"Se não te agradar o estylo,e o methodo, que sigo, terás paciência, porque não posso saber o teu génio, mas se lendo encontrares alguns erros, (como pode suceder, que encontres) ficar-tehey em grande obrigação se delles me advertires, para que emendando-os fique o teu gosto mais satisfeito"
Bento Morganti - Nummismologia. Lisboa, 1737. no Prólogo «A Quem Ler»

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Algumas propostas natalícias em bibliofilia



Gravura no Catálogo n.º 93
Livraria Manuel Ferreira

Estamos perto do fim do Natal e a maioria dos livreiros-antiquários aproveita esta quadra festiva para fazer a divulgação em catálogo de alguns dos seus livros em acervo com venda a preço fixo.
(que vêm mesmo a calhar, pois não vamos estar sujeitos ao “risco” de licitações de outros potenciais concorrentes, como acontecia nos vários leilões que decorreram.)

São precisamente destes catálogos, que me foram enviados, que eu quero compartilhar convosco algumas das suas propostas.

Comecemos pela In-Libris do Porto: O Natal... na In-Libris!


Parece-me merecer destaque:



MACEDO (José Agostinho de).— A BESTA ESFOLADA. [Lisboa. Na Typografia de Bulhões e Impressão Regia a partir do 2º número. Anno 1828-1829]. 26 números 15,5x21 cm. Enc. em 1 vol. E.

Publicação periódica, de cariz político, da autoria de José Agostinho de Macedo, defensor acérrimo do absolutismo. Este ex-fradre, figura ímpar das letras do seu tempo, quer pelas polémicas que criava, nomeadamento com Bocage e Garrett, quer por ser considerado o introdutor da poesia naturalista.
Encadernação com lombada em pele, um pouco esfolada. Assinatura antiga de posse na primeira folha de texto. Miolo em excelente estado de conservação.
A esta colecção falta um último número (a besta pario - não numerado), muito raro de aparecer.
(Este ainda da montra anterior)



FIGUEIRAS (Jacinto) & RiCCA (Maximiniano).— HINNO DA CIDADE DO PORTO. Por... Approvado Officialmente pela Exmª Camara Municipal. Offerecido e editado pela Tuna Orquestra dos Empregados de Commercio do Porto. Tipo-Litografia Minerva. Porto. 27x38 cm. IV págs. inum. B.

Trata-se de um raro e belo folheto que contém a pauta e a letra do Hino Da Invicta e Leal Cidade do Porto.
Em perfeito estado de conservação.

A Librairie Le Feu Follet de Paris apresentou o seu Catalogue Décembre 2012.

«Le Feu Follet vous propose son catalogue de décembre. Vous y trouverez notamment: un important envoi autographe de Samuel Beckett sur En attendant Godot, une Recherche du temps perdu complète, agrémentée d'une lettre signée de Marcel Proust, la véritable édition originale de Pages marocaines d'Henri Bosco, un très bel exemplaire de Mes journaliers d'Isabelle Eberhardt, tirage de tête avec envoi de Louis René Doyon et relié par Miguet...»



Vejamos então algumas das obras acima referenciadas.



Henri BOSCO – Pages marocaines. Editions de la galerie Derche, Casablanca, 1948, 26x33cm, en feuilles sous chemise, tirage de tête.



Edition originale, un des 40 exemplaires numérotés vélin pur chiffon, seul tirage avec 20 vélin de Rives. Ouvrage illustré de lettrines et motifs dessinés et gravés sur bois par Pierre Bouchet. Une photographie originale de Henri Bosco assis à sa table de travail a été encollée sur une garde. Petites piqûres affectant le premier feuillet, l'étui est manquant. Très rare.



Isabelle EBERHARDT / Louis-René DOYON – Mes journaliers précédés de La vie tragique de la bonne nomade. La Connaissance, Paris, 1923, 14x19cm, relié, tirage de tête. Autographe



Edition originale, un des 26 ex numérotés sur Hollande Van Gelder, celui-ci un des ex nominatifs imprimé pour Edouard Willermoz, tirage de tête.



Reliure en demi maroquin à coins vert, dos éclairci à cinq nerfs, initiales et date dorées en queue, tête dorée sur témoins, couvertures et dos conservés, élégante reliure signée de J.P. Miguet.
Premier ouvrage entièrement de la main de Eberhardt, ce carnet de route, illustré de croquis de l'auteur, relate son parcours initiatique et poétique de Genève aux portes de Sahara. Retrouvé avec d'autres cahiers dans les décombres de sa maison, ce carnet était conservé jusqu'alors par son mari et ses descendants. Révélés en 1922, ces précieux documents ont également permis la rédaction de la première biographie documentée de Isabelle Eberhardt, par Louis-René Doyon qui précède le journal.



Emouvant envoi de Louis René Doyon à une proche amie, à la fin de sa préface.
Bel exemplaire agréablement établi par J.P. Miguet.

A Livraria Manuel Ferreira do Porto apresentou o seu Catálogo n.º 93 de Livros Raros e Esgotados.



Veja-se por exemplo esta obra de interesse histórico.





Por último mas sem um link para o respectivo catálogo, como infelizmente é habitual (pode ser solicitado para livraria.antiquariacalhariz@gmail.com) a Livraria Antiquária do Calhariz de Lisboa apresenta-nos o seu 17º Boletim Bibliográfico – lista seleccionada.


17º Boletim Bibliográfico

Entretanto, e já depois de escrita a primeira versão deste post, recebi da Livraria Moreira da Costa situada na Rua de Avis, n.º 30 no Porto o seu Boletim Bibliográfico de Dezembro de 2012 com livros antigos, raros ou simples curiosidades.



