devo fazer. Vivo há quinze dias uma vida como sempre sonhei: tive tudo durante eles: realizada a parte sexual, enfim, da minha obra – vivido o histerismo do seu ópio, as luas zebradas, os mosqueiros roxos da sua Ilusão. Podia ser feliz mais tempo, tudo me corre, psicologicamente, às mil maravilhas, mas não tenho dinheiro. [...]
Mário de Sá-Carneiro, carta para Fernando Pessoa, 31 de Março de 1916.

Assinatura de Mário de Sá-Carneiro
Mas vejamos como esta personagem tão complexa nos deixou alguns dos nossos poemas mais sublimes:

Distante melodia
Num sonho d´Íris morto a oiro e brasa,
Vêm-me lembranças doutro Tempo azul
Que me oscilava entre véus de tule -
Um tempo esguio e leve, um tempo-Asa.

Então os meus sentidos eram cores,
Nasciam num jardim as minhas Ânsias,
Havia na minha alma Outras Distâncias -
Distâncias que o segui-las era flores...

Caía Oiro se pensava Estrelas,
O luar batia sobre o meu alhear-me...
– Noites-lagoas, como éreis belas
Sob terraços-lis de recordar-Me...

Idade acorde d´Inter-sonho e Lua,
Onde as horas corriam sempre jade,
Onde a neblina era uma saudade,
E a luz – anseios de Princesa nua...

Balaústres de som, arcos de Amar,
Pontes de brilho, ogivas de perfume...
Domínio inexprimível d´Ópio e lume
Que nunca mais, em cor, hei-de habitar...

Tapetes de outras Pérsias mais Oriente...
Cortinados de Chinas mais marfim...
Áureos Templos de ritos de cetim...
Fontes correndo sombra, mansamente...

Zimbórios-panteões de nostalgias,
Catedrais de ser-Eu por sobre o mar...
Escadas de honra, escadas só, ao ar...
Novas Bizâncios-Alma, outras Turquias...

Lembranças fluidas... cinza de brocado...
Irrealidade anil que em mim ondeia...
– Ao meu redor eu sou Rei exilado,
Vagabundo dum sonho de sereia...

Paris 1914 - Junho 30

Último soneto
Que rosas fugitivas foste ali:
Requeriam-te os tapetes – e vieste...
– Se me dói hoje o bem que me fizeste,
É justo, porque muito te devi.

Em que seda de afagos me envolvi
Quando entraste, nas tardes que apareceste –
Como fui de percal quando me deste
Tua boca a beijar, que remordi...

Pensei que fosse o meu o teu cansaço –
Que seria entre nós um longo abraço
O tédio que, tão esbelta, te curvava...

E fugiste... Que importa ? Se deixaste
A lembrança violeta que animaste,
Onde a minha saudade a Cor se trava?...

Paris - Dezembro 1915

Fim
Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!

Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza…
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro.

Paris 1916 

Todos estes poemas estão incluídos no livro Indícios de Oiro (3) de Mário de Sá Carneiro.


SÁ-CARNEIRO (Mário de) – Indicios de Oiro

Encadernação com lombada e cantos de pele azul decorada com nervuras e rótulos de ferros dourados em casas fechadas. Ligeiramente aparado e tintado à cabeça de azul.
Conserva capas da brochura.

Saudações bibliófilas e continuação de boas férias.

Eu cá volto às minhas leituras e às minhas flores.







Notas:
(1) Mário de Sá -Carneiro – Wikipedia: https://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A1rio_de_S%C3%A1-Carneiro
(2) Revista Orpheu – Wikipedia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Revista_Orpheu
(3) Conjunto de 32 poemas autógrafos, em caderno de capa dura azul, com assinatura do autor na capa, na diagonal – BNP: http://purl.pt/13863


domingo, 14 de junho de 2015

Livraria Olisipo – Importante Leilão de Livros e Manuscritos


José F. Vicente – Leilões da Livraria Olisipo vai organizar mais um leilão “Importante Leilão de Livros e Manuscritos” no Palácio da Independência Largo de São Domingos, 11 (ao Rossio) 1150-320 Lisboa.