Refiro, a título meramente exemplificativo, estes três títulos:
(para aqueles que não conheçam esta Livraria proponho uma visita à sua Montra para terem uma ideia mais clara do seu interesse para o coleccionador bibliófilo)



CARTA ESCRITA POR L. P. A. P. A HUM SEU PATRICIO DA CIDADE DA BAHIA. Lisboa. Na Nova Officina de João Rodrigues Neves. M. DCCC. VIII (1808). In-8º de 33 págs. B. Do prólogo: "Offereço-te huma Relação circunstanciada dos acontecimentos que se succederão huns aos outros em Portugal, desde a entrada do Exercito de Junot até a sua evacuação."



CONCEIÇÃO, Fr. Feliciano da – ORAÇAÕ PANEGYRICA A S. JOAÕ BAUTISTA Na Trasladaçaõ das muyto Regiliosas Filhas da Santa Madre Theresa de Jesus para o Novo Convento de Carmelitas Descalças da Cidade de Coimbra que... Recitou Fr. Feliciano da Conceicaõ, Monge de S. Jeronymo. Aos vinte, e quatro de Junho de 1744. Coimbra. No Real Collegio das Artes da Companhia de Jesus, Anno de 1746. In-8º de X-13 págs. B. Muito raro.



RELATORIO DA DIRECTORIA DO GABINETE PORTUGUEZ DE LEITURA NO RIO DE JANEIRO em 1878. Rio de Janeiro. Imperial Instituto Artistico. 1878. In-4º B.

Com estas propostas podemos tomar conhecimento de várias hipóteses de compras, aqui sim não me restam dúvidas disso, pois existem obras “para todas as bolsas”!


Gravura do 17º Boletim Bibliográfico
Livraria Antiquária do Calhariz

Caso não vos interessem nenhuma destas propostas terão sempre a possibilidade de melhorar os vossos conhecimentos bibliófilos com a sua leitura e consulta atentas.

Saudações bibliófilas.


sábado, 8 de dezembro de 2012

Bauman Rare Books – December Holiday 2012 Catalogue






O catálogo á apresentado com esta introdução na Newsletter:

“Our last catalogue of the year features an exceptional selection of new acquisitions and fine gift suggestions.

We are pleased to offer the very rare privately printed subscribers' edition of T.E. Lawrence's masterpiece Seven Pillars of Wisdom. This is one of only 170 complete copies initialed and dated by Lawrence.





The catalogue opens with Francis Frith’s Egypt and Palestine, two folio volumes of 19th-century photographs of Egyptian and Palestinian antiquities, with 76 lovely mounted albumen prints.



First editions of all five of Charles Dickens’ renowned Christmas Books in the original cloth—including a rare first issue of his beloved A Christmas Carol—would make a superb holiday gift.

This catalogue features autograph letters and documents signed by Abraham Lincoln, Thomas Jefferson, and Benjamin Franklin, as well as books signed and inscribed by John F. Kennedy, Winston Churchill, Albert Einstein, and many others. And we are pleased to present a wonderful selection of beautifully framed illuminated manuscript leaves and handsomely bound Bibles.”

Vem isto a propósito de como nunca se devem guiar pelas minhas avaliações!

Porquê?

Pois se eu estivesse em condições de adquirir algum dos livros deste catálogo, seguramente não escolheria nenhum deles, pois não se encontram nos horizontes das temáticas ou obras que me interessam.
(nem me passa pela cabeça pôr em questão a escolha do livreiro-antiquário que me parecem perfeitamente correctas e justificadas)

Por exemplo, gostaria muito que qualquer um destes dois exemplares (e por que não os dois?) viesse enriquecer a minha biblioteca:

Louis XV, “The Well-Loved”: Commemorative 18th Century Fête Royale, Fully Engraved Atlas Folio, With Splendid Double-Page Plates, In Presentation Binding With The Arms Of Louis XV



38. (LOUIS XV) WEIS, Johann Martin. Représentation des fêtes donneés par la ville de Strasbourg. Paris, 1745. Atlas folio (19 by 25 inches), contemporary full brown mottled calf gilt rebacked, front and rear covers feature gilt centerpieces of the crest and arms of Louis XV and the crest and arms of the city of Strasbourg in the four corners.

First edition of this splendid fête book, with the portrait of Louis XV le Bien Aimé (the “well loved”) on horseback (often not present), 11 double-page engravings, and twenty pages of fully engraved text framed in decorative fleuron borders, with head and tailpiece vignettes. A lovely copy in original calf-gilt by Michel Padeloup, bookbinder to the King, decorated with the gilt arms of Louis XV and the city of Strasbourg.

(Belo exemplar e com uma encadernação por esse mestre que foi Michel Padeloup)



In the year 1744, while hastening from his conquests in Flanders during the war of the Austrian Succession to assist Alsace, Louis XV was felled by a malady at Metz which threatened to cut short his reign. According to the Abrégé Chronologique de l’Histoire de France, “At the news of this, Paris, all in terror, seemed a city taken by storm: the churches resounded with supplications and groans; the prayers of priests and people were every moment interrupted by their sobs: and it was from an interest so dear and tender that this surname of Bien-aime fashioned itself, a title higher still than all the rest which this great Prince has earned” (Paris, 1775). Louis XV spent five days in October, 1744 recuperating from this illness in Strasbourg. This large atlas folio commemorates the king’s stay in that city with 11 double-page engravings depicting his arrival and the subsequent festivities, including a fireworks display. The engravings are followed by 20 pages of fully engraved text describing the festivities and participants. Executed by the Strasbourgian engraver Jean-Martin Weiss in collaboration with the Royal Engraver J. Ph. La Bas these images represent Louis XV at the height of his popularity and power. Text in French. Lewine, 455. This copy with printed ticket pasted to the foot of the title page: “Relié par Padeloup/ Relieur du Roy/ place Sorbonne à Paris.” Michel Padeloup, royal bookbinder to Louis XV, executed this binding and decorated it with the King’s coat-of-arms, quite possibly intended as a gift by the crown of France. Owner signature. Engravings clean; tape repair to lower corner of portrait. Early joint repairs tender, restoration to extremities of binding, very good condition. A beautifully bound and illustrated volume.