O  leilão decorrerá nos dias 22, 23 e 24 de Junho de 2015 às 21h sendo os lotes leiloados como se segue:

1ª sessão – Lotes 1 a 400
2ª sessão – Lotes 401 a 800
3ª sessão – Lotes 801 a 1209

E a exposição terá lugar nos dias 21, 22, 23 e 24 de Junho das 15h às 20h também no local do mesmo.




Afinal enganei-me!
Mal tinha publicado o último post e eis que recebo mais este catálogo do meu amigo José F. Vicente para mais um dos seus leilões.
(quem me dera que todos os meus erros fossem só como este….)

Mas vamos ao que agora importa que é falar deste leilão: parece-me um acervo com algumas peças de interesse, mas que são já na sua grande maioria nossas conhecidas, pelo que interessa mais assinalar o evento do que fazer a sua descrição exaustiva.

Mas referirei a título ilustrativo (mais do que qualitativo) alguns dos seus lotes que me despertaram maior curiosidade.



012 ADRICOMIO DELFO, Christiano. THEATRUM TERRAE SANCTAE ET BIBLICARUM HISTORIARUM cum tabulis geographicis oere expressis. AVCTORE, CHRISTIANO ANDRICHOMIO, DELPHO. [Colofon]: COLONIAE AGRIPPINAE, In Officina Birckmannica, Sumptibus Hermanni Mylij. ANNO. CIC.ICC. XXIIX. [Colónia, Köln, 1628]. In-Fólio de [6] Fólios, 286 págs, [14] Fólios. Enc. [€ 1.200 / 2.000]

Profusamente ilustrado com 11 gravuras desdobáveis intercaladas no texto com os mapas da localização das várias tribos de Israel; e 1 mapa desdobrável com o panorama urbano em perspectiva sobrelevada, apresentando este mapa reparações nas dobragens sem perda gráfica.
Apresenta também uma página de rosto gravada a partir de chapa e no texto vinhetas e maiúsculas decorativas.Encadernação da época inteira de pergaminho flexível, desligada, precisa de ser cosida aos cadernos. A obra contém a história universal até ao final do século primeiro da Era Cristã tal como era entendida pela Igreja Católica Romana. Apresenta uma cronologia resumida dos factos históricos, desde o “princípio do Mundo” até Cristo, com o Mundo a começar no ano de 3945 antes de Cristo. Além da cronologia desde Adão até a morte do apóstolo João no ano 109 d. c. esta obra também fornece uma descrição da Palestina e das antiguidades de Jerusalém, a descrição dos lugares, e a descrição das tribos de Israel. Christian Van Kruik Adrichem, padre católico e teólogo, nasceu em Delft em 1533 e morreu em Colónia em 1585. Ordenado em 1566 foi superior do Convento de Santa Barbara em Delft até à sua expulsão pela Reforma. Outras obras do mesmo autor: ‘Vita Jesu Christi’ (Antuérpia, 1578) e ‘Theatrum Terrae Sanctae et Biblicarum Historiarum’ (Colónia, 1590)


.
021 ALLEGAÇAM // DA // MITRA PATRIARCHAL CONTRA A ORDEM DE SANTIAGO // NA QVAL SE PROPOEM, E CONFUTAM // os excessos, com que o Prior mór de Palmella, e a jurisdicção // das Ordens, ampliando as faculdades de seus privilegios contra // as disposiçoens de Direito, e estipulaçoens do contrato, porque // obteve as Igrejas, que tem ultra Tagum, offendem, e usurpão // as prerogativas da mesma Mitra, e sua jurisdicção Ordinaria. // FEITA POR MANDADO // DO ILLUSTRISSIMO REVERENDISSIMO SENHOR // DOM THOMÁS S. I. // PATRIARCHA DE LISBOA. // Lisboa Occidental. // Na Officina de Pascoal da Sylva. // M.DCC.XXIII. In-Fólio de [8], 418, [1] págs. Enc. [€ 200 / 400]

Rara. Esta obra tem sido também atribuída a D. João Cardoso Castelo. Exemplar muito limpo e com grandes margens. Encadernação da época inteira de carneira.



073 BAIÃO, José Pereira. – PORTUGAL // GLORIOSO, // E ILLUSTRADO // com a Vida, e Virtudes // DAS BEMAVENTURADAS RAINHAS // SANTAS SANCHA, THERESA, // MAFALDA, ISABEL, E JOANNA: // BREVE NOTICIA DOS SEUS MILAGRES, // de seus cultos, e Trasladações // ... / Lisboa Occidental, // Na Officina de Pedro Ferreyra. // M.DCCXXVII. In-8º de [34], 528 págs. Enc. [€ 150 / 300]

Muito Rara. Ilustrada com um anterrosto gravado e uma estampa que representa as 5 Santas tratadas na obra. Frontispício impresso a negro e vermelho.
Bom exemplar. Encadernação da época inteira de carneira com defeitos na lombada.



078 BAPTISTA, João Maria. – CHOROGRAPHIA MODERNA DO REINO DE PORTUGAL. Coadjuvado por seu filho João Justino Baptista de Oliveira. Volume I (ao Volume VII). Lisboa. Typographia da Academia Real das Sciencias. 1874 (a 1879). 7 Vols. In-8º Encs. [€ 300 / 600]

Colecção completa. Obra importante, pelas desenvolvidas notícias históricas, topográficas, monográficas, etc. Rara. Encadernações modernas meias de pele. Capas de brochura preservadas.



111 BIRAGO, Dr. Gio: Battista. – HISTORIA // Del Regno di Portogallo // del... // Avogarro. Lugduni. Anno 1644. In-8º de [33], 666, 113, [8] págs. Enc. [€ 500 / 900]

Os dizeres do frontispício dentro de uma elegante portada gravada, ilustrada com os brasões de armas de Portugal e de Espanha e a esfinge dos reis de Portugal desde D. Afonso Henriques a D. João IV, incluindo os Filipes. Exemplar em papel forte, parecendo uma tiragem especial, encontrando-se em magnifico estado de conservação. Ostenta o ex-libris da Biblioteca Banzi.
Encadernação inteira de pergaminho. Corte das folhas carminado.



141 CAETANI, Constantino. – SANCTOR[UM]TRIUM EPISCUPOR[UM] // RELIG[IOSIS] BENED[ITINAE] LVMINUM // ISIDORI HISPALENS[IS] // ILDEFONSI TOLET[INO] // GREGORII CARD. OST.// VITAE, ET ACTIONES // ... // Romae: Apud Iacobum Mascardum. 1606. In-4º de 156, [98] págs. Encs. [€ 500 / 900]

Ilustrado com 1 magnifico frontispício gravado adornado com o escudo de Filipe III (ao centro) a quem o autor dedicou a obra e com cenas das vidas dos santos ibéricos biografados na obra: S. Isidoro, S. Ildefonso, S. Gregorio. Exemplar com títulos de posse na folha de rosto pertencentes à Biblioteca de Santa Cruz do Bussaco.

Costantino Caetani (1560-1650) Beneditino, erudito, Abade de S. Baronti, foi Bibliotecário do Vaticano.
Encadernação da época inteira de pele.



203 PAR DE ESTATUETAS. Luís de Camões, de corpo inteiro, lendo e declamando os Lusíadas. Em metal. Altura: 12,5cm [€ 75 / 150]

Do lote 144 ao lote 207 temos um conjunto da temática camoneana da qual refiro, por ser muito conhecida, esta edição – edição de os Piscos:



155 CAMÕES, Luís de. - OS LVSIADAS // DE LVIS DE CAMÕES. // Agora de nouo impresso, com alguas Annota- // cões, de diuersos Autores. // (Marca di Impressor) // Com licença do Supremo Conselho da Sancta // & Geeral Inquisição, por Manoel de Lyra. // Em Lisboa. Anno de 1584. In-16º de [12], 280 fls. Enc. [€ 1.500 / 2.500]