“It Was The Best Of Times, It Was The Worst Of Times”: First Edition Of Dickens’ Tale Of Two Cities (obra que me falta na minha colecção…infelizmente não só! e com outra soberba encadernação, neste caso, de Riviere)



78. DICKENS, Charles. A Tale of Two Cities. London, 1859. Octavo, early 20th-century full tree calf gilt.

First edition, first issue, bound from parts, of Dickens’ second historical novel and one of his most enduring works—a powerful tale of self-sacrifice and rebirth against the backdrop of the French Revolution—handsomely bound by Riviere.

“Dickens had always admired Carlyle’s History of the French Revolution, and asked him to recommend suitable books from which he could researchthe period; in reply Carlyle sent him a ‘cartload’ of volumes… So great was [Dickens’] enthusiasm for the story that it had indeed ‘taken in possession’ of him… The force of the novel springs from its exploration of darkness and death but its beauty derives from Dickens’ real sense of transcendence, from his ability to see the sweep of destiny” (Ackroyd, 858). The last of Dickens’ books to be illustrated by H.K. Browne (“Phiz”), with 16 engraved plates by him. “Browne, for 23 years responsible for all the etchings which had som successfully embellished these [Dickens’] books, produced his last drawings for the present work” (Hatton & Cleaver, 333). First issue, with all first issue points. Originally published as a serial from June to December 1859. Original wrappers of Parts III and IV bound in at rear. Hatton & Cleaver, 333-42. Very minor dampstaining to one corner of plate at page 94, not affecting image, minor marginal paper restorations to page 99-100, minor rubbing to binding. A near-fine copy, handsomely bound.

(Embora já tenha visto exemplares em melhores condições, mesmo assim, este é bem apetecível, quanto mais não seja pelo seu encadernador)

E já que falamos de livros (para isso é que aqui estamos), por que não avaliarmos este exemplar, que não estando nos meus planos, não desenharia de o ter na minha biblioteca:

Beautifully Illustrated 1716 Judeo-Italian Haggadah, Printed In Venice.



85. HAGGADAH. Seder Haggadah shel Pesah. Venice, 1716. Folio, 19th-century Dutch marbled paper boards, custom clamshell box; ff. 25.

Beautifully illustrated 1716 Venice Haggadah, with Italian translation printed in Hebrew characters. Includes Leone Modena’s commentary (Tzli Esh), based on Isaac Abrabanel’s earlier commentary, Zevah Pesah.

This early 18th-century Venice Haggadah was printed in the esteemed tradition established in the same city in the previous century. “Among its visual highlights were a magnificent architectural border surrounding every page of text, woodcut initials enclosing miniature figures and scenes, and large woodcut illustrations placed at the top or bottom of almost every page… arranged into a meaningful biblical cycle that begins with Abraham and later focuses on the narratives actually recalled in the text of the Haggadah” (Yerushalmi). Includes the famous 13-panel illustration of the stages of the Seder, and the ten-panel depiction of the ten plagues, which became fixtures of illustrated Haggadahs after their first introduction in the 1609 Venice edition. Title page and each page throughout with decorative architectural woodcut border. Yaari 81. Yudlov 131. Most leaves remargined or repaired along edges, at times affecting decorative border and text (supplied in neat facsimile). A very good copy, an excellent example of the Venetian tradition.

A propósito deste título gostaria de vos sugerir a leitura deste livro moderno (que está incluido no Plano Nacional de Leitura: Livro recomendado para o 10º, 11º e 12º anos de escolaridade, destinado a leitura autónoma.):



BROOKS, Geraldine – As Memórias do Livro (People of the Book). Cruz Quebrada, Casa das Letras, 2008. 1ª edição portuguesa. 386 [1]pags. Brochura.

Inspirado numa história verídica, que se desenvolve em torno da história de uma Haggadah e descrevendo alguns dos principios da técnica de preservação (diferente da restauração) de um livro, As Memórias do Livro está repleto de inesquecíveis vozes do passado, mas é a voz de Hanna – controversa e contemporânea – que o converte numa leitura compulsiva que transcende os habituais limites da ficção histórica.

Sinopse: Em 1996, é oferecido a uma conservadora de livros raros o sonho de uma vida: a análise e conservação de um misterioso e magnificamente iluminado códice hebraico da Espanha do século XV e salvo da destruição durante o bombardeamento das bibliotecas de Serajevo. Quando Hanna descobre uma série de minúsculos artefactos na encadernação do livro – um fragmento de uma asa de insecto, manchas de vinho, pedras de sal, um cabelo branco – começa a aceder aos mistérios passados que envolveram o livro e a desvendar as histórias dramáticas daqueles que o criaram e que tudo fizeram para o proteger.


The Important 1662 Edition Of The Book Of Common Prayer,
In IntricatelyEmbroidered Contemporary Velvet Binding

Não gostaram das minhas escolhas? Excelente!

É precisamente por isso que existe o link para o catálogo, para que cada um possa fazer a sua leitura e escolhas pessoais, visto que as minhas são quase sempre o espelho dos meus gostos bibliófilos que serão seguramente diferentes de muitos dos vossos.

Bibliofilia é isso mesmo: pois que para além da paixão pelo livro, comum a todos nós, existe um projecto diferente, e bem personalizado, de cada um construir a sua biblioteca que vai redefinindo/aperfeiçoando ao longo do tempo e das suas experiências.

Saudações bibliófilas.


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

José F.Vicente Leilões – Importantes Leilões de Manuscritos e Livros



Este já nosso conhecido leiloeiro vai realizar mais dois leilões que apresentam obras de grande interesse bibliófilo e coleccionistico para além de relevância histórica de alguns dos documentos incluidos no leilão de Manuscritos.


Leilões

Faça à elevada qualidade das peças em praça, interrogo-me sobre os valores de arrematação que serão atingidos nos tempos de crise como são estes que atravessamos, pois há peças que são de alta raridade e de grande procura bibliófila.