Edição conhecida pela designação de os Piscos, de pequeno formato destinada aos estudantes. O texto foi desfigurado em relação ao da edição de 1572, por acrescentos, espúrios e substituições. Edição de EXTREMA RARIDADE e poucos exemplares completos têm aparecido no mercado. Este exemplar tem fotocopiado o frontispício, as 11 folhas preliminares e as folhas de texto 1, 137 e 272 a 280. As Fls. 265 a 268 com pequeno restauro que atinge a numeração. Encadernação moderna inteira de pergaminho, com ferros a outo na lombada, pastas e seixas, executada por Victor Santos. Catálogo da Exposição Bibliográfica, Iconográfica e Medalhística de Camões, 1972, Nº 3; Anselmo, 1738; Livros de D. Manuel, Nº 178.



222 CARTA CONSTITUCIONAL DA MONARCHA PORTUGUEZA. Decretada e dada pelo Rei de Portugal e Algarves D. Pedro Imperador do Brasil ao 29 de Abril de 1826. Lisboa. Imprensa Nacional. 1847. In-16º de 61, [2], 47, 16, 46, 40, 8, págs. Enc. [€ 50 / 100]

Muito Rara. Contém para além da Constituição o Regimento Interno da Camara dos Dignos Pares do Reino, Regulamento Interno da Camara dos Deputados, Regimento Interno das Cortes Geraes, e Disposições Addicionaes ao Regimento Interno da Camara, publicados na mesma data.
Encadernação da época inteira de pele vermelha, com ferros a ouro e a seco na lombada e pastas.
Dourado por folhas.

De Camilo Castelo Branco temos alguns exemplares – lotes 236 a 243 – que se poderão connsiderar raros – mas o seu estado “deixa muito a desejar” como é o caso de:



236 CASTELO BRANCO, Camilo. – AGULHA EM PALHEIRO. Romance original. Rio de Janeiro. Typ. do Correio Mercantil. 1863. In-8º de [4], 245 págs. Enc. [€ 75 / 150]

Primeira edição. Raríssima. (1) Publicada originalmente no “O Futuro”, periódico fluminense de que era director Francisco Xavier de Novais.
Exemplar com falta do anterrosto. Encadernação meia de pele. Sem capas. Com manchas de acidez.

[(1) Sublinhado meu.
Veja-se a este propósito a 2ª edição (publicada em Portugal):
BRANCO, Camilo Castelo – AGULHA EM PALHEIRO // POR // CAMILLO CASTELLO BRANCO // - // SEGUNDA EDIÇÃO, REVISTA PELO AUTHOR // (Vinheta editorial) // PORTO // EM CASA DA VIUVA MORÉ – EDITORA // 1865 In-8° de 262 págs. Encadernado.
Compreende ante-rosto com os dizeres AGULHA EM PALHEIRO e verso com lista bibliográfica da livraria; frontispício textualmente descrito supra e verso com subscrição tipográfica Typographia de Sebastito José Pereira, // Rua do Almada, 641; página 7 com DUAS PALAVRAS datadas no final da mesma Porto, Janeiro de 1865. O romance propriamente dito decorre da página 9 à página 262 ao longo de XXI capítulos, e uma CONCLUSÃO.
HENRIQUE MARQUES, 94; MANUEL DOS SANTOS, 59; JOSÉ DOS SANTOS (1939), 8; CONDE DA FOLGOSA, 1109; CAMILIANA (SOARES & MENDONÇA, 1968), 746; ALMEIDA MARQUES, 319]



246 CASTELO BRANCO, João Rodrigues de. - AMATI LVSI- // TANI // MEDICI PHYSIC // PRAESTANTIS- // simi curatonum me- // dicinalium, // CENTVRIAE DUAE, // QVINTA ET SEXTA, // In quarum vltima Curatione, continetur // Colloquium eruditissimum: in quo do- // ctissime disputatur, & agitur de curan- // dis capitis vulneribus: // ... // LVGDVNI, // Apud Gulielm Rouillium. // 1564. In-16º de 647, [33] págs. - No mesmo volume:
AMATI // LVSITANI // MEDICI PHYSICI // PRAESTANTISSIMI, // CVRATIONVM ME- // DICINALIVM // CENTVRIAE SEPTIMA, // LVGVNI, // APVD GVLIEL. ROVILLIVM // 1570. In-16º de 332, [17] págs. Enc. [€ 2.500 / 4.000]

RARISSIMAS. Amato Lusitano, médico português de origem hebraica, publicou sucessivamente ao longo da sua vida um total de sete centúrias, que foi acrescentando às edições.
O autor natural de Castelo Branco, escolheu conjuntos de práticas médicas que se afastavam do padrão quotidiano para com elas explicarprocedimentos e recomendar terapêuticas.
Transformou-as em livros de memórias do seu exercício profissional ao longo de 40 anos. Os seus casos foram recolhidos em toda a Europa por onde viajou: Península Ibérica; Península Itálica e Flandres, tendo depois estado na Península Balcânica. Impressão em caracteres rotundos e itálicos. Amato Lusitano ou Amatus é pseudónimo de João Rodrigues de Castelo Branco. Encadernação inteira de carneira com defeitos.

Vamos encontrar alguns incunábulos – lotes 582 e 583 – o que não é muito frequente aparecer nos leilões realizados recentemente.

A este propósito veja-se:


582 AGOSTINHO, Santo. – SERMONES AD HEREMITAS ET NONNULLI AD SACERDOTES SUOS ET AD ALIQUOS ALIOS. No Colofon: Impressium Venertiis per Paganinus de paganinis Anno Domini M.DCCCC. LXX.VII. die XXVI Maii. (1477). In-8º peq. De 134 págs. Enc. [€ 8.000 / 12.000]

RARISSIMO. Santo Agostinho foi um dos grandes santos da fé católica, produziu, segundo ele próprio, inacreditáveis 230 obras. As mais conhecidas são sua autobiografia, as Confissões, em que narra sua vida pecaminosa e a descoberta de Deus, e a Cidade de Deus, sua descrição do reino divino. Agostinho foi criado como umcristão por sua mãe na África do Norte, mas, na juventude, quando estudava em Cartago, ficou insatisfeito com a aparente simploriedade das escrituras cristãs. Em busca de uma religião digna de um filósofo, tornou-se seguidor dos maniqueístas, seita fundada pelo profeta Mani, crucificado na Pérsia em 277. Embora, segundo suas Confissões, o tempo que passou em Cartago e nas proximidades, estudando e depois ensinando, tenha sido bastante licencioso, aos 18 anos, foi morar com a mãe de seu filho.
Não se sabe porque nunca se casaram; talvez ela fosse ex-escrava, caso em que o casamento seria proibido pela lei romana. Em 384 a família mudou-se para a Itália, onde Agostinho entrou em contato com o neoplatonismo, que, vencendo sua relutância, ajudou a convencê-lo a se reconverter ao cristianismo em 386. Retornou à África do Norte em 391, agora preparado para uma vida de celibato, e tornou-se presbítero e, mais tarde, bispo de Hipona. Fundou uma comunidade de discípulos em sua cidade natal, Tagaste, na Numídia. Morreu em Hipona aos 75 anos, quando a cidade estava cercada por vândalos que, em seguida, a saquearam. (Respigado de “Filosofos - Vida e Obra”. Texto a duas colunas, encontrandose em perfeito estado de conservação. Em Portugal é apenas conhecido o exemplar que se encontra na Biblioteca Publica Municipal do Porto, onde vem descrito no Catálogo dos Incunábulos, pág. 87, Nº 42, indicando a data de 1487(sic) e possuindo as duas folhas iniciais mutiladas. Ostenta na guarda da encadernação os Ex-Libris de Clement Amat e de Estelle Doheny. Encadernação do século XIX meia de pele. Acondicionado numa caixa-estojo moderna inteira de pele. Haine, 2002.
Peça de colecção.