O Leilão de Manuscritos decorrerá no dia 10 de Dezembro de 2012 às 21h como é costume no Palácio da Independência localizado no Largo de São Domingos, 11 (ao Rossio) em Lisboa.

Os documentos estarão em exposição nos dias 8, 9 e 10 de Dezembro das 15h às 20h no mesmo local.





Vejamos alguns exemplos destes mesmos lotes:



007 ATOUGUIAS. Conjunto de 3 peças: Titulo dos Corr.as de Atouguias tresladº fielmte do Lº Genealógico das Famílias sde Portugal escritas pelo Snr. Assº de Torres, estoriadas e acabadas em o anno de 1706; Assentos referentes a Caza tirados dos livros das Freguezias de Sta. Maria e S. Pedro, e do Convento dos Capuchos Fronteiro quaze a esta Qta. de Sto. Antº em Torres Novas anno de 1799 e uma Árvore Genealógica desta família, datada de 1838. Documentos acondicionados numa caixa-estojo moderna inteira de pele.
Conjunto importante.



020 CANTOCHÃO. IMPONENTE CANTOCHÃO DO SÉCULO XVII/XVIII, EM PERGAMINHO, contendo 130 folhas + 1 de Índice, algumas com as capitulares iluminadas. Conserva a encadernação da época em madeira, forrada a couro, com ferros metálicos e broxos, com falta dos fechos. Lombada com defeitos e faltas de pele. Algumas folhas com pequenas manchas provocadas por pingos de cera.
Medida: Altura 60cm. A primeira folha está pregada na guarda da frente, não sendo visível o verso.



Cantochão é a denominação aplicada à prática monofônica de canto utilizada nas liturgias cristãs, originalmente desacompanhada. Historicamente, diversas formas de rito cristãos, como a Moçárabe; Ambrosiana ou Gregoriana organizaram a música utilizada em repertórios, a partir daí intitulados a partir do rito do qual fizessem parte: Canto Gregoriano; Canto Moçárabe e Canto Ambrosiano, por exemplo.



Formadas principalmente por intervalos próximos como segundas e terças, melodias do cantochão se desenvolvem suavemente, sendo o ritmo baseado na prosódia dos textos em latim. O cantochão é o principal fundamento da chamada música ocidental, sobre o qual toda a teoria posterior se desenvolve, ao contrário de outras artes que apontam para a época clássica da civilização greco-romana, ou até mesmo fontes anteriores. O cantochão é também a música mais antiga ainda utilizada, sendo cantada não só em Mosteiros como também por coros leigos no mundo todo.



039 COELHO, António Fernandes. - Importante arquivo do Conselheiro e Ministro António Fernandes Coelho, constituída por dezenas de documentos, relativos a cartas a si dirigidas, exilio em Londres, documentos pessoais e políticos, cartas régias de D. Pedro IV, D. Maria II e D. Fernando II, etc.

Conjunto de grande importância para a história política da época. Fernandes Coelho foi ministro no Governo de Sá da Bandeira e subscritor da Constituição de 1838. Na sequência da eleição de 20 de Novembro de 1836, surge, entre os deputados eleitos, um grupo não afecto aos radicais nem aos novos governamentais e distinto dos cartistas. Provêm da antiga oposição moderada ao regime chamorro, sendo constituído por Lumiares, Taipa, Sabrosa, Garrett, Fronteira, Visconde da Fonte da Arcada, Manuel Castro Pereira e Derramado, núcleo central a que, depois, aderem o general João Lacerda, António Fernandes Coelho e António Dias de Oliveira. A posterior revolta dos Marechais e as sucessivas revoltas radicais, bem como o abandono do governo por parte de Passos Manuel leva a que este grupo vá assumindo o poder, sendo conhecidos como os setembristas moderados.
Consolida-se o modelo quando, em 4 de Abril de 1838 surge uma ampla amnistia, logo criticada por Passos Manuel e Vieira de Castro, mas que obtém o apoio de Rodrigo da Fonseca, Silva Carvalho e António José de Ávila, chegando a falar-se no partido do 4 de Abril de 1838. (In Respublica). Pertenceu á Maçonaria do Norte. Contém algumas cartas pré-filatélicas. Acondicionados em caixas-estojo inteiras de pele.



042 COMPROMISSO INSTITUIDO PELOS MAREANTES DO MAR DA VILLA DE ALDEA GALEGA DO RIBATEJO: PRIMEIROS IRMÃOS & CONFRADES DA IRMANDADE DE NOSSA SENORA DA CONCEIÇÃO; SITA NA IGREJA MATRIZ DO ESPIRITO SANCTO DA DITA VILLA. Aos doze dias do mes de feuereiro de mil seiscentos e oito annos. In-8º de 20 Fls. Enc.

Manuscrito do Compromisso dos Mareantes da Vila Aldeia Galega do Ribatejo, hoje cidade do Montijo. Pintura policromada de Nossa Senhora da Conceição em página inteira e capitulares.



decoradas. Bela caligrafia muito legível. No final dos capítulos, em três páginas, a autorização dada por Filipe II e renovada por Alvará, em duas páginas de Filipe IV, em 1638. Em outras duas páginas, no final, uma Ordem de D. Maria I a declarar nulo o visto de confirmação de penhora aos oficiais da Irmandade e mandando passar Provisão de Confirmação, pela qual foi paga a devida quantia em 30 de Outubro de 1782. Outras disposições entretanto tomadas, encontram-se registadas no manuscrito. Peça muito importante para a História da Vila do Montijo e ainda para a história religiosa do início do século XVII.
Encadernação da época inteira de carneira, bem conservada. Peça de colecção.



088 HERCULANO, Alexandre. - 6 CARTAS DE ALEXANDRE HERCULANO ENVIADAS A JOAQUIM FILIPE DE SOURE. Tratam de assuntos históricos e literários.

Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo, 1810-1877 foi um escritor, historiador, jornalista e poeta português da era do romantismo. Herculano foi o responsável pela introdução e pelo desenvolvimento da narrativa histórica em Portugal. Juntamente com Almeida Garrett, é considerado o introdutor do Romantismo em Portugal, desenvolvendo os temas da incompatibilidade do homem com o meio social. Alexandre Herculano casou, em 1 de Maio de 1867, com Mariana Hermínia de Meira. Morreu na sua quinta de Vale de Lobos, Azoia de Baixo, (Santarém) em 13 de Setembro de 1877. Encontra-se sepultado no Mosteiro dos Jerónimos. Joaquim Filipe de Soure (Évora, 1805-??) foi um magistrado e político português, que exerceu as funções de deputado às Cortes e de Ministro. Foi deputado em 1834 e presidente da Câmara dos deputados em 1857 e Ministro dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça no Governo do Entrudo.



140 NOBRE, António. - EXTENSA CARTA DE ANTÓNIO NOBRE ENVIADA A MOTTA GOMES. Datada de Vila Garrett, Sabbado. 29-II-1896. Carta literária, fala também da sua doença e das melhoras registadas. 1 Fl. In-4º

António Nobre,1867-1900, nasceu no Porto, matriculando-se em 1888 no curso de Direito na Universidade de Coimbra. Como os estudos lhe corressem mal, partiu para Paris onde frequentou a Escola Livre de Ciências Políticas, licenciando-se em Ciências Jurídicas. De regresso a Portugal, tenta entrar na carreira diplomática, mas a tuberculose impede-o. Doente, ocupa o resto dos seus dias em viagens a procurar remédio para o seu mal, da Suíça à Madeira. A sua obra Só, publicada em 1892 é um marco da poesia portuguesa. Faleceu ainda muito novo na Foz do Douro.



194 TRATADO DE AMISADE E COMMERCIO ENTRE SUA MAGESTADE FIDELISSIMA ELREI DE PORTUGAL E SUA MAGESTADE O IMPERADOR DA CHINA. Macau. 1886. In-8º de [2], 75 págs. Enc.

“Cópia exacta do Tratado Luso-Chinez celebrado em Tien-Tsin a 13 de Agosto de 1862, transcripta do texto original em China e Português, ao qual me reporto. Macao, Repartição do expediente cinico 5 de Julho de 1886. Pedro Nolasco da Silva”. Edião bilingue, português e chinês. Localizada a cerca de 100 quilómetros de Pequim, na China, a cidade de Tien-Tsin (ou Tientsin) foi palco da assinatura, a 13 de agosto de 1862, de um acordo diplomático entre o império chinês e o reino de Portugal, no sentido daquele reconhecer a plena soberania e posse do território de Macau pelos Portugueses. À frente da delegação portuguesa, como ministro plenipotenciário, esteve Isidoro Francisco Guimarães, mais tarde visconde da Praia Grande, filho de Isidoro Francisco Guimarães, tendo sido bacharel de Direito, comendador da Ordem de Avis, Cavaleiro de Nossa Senhora da Conceição, de Cristo e da Torre de Espada e chefe da Esquadra Real. Este acordo legitimou assim a plena posse por parte de Portugal, perante a China e a comunidade internacional, de Macau, que teve em Tien-Tsin a formulação de uma base legal legitimadora da presença lusa naquela cidade no estuário do Rio da Pérola. Recordese que este acordo diplomático era imperativo e urgente, pois, na mesma cidade, quatro anos antes, em 26-27 de junho de 1858, os chineses tinha acordado com Ingleses, Franceses (depois destes terem ocupado a cidade um mês antes) e também com Norte-Americanos e Russos, facilidades de navegação nos mares da China por estas potências e a possibilidade de abrirem representações diplomáticas em Pequim. Assim, era de todo necessário a Portugal regularizar legalmente a sua posição em Macau, na China Meridional, de forma a manter os seus interesses na região e a posse do território." (In: Infopédia).

Peça de extrema raridade. Encadernação em tela, possuindo na pasta da frente os seguintes monogramas: “T. S. Roza. Offerecido por C. A. R. A.”

No que diz respeito ao Leilão de Livros, Fotografia e Pintura que se realiza nos dias 11 e 12 de Dezembro pelas 21h igualmente no Palácio da Independência em Lisboa.

A exposição prolonga-se de 8, 9, 10, 11 e 12 de Dezembro das 15h às 20h

1ª sessão – Lotes 1 a 450
2ª sessão – Lotes 451 a 902





Realce-se aqui uma extensa colecção camiliana que ocupa os lotes 118 e 119 e do lote 141 ao lote 238.

Vejam-se estes títulos como ilustrativo:



143 CASTELO BRANCO Camilo. – ANNOS DE PROSA. Lisboa. Livraria de Campos Júnior - Editor. S. data. In-8º de 284 págs. Enc.

Edição original de grande raridade. No mesmo ano, foi esta obra publicada com um segundo frontispício, onde se acrescentou A Gratidão e O Arrependimento. Encadernação meia de pele.
Conserva as capas de brochura. Em magnífico estado de conservação, só ligeiramente aparado a cabeça.



238 CASTELO BRANCO, Camilo. - VOLTAREIS, Ó CRISTO? Narrativa. Porto. Viuva Moré - Editora. 1871. In-8º de 33 págs. Enc.

Edição original. Muito rara. Encadernação moderna meia de pele. Com capas. Bom, exemplar.

De muitos outros titulos, alguns já bem nossos conhecidos, realço estes três:



072 BAYLE, Pierre. - DICTIONNAIRE // HISTORIQUE, // ET // CRITIQUE, // PAR... // TOME PREMIER // (AO TOME QUATRIÈME) // CINQUIÈME EDITION // REVUE, CORRIGÉE, ET AUGMENTÉE // AVEC LA VIE DE L’AUTEUR. // A Rotterdam, // Chez Michel Bohm. MDCCXX. 4 Vols. In-Fólio. Encs.