Vamos encontrar também alguns manuscritos – lotes 744 a 752 – de que se dá como exemplo:


744 BEIRÃO, Francisco António Ferreira. - Discurso // Que para celebrar // os anos de Sua Mag. // El Rey Nosso Snr. // Recitou a Sala da da Adm. do Cofre do Mto. // Pio Literário // Francº Antº Ferrª Beirão // ... // em 1819. In-8º de 70 Fls. Br. [€ 600 / 1.200]

Discurso para celebrar os anos do Rei D. João VI.
Inocêncio dá notícia do autor no Tomo IX, págs. 339/340.



790 MESQUITA, Martinho de. – ESTRAEUM FULMEN, // IN BATAVORUM CLASSEM.// A IOVE GALLICO // LVDOVICO XIV, // GALLIARVM REGE INVICTISSIMO, // IACVLATVM: // Tanti Fulminis Administro // ILLVSTRISSIMO, ET EXCELLENTISSIMO COMITE // IOANNE D’ESTREÉS, // EIVSDEM REGIS // In toto Occidentali Oceano PROARCHITALASSO, ad insulam // Tabacco in America Meridionali:// AB ABBATE MARTINO MESQVITA LVSITANO // Heroico redditum Carmine. // Sub Auspicijs // ILLVSTRISSIMI, ET EXCELENTISSIMI PRINCIPIS // FRANCISCI HANNIBALIS D’ESTREÉS // DUCIS, ET PARIS FRANCIAE // In Prouincia Insulae Franciae Proregis, &c. // Et eiusdem Potentissimi Regis apud Summum Pontificem // Extraordinarij Oratoris. // ROMAE, Apud Angelum Bernabò, Sacrae Regiae Christianissimae // Maiestatis Typographum. M. DC. LXXVII. [1677]. // In-Fólio 14 págs. Enc. [€ 500 / 950]

Encadernação artística da época em pergaminho flexível com ferros a ouro em ambas as pastas em esquadrias e com super-libris eclesiástico armoriado. Carimbo oleográfico da Casa Palmela no frontispicio. Martinho de Mesquita era filho de Gaspar Dias de Mesquita e irmão de Salvador de Mesquita, nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 1633 e fez seus estudos em Roma, onde recebeu, na Academia de Sapiência, o grau de Doutor e onde morou com o cardeal Antonio Barberini, a cuja amizade e favores mostrou-se sempre reconhecido. Foi também particular amigo do Padre António Vieira.



883 PATRIOTA PORTUENSE Num. 1 – 1 Janeiro.1821 (ao Num. 307 - 31 Dezembro.1821). Editor: Azevedo Soares. Porto. Typ. de Viuva Alvarez Ribeiro & Filhos, 1821. 307 Nos. In-Fólio. Encs. em 2 Vols. [€ 270 / 500]

Colecção completa desta Raríssima publicação.
Em magnífico estado de conservação. 
Encadernações da época meias de pele.




949 PSALTERIUM // DAVIDICUM // ADUSUM ET RITUM SACRI // & Religiosissimi Ordinis Cisterciensis, // per Hebdomadam dispositum. // NUNC RECENS A MENDIS QUAMPLURIMIS // repurgatrum, & Canticis, Hymnis, Inventatoriis, Benedictionibus, Anti- // phonis, Versibus, Capitulis, Collectis, aliisque omnibus necessariis // ad persolvendum Divinum officium adauctum. // Authoritâte Reverendissimi Domini Abbatis Generális Congregationis // Alcobacenses S. Bernardi. // (Gravura alegórica) // COLONIAE, // Sumptibus Henrici du Sauzet. // M.DCC.XXIII. In-Fólio de [20], 611 págs. Enc. [€ 500 / 900]

Edição monumental impressa a negro e vermelho. As licenças vêm assinadas por Fr. Josephus da Cunha e Fr. Emmanuel à Rocha, Cistercienses de Alcobaça. Exemplar com manchas de água em algumas folhas, mas em bom estado de conservação. Rebusta encadernação da época inteira de pele, com minúsculos defeitos, com ferros a seco, com brochos em ambas as pastas e fechos intactos.