Colecção completa deste famoso dicionário histórico. RARISSIMO. De págs. 2370 a 2374 do Vol. III, decorre o artigo sobre Portugal. Encadernaçõesda época em inteiras de pele. Exemplares com algumas manchas de humidade, picos e cortes de traça, que atingem por vezes letras do texto e pequenos defeitos marginais.
Brunet, Tome I, cols. 711/712 descreve largamente esta edição.



412 FREIRE, Francisco José. – MEMORIAS // DAS PRINCIPAES // PROVIDENCIAS, // PADECEO A CORTE DE LISBOA NO ANNO DE 1755 // ORDENADAS, E OFFERECIDAS // Á MAGESTADE FIDELISSIMA DE ELREY // D. JOSEPH I. // NOSSO SENHOR // POR AMADOR PATRICIO DE LISBOA. // (Brasão de Armas de D. José I) // LISBOA. // M.DCC. LVIII. In-4º de [28], 355 págs. Enc.

Rara e valiosa. Segundo Inocêncio, Tomo I, pag. 54, a obra foi escrita sob pseudónimo. Há quem a atribua ao Marquês de Pombal, mas a maioria inclina-se para que o autor seja o Pe. Francisco José Freire (Cândido Lusitano). Admite-se que tenha sido impressa na oficina de Francisco Luis Ameno. Encadernação da época inteira pele com pequenos defeitos.



603 MULSANT, E. - LETTRES A JULIE SUR L’ORNITOLOGIE. Illustrées par Édouard Traviès de magnifiques dessins d’après nature, coloriés avec le plus grand soin. Paris. Anciem Maison Morizot. A. Laplace, Libraire, Éditeur. S. data (1868). In-4º de XII, 367 págs. Enc.

Rara. Bela edição, ilustrada com um anterrosto gravado e 16 águas-tintas extra-texto. Encadernação editorial em marroquin. Dourado por folhas. Pequeno carimbo a óleo no frontispício.

Bom aqui ficam estas minhas notas com um convite para a vossa leitura e consulta atentas destes bons catálogos.

Saudações bibliófilas.


sábado, 1 de dezembro de 2012

Bento Morganti – um escritor português



MORGANTI, Bento, 1709-?
[Escudo de armas do Conde Redondo]
[Visual gráfico : [vinheta] / B. Morganti del. 1734 ; G. F. L. Debrie sculp.. - [S.l. : s.n.], 1734.
1 gravura : água-forte, p&b

Bento Morganti nasceu em Roma, filho de pais portugueses, em 13 de Outubro de 1709. Veio muito novo para Portugal.
Estudou no Colégio de Santo Antão e formou-se em Direito Canónico na Universidade de Coimbra. Era um presbítero secular com um benefício na Basílica de Santa Maria. Desconhece-se o local e data do seu falecimento, mas deverá ter ocorrido depois de 1765 (data da sua última obra impressa, visto não ser considerada publicação póstuma)

Bento Morganti também escreveu sob o pseudónimo de José Acúrsio de Tavares.


Bibliografia:

1737 - Nummismalogia ou Breve recopilação de algumas medalhas dos emperadores romanos, de ouro, prata, e cobre, que estão no Museo de Lourenço Morganti

MORGANTI, Bento. 1709-? – Nummismalogia ou Breve recopilação de algumas medalhas dos emperadores romanos, de ouro, prata, e cobre, que estão no Museo de Lourenço Morganti... a que se ajunta huma Bibliotbeea de todos os autores, que escreverão de medallias, e inscripçòes antigas. Parte primeira... Por Bento Morganti. Lisboa Occidental: Joseph António da Sylva, 1737. 36, LXVI, 176 p.: il.; 20 cm.



1742 - Dissertação histórica e crítica: sobre a inscrição que existe no Campo de Santa Ana da Cidade de Braga

MORGANTI, Bento. 1709-? – Dissertação historica e critica: sobre a inscripção que existe no Campo de Santa Anna da Cidade de Braga... / dada à luz pelo Doutor Mathias Pinheiro de Azevedo; escrita pelo...Bento Morganti. Lisboa: Na Reg. Offic. Sylviana, 1742. [8], 51 p. ; 23 cm

1750 - Descrição fúnebre das exéquias, que a Basílica Patriarcal de S. Maria dedicou à memória do... Rei D. João V.



MORGANTI, Bento. 1709-? – Descripção funebre das exequias, que a Bazilica Patriarchal de S. Maria dedicou à memoria do Fidelissimo Senhor Rey Dom Joaõ V / escrita, e delineada por Bento Morganti…: Lisboa: Na Officina de Francisco da Silva, 1750. [8], 52 p. : 4 est.; in 4º (22 cm)

As gravuras (das quais uma desdobrável) executadas por Michel Lebouteux segundo desenhos de Bento Morganti e gravados por G.F.L. Debrie. Destaque-se um retrato gravado de D. João V bem como as capitulares gravadas no texto.


Gravura desenhada por Bento Morganti

Com a morte de João V (1689-1750), rei de Portugal, depois de quase 50 anos de reinado, as suas exéquias realizaram-se na Basílica de Santa Maria em Lisboa.

Na primeira parte compõe-se da descrição das decorações funerárias escritas por Morganti, que também criou a maioria dos desenhos utilizados para as placas onde se inclui a vinheta castrum doloris sobre o catafalco, ornatos com numerosas inscrições lembram as virtudes e acções do rei falecido.

A segunda parte do trabalho apresenta o texto da oração fúnebre proferido pelo Padre Timotheo de Oliveira.

1752 - O Anónimo repartido pelas semanas para divertimento e utilidade do público

MORGANTI, Bento. 1709-? – O Anonymo repartido pelas semanas para divertimento e utilidade do publico. Lisboa: Na Officina de Pedro Ferreira, 1752. 16 p., 20 cm.



MORGANTI, Bento. 1709-? – Carta de hum amigo para outro, em que dá succinta noticia dos effeitos do terremoto succedido em o primeiro de Novembro de 1755. Com alguns principios Fisicos para se conhecer a origem, e causa natural de similhantes Phenomenos terrestres. Lisboa: Na Offic. de Domingos Rodrigues, 1756. 16 [1] p.; 20 cm. Inocêncio I, p. 350

Opúsculo, como no seguinte, onde faz referência ao sucedido em Lisboa como consequência do terramoto de 1755, o qual foi objecto de várias publicações na Europa, pois foi um sismo com proporções e um grau de destruição perfeitamente devastadoras.


Gravura em cobre de 1755 mostrando Lisboa em chamas e o tsunami varrendo o porto


Ruínas de Lisboa. Após o terramoto os sobreviventes viveram em tendas nos arredores da cidade, como ilustra esta gravura alemã de 1755.

1756 - Verdade vindicada ou resposta a uma carta escrita de Coimbra, em que se dá notícia do lamentável sucesso de Lisboa no dia 1 de Novembro de 1755

MORGANTI, Bento (Jozé Acúrsio de Tavares). 1709-? – Verdade vindicada ou resposta a huma carta escrita de Coimbra, em que se dá noticia do lamentavel sucesso de Lisboa no dia 1 de Novembro de 1755 / escrita por José Acursio de Tavares... Lisboa : na Officina de Miguel Manescal da Costa, 1756. 32 p. ; in 4o (20 cm). Barbosa Machado 4, 74, Inocêncio 18, 256.




MORGANTI, Bento. 1709-? – Breve discurso sobre os cometas, em que se mostra a sua natureza, sua duraçaõ, seu movimento, sua influencia, e a sua Regiaõ &c. Escrito por B.M.- Lisboa: na Off. de Francisco Borges de Sousa,, 1757. 21, [2] p. ; 20 cm.

A 1ª edição foi publicada para contrariar a ideia de que um cometa prevê uma grande catástrofe ou desastres. O trabalho explica que os cometas são fenómenos naturais, com uma explicação mais leiga do que científica, do seu significado astronómico e explica que eles não têm nenhuma influência sobre os acontecimentos terrestres. O cometa Halley apareceu em 1759. A impressão de uma 2ª edição em 1818 coincidiu com o aparecimento de um cometa diferente e destinava-se, também, a tranquilizar os rumores de desgraça iminente.

Innocêncio I, 350 (refere apenas 21 pp.), XVIII, 249. Fonseca, Pseudonimos, p. 102. Coimbra, Miscelâneas 6439, 8053. OCLC: 64234425 (Houghton Library, Newberry Library, Bayerische Staatsbibliothek). Conhecem-se três exemplares na Biblioteca Nacional de Portugal (com 21, [2] pp.) e uma da edição de 1818 (Breve discurso sobre os cometas, em que se mostra a sua natureza, a duração do tempo da sua apparição, sua nenhuma influencia sobre o mundo, e nos diversos acontecimentos que no mesmo se observão) na Biblioteca Nacional de Portugal). Não localizado no Copac.



1757 - Carta em resposta ao discurso sobre os cometas

MORGANTI, Bento (Jozé Acúrsio de Tavares). 1709-? – Carta em resposta ao discurso sobre os cometas / escrita por Jozé Acursio de Tavares... Lisboa: na Off. de Francisco Borges de Sousa, 1757. 23, [5] p.; 20 cm.
 



MORGANTI, Bento (Jozé Acúrsio de Tavares). 1709-? – Sustos da vida nos perigos da cura, ou carta, que hum amigo escreveo a outro, estando convalescendo, depois de huma enfermidade. / [Jozé Acursio de Tavares]. Lisboa: Na Officina de Miguel Manescal da Costa, Impressor do Santo Officio, 1756. 16 p.; 20 cm. (Exemplar na BNP)



MORGANTI, Bento (Jozé Acúrsio de Tavares). 1709-? – Sustos da vida nos perigos da cura, ou carta, que hum amigo escreveo a outro, estando convalescendo, depois de huma enfermidade. / [Jozé Acursio de Tavares]. Lisboa: Na Offic. de Antonio Vicente da Silva, 1758. 16 p.; 20 cm. (Exemplar digitalizado)

A este propósito leia-se o último parágrafo deste opúsculo, onde de uma forma mordaz critica as práticas médicas da época:

Finalmente, por nao cansar mais a V. m. e eu estar tambem já cansado de escrever, naõ digo o muito, que me occorre a este respeito, e só peço a V. m. que tenha muito cuidado em conservar sem desordens a vida, para lograr hum estado de perfeita saude, e naõ chegar a ter necessidade de cahir no erro commum de chamar Medico,{16} que naõ seja Medico, que lha destrua de todo; e esta diligencia de chamar Medico bastará que V. m. a reserve para a ultima enfermidade, para mostrar que naõ deixa de morrer à moda; ou tambem, quando por muito velho, e achacado se enfastiar de viver, quizer livrar-se desse embaraço por meyos competentes, que fique salva a sua consciencia, porque elles teraõ todo o cuidado de lhe dar a morte embrulhada em alguma emulsaõ, ou dentro de hum frango, lembrando-se que obraõ nisto huma especie de caridade, verificando que a respeito de huma vida cheya de padecimentos naõ he pena a morte, mas sim o fim, e complemento de todas as penas, como escreveo hum discreto: Mors non poena, sed ultima poenarum est. Mas se por acaso, ou fatalidade lhe succeder o contrario, que antes disto lhe seja preciso recorrer a elles pelo costume, encolha os hombros, e console-se com Ouvidio, dizendo: Me quoque fata ligant. Ainda que lhe recommendo muito, e me cuide em fugir, quanto lhe for possivel, destes tres inimigos do corpo, assim como Christaõ deve fugir dos da alma, pois se os da alma, que saõ mundo, diabo, e carne, a arruinaõ por natureza, assim o Medico, Cirurgiaõ, e Boticario tem por officio destruir a saude, e arruinar o corpo. Eu terei grande gosto de saber que V. m. passa livre de necessitar valer-se de semelhantes inimigos, que eu, graças a Deos, por agora escapei por occulta providencia dos ordinarios effeitos das suas obras, e fico muito prompto para me empregar no serviço de V. m. que Deos guarde muitos annos. Lisboa, 20. de Abril de 1756.