1034 SANCHES, Francisco. – FRANCISCI // SANCHEZ // DOCTORIS MEDICI, // ET IN ACADEMIA // Tolosana Professoris Reii, // OPERA MEDICA // HIS IVNCTI SVNT TRACTATVS // quidam Philosophici non insubtiles. // (Gravura alegórica) // TOLOSAE TECTOSAGVM // Apud Petrvm Bosc. // M.DC. XXXVI. In-8º de [16], 943, 134, [24] págs. Enc. [€ 10.000 / 12.500]

Primeira edição, de EXTREMA RARIDADE. O autor era cristão-novo, natural de Braga. Ilustradacom uma portada gravada com várias figuras e de Francisco Sanches em corpo inteiro. Apresenta ainda o retrato do autor e sete estampas, algumas em folhas desdobráveis. Segundo o Dr. Moreira de Sá, Francisco Sanches foi “astrónomo, geómetra, filósofo e médico, observador infatigável da Natureza, autêntico protótipo do homem do Renascimento, legou-nos uma obra que foi o arauto da revolução filosófica nos séculos XVII e XVIII”. As 24 páginas de Índice estão deslocadas encontrando-se no início do texto, quando deveriam estar no final da obra. Pequenos restauros à cabeça nas duas primeiras folhas preliminares sem afectar letras do texto. Pequena falta de papel nas páginas 883/884. Encadernação do século XVIII inteira de carneira.



1040 SANTA RITA DURÃO, Fr. José de. - CARAMURÚ. // POEMA EPICO // DO DESCUBRIMENTO // DA BAHIA, // COMPOSTO // por // LISBOA // Na Regia Officina Typogragica. // Anno M.DCC.LXXXI. In-8º de 307 págs. Enc. [€ 1.800 / 3.000]

PRIMEIRA EDIÇÃO deste imortal poema sobre o descobrimento da Bahia e naufrágio de Diogo Alvares e seus companheiros, seu salvamento e fim trágico.
Encadernação inteira de carneira, com defeitos na lombada. Pequenos cortes de traça nas margens e minúscula assinatura no frontispício.
Bibliografia Brasiliana, Tomo I, págs. 237/238. Samodães, 3030; Inocêncio, Tomo V, 111.


Vinheta

E finalmente refira-se que este catálogo não apresentando um acervo significativo na temática da literatura (e mesmo assim com exemplares de qualidade questionável – caso da Dispersão de Mário de Sá-Carneiro – falo de qualidade e não de raridade!) apresenta um lote significativo de obras de José Saramago – lotes 1056 a 1066 – e onde se encontra, na minha opinião, uma das suas obras mais raras:



1065 SARAMAGO, José. - OS POEMAS POSSÍVEIS. Lisboa. Portugália Editora. 1966. In-8º de 188, [4] págs. Br. [€ 150 / 300]

Edição primitiva, de grande raridade. Integrada na colecção Poetas de Hoje. Capas de brochura com pequenos picos de acidez.



1206 WAIN, John. - THINKING ABOUT MR. PERSON. With two etchings by Bartolomeu dos Santos. Beckenham, Kent. MCMLXXX. In-4º de [16] págs. Enc. [€ 200 / 400]

Primeira edição. Esta obra, Pensar sobre Pessoa (Fernando Pessoa), teve uma tiragem de apenas 100 exemplares em papel de superior qualidade, assinada pelo autor e pelo ilustrador. A obra vem acompanhada de duas serigrafias assinadas por Bartolomeu dos Santos (Bartolomeu Cid dos Santos, 1931-2008) e numeradas VIII/XV, idênticas às incluídas na obra. Encadernação editorial em tela, acondicionada numa caixa-estojo próprio. Em magnífico estado de conservação.


Alguns dos livros em leilão

Julgo ter deixado, ainda que em traços gerais e sob o meu ponto de vista, uma  das leituras possíveis  deste bom catálogo, agora ficará uma análise mais rigorosa ao vosso cuidado.

Saudações bibliófilas.