De V. m.
Muito amigo, e criado
Jozé Acursio de Tavares.



MORGANTI, Bento. 1709-? – Juizo verdadeiro sobre a carta contra os medicos, cirurgioens, e boticarios ha pouco impressa com o titulo de sustos da vida nos perigos da cura: exposto em huma carta de hum amigo a outro, que sobre ella lhe pedio o parecer. Lisboa: Na Officina de Joseph Filippe, 1758. 24 p. ; in 4º, 20 cm. Inocêncio I, 349

Leia-se a propósito a introdução, que transmite de modo mais “refinado” a sua atitude crítica sobre as mesmas práticas:

Meu amigo, e Senhor, satisfazendo á sua recomendaçaõ de lhe enviar os papeis coriosos, que sahirem nesta Cidade mais bem compostos, e recebidos; remetto a v. m. esse que a semana passada se publicou com o titulo de Sustos da Vida nos Perigos da Cura, taõ agradavel aos curiosos, como aos medicos odiozo. E ainda que sei, que v. m. naõ he muito inclinado a obras satyricas, com tudo me parece, lhe naõ desagradará, pelo que tem de discreta. Eu desejara que v. m. agora se achasse nesta Cidade para ouvir os pregoens dos cegos; pois naõ contentes com o primeiro titulo, para dar mais clara noticia da obra, apregoaõ; Carta contra os Medicos, Cirurgioens, e Boticarios (verdade he, que naõ lhe levantaõ nenhum testemunho) e por fazer pirraça aos mesmos servindose dos olhos dos moços, pois elles naõ pódem ser testemunhas de vista, ás portas de Boticarios, e na passagem dos Medicos, e Cirurgioens levantàõ com mais forte, e duplicada vós o pregaõ da sua fazenda, alguns sugeitos tenho ouvido louvar muito este papel de discreto, e util á republica, para que se desenganem com estes homicidas disfarçados. Eu porèm com juizo indiferente, espero pelo seu parecer, para que instruindo-me como costuma, eu possa julgar com acerto. Deos guarde a v. m. &c.

1758 - Relação panegírica das exéquias que a Irmandade de N. Senhora Mãe dos Homens, sita no Convento de S. Francisco de Xabrégas fez ao seu instituidor, e Director o M. R. Padre Fr. João de N. Senhora

MORGANTI, Bento. 1709-? – Relaçaõ panegyrica das exequias que a Irmandade de N. Senhora Mãy dos Homens, sita no Convento de S. Francisco de Xabregas fez ao seu instituidor, e Director o M. R. Padre Fr. João de N. Senhora... / escripta por Bento Morganti... Lisboa : [s.n.], 1758. 49 p.; 21 cm.

1758 - Breves reflexões sobre a vida económica a qual consiste nos casamentos, na criação, e educação dos filhos e em adquirir, e conservar os bens

MORGANTI, Bento. 1709-? – Breves reflexões sobre a vida económica a qual consisto nos casamentos, na criação, e educação dos filhos e em adquirir, e conservar os bens, (...) / Ordenadas Por Bento Morganti. Lisboa : Of. de Joseph da Costa Coimbra 1758. 8 fl. 127 p.; 15 cm

1765 - Aforismos morais, e instrutivos, úteis a, todo o género de pessoas

MORGANTI, Bento. 1709-? – Afforismos moraes, e instructivos, uteis a, todo o genero de pessoas ; Nos quaes se achão documentos necessários para a boa instrucção da vida civil, e christã : compilados, e dispostos em centurias para com mayor facilidade convidarem à sua lição... / por Bento Morganti. Lisboa: Of. Manoel Coelho Amado, 1765. 12] 172 p. ; 16 cm

A BNP possui, para além das obras referidas, dois manuscritos provenientes da Livraria Antiquária do Calhariz:

[Bilhete do Padre Bento Morganti para o Sr. Bertrand solicitando-lhe o envio das obras do P.e Nidendorff no caso de as possuir] [Manuscrito] [1] f. ; 8x21 cm

[Apontamentos sobre certas curiosidades relativas a figuras da Antiguidade e sobre o significado de algumas pedras preciosas] [ Manuscrito / [Bento Morganti] [5] f. ; 22 cm

Aqui deixo este esboço bio-bibliográfico sobre um autor português pouco conhecido e sobre o qual me foi muito difícil “descobrir “dados.

É o resultado dessa pesquisa que partilho convosco.

Sendo um autor que não poderemos de modo algum considerar de grande valor literário tem, para mim, o interesse particular de nos dar a sua visão sobre alguns acontecimentos, bem como dos hábitos e de algumas actividades profissionais, da época que são sempre de alguma utilidade para quem gosta de ler e conhecer um pouco mais da nossa história.

Sob o ponto de vista bibliófilo, pelo que consegui averiguar, as suas obras aparecem raramente e atingem valores moderadamente elevados (encontrei apenas uma obra à venda e referência a outra vendida num dos leilões da Christie's em 2009).

Saudações bibliófilas.

Notas:

(*) Acesso a obra digitalizada.
(dado a tratarem-se de pequenos opúsculos convido-vos a lerem alguns deles para conhecerem um pouco melhor a obra deste escritor.)

Fontes consultadas:

PORBASE- Fonte Nacional de Dados Bibliográficos da Biblioteca Nacional de Portugal.